“És tão linda” – disse-lhe, sabendo que com o elogio tocava na tecla, sempre tão afinada, da vaidade feminina. Ela sorriu-lhe.
“Se não fosses tão bonita não gostava tanto de ti” – continuou, cuidando que ao insistir no elogio atearia ainda mais o seu sorriso. E ela, para não lhe defraudar as expectativas, segurou-o, mas com dificuldade. Porque afinal era de precaridade que ele lhe falava.

E como seria se o diálogo fosse o mesmo, mas ao contrário (ela para ele). -Teriam os significantes-chave o mesmo siginificado?
A minha resposta é que não :))
Definitivamente não era a mesma coisa, Laura. O nosso conceito de beleza é muito diferente. Nenhum homem se sentiria ameaçado por semelhante elogio.
Nem mais! Nós somos como o IRS: mais englobantes…
:))
Slow feeling
“És tão linda!”.
Bom Ano, Teresa.
Olá, João. Que 2011 seja mesmo um ano novo para ti.
Excelente. Isto merece ser partilhado com a ala masculina 🙂
???
Ehehehe, não era para ofender e muito menos generalizar! Mas creio que o primeiro comentário deste post explica o meu comentário melhor do que eu poderia fazê-lo:
“E como seria se o diálogo fosse o mesmo, mas ao contrário (ela para ele). -Teriam os significantes-chave o mesmo significado?
A minha resposta é que não :))”
Concordo que as mulheres são mais “englobantes” (por enquanto) mas nem todos os homens (categoria em que me incluo) são tão estúpidos que a) pensem da forma expressa no post e b) não percebam o erro que é dizê-lo (ainda que o pensem). 🙂
Ah, se os homens soubessem como estes “elogios” os condenam, mais cedo ou mais tarde…
Muito bom, Teresa.
Não sabem? Deixa-os não saber. Melhor para nós 🙂
Eles que aprendam a valorizar mais os slow feelings, tens razão. À primeira seguramos o sorriso para não lhes defraudar as expectativas, à segunda seguramo-los pelos colarinhos e olhamo-los bem nos olhos, generosas, só para avisá-los, e à terceira seguramos a porta da rua e mudamos a chave, porque foram eles que defraudaram as nossas expectativas.
🙂
???
LOL. Linguagem codificada do novo acordo ortográfico feminino…
Boa, Ana! Que grande resumo! Estaremos nós condenadas a este diálogo de surdos? Tant pis por eux….