Tentou concentrar-se no que ele dizia, mas o que ele dizia não era assim tão interessante. Além disso a voz não ajudava. Impaciente, mais com ela própria do que com ele, traçou as pernas, afivelou o seu melhor sorriso e esperou que a mímica a ajudasse a alinhar o seu espírito, sempre tão rebelde, pelas suas necessidades mais prementes. Procurou-lhe no rosto os traços que tanto a tinham interessado, meses antes, quando o conheceu no facebook. Os olhos a lembrar os do Ralph Fiennes, embora sem aquele magnetismo, a boca breve, como gostava nos homens. Duas características que durante muito tempo lhe chegaram para incendiar a imaginação, quando dele não tinha mais nada. O resto, que tanto desejara em tempos, estava ali. Mas o resto era tão dispensável que não conseguiu impedir-se de olhar para o relógio.
Bolas! Estava na hora de plantar as cenouras no Farmville. Tinha de arranjar uma boa desculpa. Tinha de arranjar uma desculpa e voar para casa.

🙂 Gostei, Teresa.
(peço explicações: o que é uma “boca breve”?? é que a expressão intrigou-me, e parece-me essencial para o meu conhecimento sobre os homens…)
Já vi que pus subjectividade a mais na boca 🙂 Pode ser o que tu quiseres. Para a mulher do post breve é curta, pequenina, discreta.
eu por acaso percebi logo a da boca breve, tb gosto lol:) mas não jogo farmville…
Um quintalinho nas traseiras também serve, Laura 🙂
Confere: também não desgosto de homens de “boca breve”, desde que o coração não seja na mesma proporção.
Oh Teresa,
Tinham mesmo de ser cenouras???????
Couve portuguesa, não era menos explicitamente sexual?