Frases


Paulo Sousa,

«Quando algu´ém sente dor, está vivo, mas quando sente a dor de outra pessoa, então sim, é um ser humano.»

Nikos Kazantzakis

9 comentários em “Frases”

  1. Se a bitola para se ser “um verdadeiro ser humano” é sentir a dor do outro, então o português comum é a evolução suprema da espécie, alimentada a sangue em rodapé e lágrimas em prime-time.

    Vejamos a glória das Tardes da Júlia

    A Dona Zulmira está viva, provado pelo facto de lhe doerem as varizes. Mas, liga a televisão. Está a tocar aquela banda sonora lúgubre, o hino nacional do apocalipse pimba. Entra no estúdio um desgraçado que perdeu a casa no fogo, a mulher fugiu com o cunhado no trator e o cão tem sarna crónica. A apresentadora faz aquela cara de circunstância muito bem ensaiada, a câmara faz um grande plano focado na lágrima a escorrer, e a Zulmira? A Zulmira sente a dor do outro.

    Sente tanto, mas tanto, que murmura para o ecrã: “Ai credo, que pouca sorte, coitadinho”, exatamente no mesmo milissegundo em que enfia a quarta bolacha Maria na boca e pondera se tirou as febras do congelador. É a empatia no seu estado mais puro. Um ser humano formidável.

    Mas onde nós atingimos o Nirvana da empatia é na CMTV.

    A CMTV é a fábrica nacional de produção em massa de “seres humanos”, segundo a lógica do grego. Olhemos para o ecrã. Passa em rodapé vermelho, a piscar para segurar a atenção da terceira idade: “ALERTA CM: Idosa triturada por ceifeira-debulhadora em direto de Vila Pouca de Aguiar”.

    O espectador médio sente imediatamente a dor visceral da família, da vizinhança, do próprio operador da ceifeira. É um pico de humanidade tão grande à mortalidade alheia, que a única reação possível é berrar para a cozinha: “Ó mulher, traz aí uma imperial que o Hernâni já está aos gritos e ainda não disseram onde é que foram parar os dentes da velha!”

    A dor do outro, não nos eleva ao estatuto de seres humanos. Torna-nos especialistas ibéricos em audiências de miséria. Transforma a tragédia alheia num excelente ruído de fundo para dobrar meias e passar a ferro.

    Graças às tardes de choro e ao jornalismo da treta, não somos apenas humanos. Somos uns teledependentes geriátricos, a chorar lágrimas de crocodilo enquanto a dor alheia nos entra pela sala a dentro, gentilmente patrocinada pela pomada para as articulações, e os aparelhos auditivos quase invisíveis.

    1. aqui está o Carlos Sousa a resumir toda a simpatia pelo outro que os animais da raça humana podem (ou não) sentir à generalidade dos programas da Júlia Pinheiro (e outros semelhantes)….
      pá… apetece pedir à senhora daquela rubrica dos homens bonitos para pôr lá uma foto dele… ou duas.
      escrevo isto porque me parece que o próprio Carlos Sousa ainda não perdeu a totalidade do pensamento abstrato e consegue compreender que esta minha resposta é apenas uma resposta ao seu comentário anterior e não uma tentativa de negação de todo o “inner” pensamento do próprio…
      abaixo a letra de uma canção que resume a minha maneira de pensar sobre “sentir a dor dos outros”:

      Have you been to the desert?
      Have you walked with the death?
      There’s a hundred thousand children being killed for their bread
      And the figures don’t lie they speak of human disease
      But we do what we want and we think what we please

      Have you lived the experience?
      Have you witnessed the plague?
      People making babies sometimes just to escape
      In this land of competition the compassion is gone
      Yet we ignore the needy and we keep pushing on
      We keep pushing on

      This is just a Punk Rock Song
      Written for the people who can see something’s wrong

      Like ants in a colony we do our share
      But there’s so many other fuckin’ insects out there
      And this is just a Punk Rock Song

      Have you visited the quagmire?
      Have you swam in the shit?
      The party conventions and the real politik
      The faces always different, the rhetoric the same
      But we swallow it all, and we see nothing change
      Nothing has changed…

      This is just a Punk Rock Song
      Written for the people who can see something’s wrong

      Like workers in a company we do our share
      But there’s so many other fuckin’ robots out there
      And this is just a Punk Rock Song

