O almoço demorado amoleceu-a. Anda, diz-lhe ele, agora temos de cumprir o nosso dever cívico. À gracinha do costume respondeu com um esgar de enfado: Não preferes ir ver o último filme do Clint Eastwood? Ele riu-se, condescendente: Vá lá, temos tempo de fazer as duas coisas, a assembleia de voto fica a dois passos“
Aquele empenhamento irritou-a: Já sabes em quem vais votar?, pergunta-lhe, secamente, à saída do restaurante. Vou votar no mesmo que tu, atira-lhe, mais para frustrar a curiosidade do tipo que se cruzou com ele de olho vivo e orelhómetro no máximo, do que para não lhe responder.
Ai, sim? Então vais votar em branco, mente-lhe ela. Divertido, desvenda-a sem hesitar: Tu nunca votas em branco. O sorrisinho confiante dele aborrece-a ainda mais: Como sabes? Enquanto mete a chave no carro, ele argumenta: Sempre me disseste que é pouco estimulante votar em branco.
Já sem vontade de continuar aquela conversa, resmunga: Vá, vamos então ao passeio dos tristes. O movimento pouco habitual em torno da escola, a um domingo, lembra-lhe outras eleições em que participara com um entusiasmo que agora lhe parecia pueril. Sai do carro e caminha contra o vento gelado, já com o pensamento longe dali. Na assembleia de voto meia dúzia de gatos. Estás a ver?, comenta com uma satisfação rancorosa, quase ninguém.
Na cabine pega na caneta e olha para eles, de má vontade. Hesita. Já que se deu ao trabalho vai escolher. Mas num rasgo de inspiração decide não escolher mas eliminar, pelo velho método do “an do litá, cara de amendoá…”

Suponho que se usares as “etiquetas” seja possível ler todos fast feelings. Sei que dá trabalho, mas só consegui ler os últimos três, e quero ler todos.
Pois, devia ter-lhes posto etiqueta. Ainda vai a tempo. Amanhã ou depois trato disso 🙂
“pouco estimulante”
ao menos votou