Fazer caixinha é mau


João Carvalho,

José Sócrates discursou uns 50 minutos, ao final da tarde de abertura do congresso do PS. Pelo meio, lá estava a defesa dos investimentos públicos que o governo deve fazer, num rol em que incluiu barragens, telecomunicações, etc., o que me deixou perplexo: essas áreas não são de investimento privado (EDP, PT, etc.)?

O discurso estava escrito, foi pensado. Se o primeiro-ministro fala abertamente de actos de gestão dessas empresas — que, por muito públicas, são em rigor privadas — por que razão é que o governo se escusa a falar dos negócios da Caixa, escudado no que chama actos de gestão, na qual é o único accionista? O governo anda a fazer caixinha e isso é mau sinal, muito mau.

11 comentários em “Fazer caixinha é mau”

  1. O verdadeiro partido “oportunista”
    não está à esquerda, nem à direita,
    e esta caixinha “socialista”
    que jamais se endireita!

    O mexilhão delatado,
    neste “socialismo” não confia,
    sente-se completamente entalado
    com esta política que desfia!

  2. João quanto à sua questão, sobre o investimento ser privado ou não:

    O dinheiro para o investimento é do estado.

    No caso das novas 10 barragens que estão previstas, o estado abriu um concurso para a sua concessão.

    As barragens do rio Tâmega foram ganhas pela IBERDROLA (empresa energia espanhola).

    As restantes barragens foram ganhas pela EDP.

    Agora a IBERDROLA e a EDP irão lançar os concursos públicos para quem fôr fazer as barragens (construção civil e equipamentos mecânicos-eléctricos).

    A EDP e a PT são empresas semi-estatais, logo o dinheiro retorna.

    Como o próprio nome indica isto é um investimento que o governo faz.
    No caso das barragens, enquanto as máquinas estiverem a trabalhar vão produzindo KW/h (medida de energia).
    Por cada KW/h a EDP vai lucrando e por sua vez o estado também.

    O que tem de ser convenientemente avaliado e isto sim é verdareimente importante, é se o investimento feito será rentável.
    Por exemplo : investe-se 10 milhões e uma barragem dura 50 anos a produzir energia, se ao fim dos 50 anos forem ganhos 100 milhões, então o investimento foi lucrativo.

    1. Como deve calcular, isso é do conhecimento público. A rentabilidade é obviamente importante. Mas, no caso em apreço, o que me trouxe foi o primeiro-ministro falar de empresas privadas de capitais públicos e o governo continuar sem explicar os negócios da CGD (como deve ter lido no ‘post’). Só isso, sem desvios de tema. Outros temas serão para outros ‘posts’.

      1. Do conhecimento público? Tudo o que referi? Lamento, mas não me parece, só se de um momento para o outro todos nós passamos a ser entendidos em hídricas. O que não será tão improvável assim ou até caso de espanto, já que é apanágio dos portugueses falarem acerca de tudo e de nada.
        Agora do conhecimento público será de certeza, as constantes não explicações do PM e do seu governo.

        E sim, li o seu post e também o entendi; o seu parêntesis foi desnecessário.
        E não, não penso que me tenha desviado.

  3. Fazer caixinha é mau, sem dúvida, mas fazer uma “Caixa” destas é muito bom, excelente até! É claro que estamos a falar daquela caixa cheia de segredos e de negócios magníficos, que quando se for a abrir, vai ser mais deslumbrante que uma caixa de Pandora.

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