Mais do que constatar que Manuela Ferreira Leite não consegue afirmar-se como alternativa perante o eleitorado, o que me interessou foi saber que, de acordo com as últimas sondagens divulgadas há dias, 49% dos eleitores acreditam que José Sócrates possa ser culpado no caso Freeport, mas entendem que não é motivo para se demitir.
O Expresso oportunamente divulgou na sua última edição as prováveis razões desta indiferença perante os escândalos que envolvem políticos, de resto já largamente debatida aquando da reeleição de Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro nas últimas autárquicas.
Reporta o Expresso que de 1982 até hoje foram dez os casos que implicaram altos dirigentes e que tiveram grande projecção mediática. Uns prescreveram, outros morreram nos tribunais, alguns ainda aguardam desfecho. Do célebre caso do fax de Macau, à operação Furacão passando pelo escândalo dos hemofílicos e pelos casos Universiade Moderna, Portucale e Apito Dourado são muitos anos de manchetes inflamadas, debates televisivos, conversas de café e inconsequência na Justiça.
Os eleitores portugueses, mais do que indiferentes em relação a estas trapalhadas, estão a ficar cínicos. O Freeport uma tentativa de assassinato político? Ó caro ministro Augusto Santos Silva, não acha que está a exagerar?


Como já aqui escrevi, Sócrates ainda vai capitalizar muitos votos à custa do caso “Freeport”. A vitimização é uma arma poderosa na capttação de votos, Terresa.
Os portugueses gostam do género do “coitadinho”.
A grande questão, é saber se os votos que vai ganhar à custa do “Freeport” compensarão as perdas que vai ter ao centro, pela aposta em questões fracturantes como o casamento entre homossexuais ou e autanásia.
Alguém se esqueceu de avisar Sócrates, que apostar em questões que desagradem à Igreja é um mau negócio. Mas, quem sabe, se um dia destes não vamos ver Sócrates na Missa?
Pior do que essa simpatia pelas putativas vítimas é a crescente indiferença pela ética e moral dos eventuais prevaricadores. E temo, Carlos, que é para aí que também caminhamos. Ambos os estados de alma dão votos. Essa é que é essa!
A reacção das pessoas justifica-se em parte pelo profundo descrédito a que chegou a justiça portuguesa. Juízes, procuradores e sobretudo o PGR deviam atentar bem no resultado deste inquérito que mencionas, Teresa.