Olhou as paredes e embora não tivessem espelhos viu-se reflectido nelas, deitado no sofá, revistas e jornais espalhados à volta, alguns no chão, junto do prato onde pousara o copo, agora vazio. Seria a solidão a única mulher com quem ele conseguia viver? – ironizou. Às vezes cansava-o. Mas não o cansavam todas? Olhou para o telemóvel, aceso pelo último sms recebido. Escreveu “amo-te” e enviou.
No ar ainda se respirava o perfume que lhe oferecera no Natal. Reparou nesse momento que ela se esquecera das luvas, sinal evidente de que tencionava voltar, apesar de ter saído a bater com a porta. Bocejou. A diferença – pensou – é que a solidão não é reivindicativa.

Gostei.
😉
Muito bom, Teresa.
Mas fiquei a pensar se as minhas muitas distracções de deixar coisas em casas alheias foram sempre interpretadas como “sinal evidente de que tencionava voltar”…
😉
Há psis que valorizam estes sinais e lhes dão essa interpretação, mas como todos nós sabemos, os psis não são de fiar 🙂
Mesmo nada… lol