A Lusa – paradigma da qualidade informativa, segundo o ministro que a tutela, Augusto Santos Silva – está cada vez melhor. Chama "líder cubano" a Fidel Castro, retirado do poder desde 19 de Fevereiro de 2008, e "capital da Turquia" a Istambul, riscando Ancara do mapa.
Ficam os parágrafos na íntegra, para se apreciar melhor.
4 de Abril, 16.40. "O segundo fórum da Aliança de Civilizações arranca segunda-feira em Istambul com a expectativa de importantes iniciativas ao nível da cooperação internacional e do diálogo inter-cultural e inter-religioso.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, os primeiros-ministros turco, Recep Tayyip Erdogan, e espanhol, José Luis Rodrigues Zapatero, e o Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações e antigo Presidente português, Jorge Sampaio, têm presença confirmada no fórum, que decorrerá até terça-feira na capital turca."
5 de Abril, 14.01. "O líder cubano Fidel Castro considera que são "inadmissíveis" muitas das propostas constantes no projecto de declaração da Cimeira das Américas, marcada para de 17 a 19 deste mês na Trindade e Tobago."
Outros méritos da agência noticiosa oficial são a constante inovação lexical e o irrepreensível tratamento gramatical das frases, características bem evidentes neste título de notícia:
4 de Abril, 16.40. "Presidente Hamid Karzai comprometeu-se em revisar lei polémica".
Um verdadeiro primor. Se tivessem escrito que Fidel é líder turco ainda seria melhor. Chegou a altura de "revisarmos" todos os nossos conhecimentos de história e geografia.


Os jornalistas da Lusa devem ter sido proibidos de usar a palavra Ancara…
A somar às outras palavras proibidas. Estagnação, por exemplo.
Foi por causa dessa que me lembrei. Se pega a moda das proibições, a Lusa acaba a comentar só a meteorologia e o festival da canção…
Uma das palavras que mais leio na Lusa é José: essa não está nada proibida. Sobretudo quando acompanhada de Sócrates.
Grandes momentos inovadores.
Qualidade informativa? De facto, Augusto Santos Silva não falha uma. Mas no que toca à noticia sobre Hamid Karzai, é bom que ‘revise’ depressa, porque a lei em causa é uma estupidez autêntica.
Eu sempre suspeitei que ele era um revisionista…
Pedro, «na Trindade e Tobago» também não está nada mal.
Hehehe…
Pois não, António. ‘Na’ Trindade é para comer um bife e empinar umas bejecas.
O problema é que provavelmente os agentes da Lusa utilizam computadores Magalhães…
O problema da Lusa são os takes das agências noticiosas brasileiras, acedidos pelo pessoal da nossa agência via Yahoo Brasil ou google.com.br. A preguiça vence-os e em vez de fazerem o que fizeram a vida toda – traduzir AFP, france press e reuters – passaram a editar os takes já escritos em português, mas norma brasileira. E assim, como acima de tudo são péssimos editores e ignorantes face à língua, colocam linhas essas preciosidades. Antes eram preguiçosos e traduziam, mas pelo menos escreviam no nosso português, aquele que está vigente no país onde está registada e onde moram os portugueses que com os seus impostos lhes pagam salários bem acima da média,sim não são extraordinários. Agora copiam e pastam. Melhor, sobretudo pastam. E um gajo a pagar impostos para isto.