      10 million dollars on a losing campaign
      20 million starving and writhing in pain
      Big strong people unwilling to give
      Small in vision and perspective
      One in five kids below the poverty line
      One population runnin’ out of time

      This is just a Punk Rock Song
      Written for the people who can see something’s wrong

      Like ants in a colony we do our share
      But there’s so many other fuckin’ insects out there
      And this is just a Punk Rock Song

      The figures don’t lie they speak of human disease
      But we do what we want and we think what we please
      One in five kids below the poverty line
      One population runnin’ out of time

      This is just a Punk Rock Song
      This is just a Punk Rock Song
      This is just a Punk Rock Song

      isto tem mais ou menos trinta anos de idade (está desatualizado). com a evolução do mundo, agora mesmo, são pouco menos de uma em cada três crianças abaixo da linha pobreza.

      1. Ó Rafael, a Punk Rock Song dos Bad Religion é, na sua essência, um manifesto sobre a apatia da sociedade moderna. A música critica violentamente a cegueira humana perante a miséria, a fome e a hipocrisia da realpolitik, lembrando-nos de que somos todos apenas uns insetos domesticados, a assobiar para o lado enquanto fazemos a nossa parte na engrenagem. É um grito de revolta contra o sistema financeiro e social que tu, num rasgo de génio, decidiste colar aqui para… criticar velhotas que veem televisão à tarde e o meu “inner pensamento” (seja lá o que isso for).

        Não, Rafael. Isto não é uma canção de Punk Rock. Isto é apenas uma crise existencial resolvida à chapada num teclado de computador. Mas não desistas. Os insetos malditos confiam em ti.

        1. “escrevo isto porque me parece que o próprio Carlos Sousa ainda não perdeu a totalidade do pensamento abstrato e consegue compreender que esta minha resposta é apenas uma resposta ao seu comentário anterior e não uma tentativa de negação de todo o “inner” pensamento do próprio…”

          repito isto que escrevi acima porque parece que o destinatário não entendeu bem esta parte, foi a correr penguntar à IA do guga sobre que trata a letra da tal canção e veio aqui transcrever a resposta obtida (bastante diferente à minha, mas ok…), aproveitando para tecer umas considerações negativas em relação à minha pessoa. comparando a outras respostas que tive recentemente noutros postes de outras pessoas, até apetece agradecer ao Carlos Sousa por não recorrer ao insulto fácil.
          mas se o Carlos Sousa pensa que eu critiquei velhotas que veem televisão à tarde… mais valia eu não ter escrito nada…
          é um grande problema deste blogue – a senhora da rubrica dos homens bonitos ainda não ter posto lá uma foto do Carlos Sousa… isso combinado com o facto de o próprio viver mais online do que offline, faz com que ele não interprete bem a realidade.

          1. Ó Rafael, que raio de fixação com a minha ausência na “rubrica dos homens bonitos”… Rafael, querido, já estamos em 2026. Não precisas de usar argumentação passivo-agressiva em blogues para saíres do armário. Se queres um póster meu em tamanho real para colares no teto do teu quarto e dares os bons-dias, é só pedires com jeitinho. Não tenhas vergonha, o amor é livre e eu sou muito mente aberta.

            Agora vai lá descansar essa cabeçinha antes que o pensamento abstrato te provoque um AVC. Os insetos mandam cumprimentos.

          2. mais uma vez obrigado pelas palavras simpáticas…
            pena que a ia do guga seja muito repetitiva, mas não se pode ter tudo, pelo menos quando vem de lá não traz erros ortográficos que envergonhariam alunos da 3ªclasse.

          3. parece que fui eu quem se começou a queixar do facto do Carlos Sousa não aparecer naquela rúbrica, mas ok, não é caso para etiquetar ninguém como manipulador…

  2. Proliferam as organizações solidárias (de fachada) que não sentem a dor do outro. Um particular que pretende doar roupas e outros artigos de senhora usados em muito bom estado e outros por estrear dado que pertenciam a uma doente acamada por longo tempo, já se dirigiu a uma dezena ou mais desses ninhos do bem que dizem existir para ajudar o próximo. As respostas são invariavelmente em carimbo matriz de duas faces, Não estamos a aceitar nem vamos ao domicilio recolher.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *