Frases de 2025 (25)


Pedro Correia,

 

«Eu sou a voz da revolta do povo português.»

André Ventura, anteontem, em entrevista (de 2 horas!) ao canal Now

27 comentários em “Frases de 2025 (25)”

    1. Sim, concordo que muitos votam em Ventura por estarem revoltados com o dito “sistema” e não porque são todos iletrados e/ou fascistas e racistas como muitos supostos intelectuais e sábios da praça o têm dito mais ou menos diretamente. Aliás quanto mais afirmam isso e atacam por essa via o Chega, mais votos lhe dão. Lá está são apenas supostos sábios intelectuais.

  1. É uma voz de revolta, que chegou, das Seychelles, dia 17, pelas 17 horas, depois, das 21, fez directa, a dar entrevistas, a televisões, rádios e influencers digitais. Na manhã, de segunda, as redes sociais estavam cheias de vídeos, de conversas, com o supremo líder.
    Foi, ao Fundão, com 300 carros (as ruas estão apinhadas de BMW, Audi, Mercedes, Tesla e 1 Lamborghini branco, porque não há espaço, para estacionarem), para entregar uma palete, de garrafas de água e umas caixas de bolachas. Com 400 jornalistas e uma multidão, de “criadores de conteúdos”, a atafulhar, o quartel, a saída das ambulâncias, gerava “revolta”, na multidão… “Precisam fazer tanto barulho? Não dá para ouvir o André.” (comentário de uma “criadora de conteúdo”, captado pela câmara da SIC).
    Afinal é desta revolta, a que, o supremo líder, se refere.

  2. O homem não é a voz da revolta do povo: é a flatulência sonora do ressentimento. É o equivalente político de ouvir alguém mastigar doritos de boca aberta durante dez horas seguidas.

  3. Ao voto de protesto segue-se o “voto queimado”, o tipo aproveita todas as desgraças e infelicidades para dar voz às revoltas do povo, aproveitando os generosos tempos de antena que lhe são concedidos por solidários beneméritos que querem que ele chegue a… grandes audiências.
    É certo que os esquecidos das áreas rurais e os emigrantes que voltam às áreas rurais durante as férias, aproveitando para exibirem aos tais conterrâneos mais esquecidos os sinais exteriores de afluência, pois esses já são dos que votam em grande número na Voz da Revolta do Povo. Aliás, os emigrantes quando acontece votarem na pátria que lhes dá o sustento e os luxos, votam tendencialmente em quem tenha como prioridade impedir que outros emigrem para lá. Coisas da vida.

    Portanto, a Voz da Revolta não angariará talvez muitos, muitos, novos votantes. Mas decerto fixará bastantes daqueles que pensaram deixar de votar numa agremiação que promete “Limpar Portugal”, para isso contando com ladrões de aeroporto, pedófilos avarentos, espancadores de árbitros júniores, perjuros, burlões, esposas enganadas violentas… E sem mesmo conseguir os mínimos de atinar nuns estatutos ou fazer umas eleições internas limpas.

    Os partidos do “arco da governação” colherão o que semearam. E tantos de nós com eles.

  4. Ah, ganda Ventura! Bora lá, fazer outro 25 de Abril!

    Pergunta “para queijinho”: Como é que esta criatura, completamente artificial e exímia na arte do “bluff”, ainda tem seguidores?

    1. Eu perguntaria coisa diferente: o que levou Ventura e o Chega a alcançar a dimensão que hoje – e presumivelmente no futuro – têm? Onde falhou o Sistema (assim, sem aspas e com inicial maiúscula)? Pior: onde falhou e recusa aceitar que falhou, e que urge corrigir o rumo.
      É tão fácil reduzir o outro à idiotice mais elementar (sendo muito benigno nas palavras). O “outro”, todavia, não é – que maçada isso é, bem sei – e muito que isso nos custe, um imbecil sem redenção.
      Esse, talvez, tudo visto, o sejamos nós.

      1. Depois de José Sócrates/Teixeira dos Santos terem levado o país à bancarrota, o que obrigou ao pedido urgente de ajuda financeira externa, Passos Coelho/Paulo Portas governaram durante quatro anos. Não parecendo satisfeitos com as inevitáveis medidas restrictivas e de contenção orçamental exigidas pela Troika, como condição para se efectivarem as várias tranches do respectivo empréstimo financeiro, Passos Coelho/Paulo Portas e Vítor Gaspar/Maria Luís Albuquerque, numa atitude que se pode considerar como “mais papista do que o Papa”, teimaram em ir além desses constrangimentos, deixando a maior parte do país a “pão e água”, obrigando muitos a emigrar, em particular jovens com formação académica superior…

        Pelo caminho, ainda tivemos oito anos de governação desastrosa por António Costa que, aparentemente, terá uma certa tendência para se relacionar com pessoas que acabam na condição de arguidos, entre outros: José Sócrates, principal arguido na “Operação Marquês”, 1º Ministro de um Governo, onde António Costa foi Ministro de Estado e da Administração Interna; João Galamba, Nuno Lacerda Machado e Vítor Escária, todos arguidos na “Operação Influencer”; Miguel Alves, arguido na “Operação Teia” e Carla Alves, com contas e património arrestados, foram escolhidos por António Costa para cargos importantes no Governo e na TAP…

        Em resumo, durante muitos anos, tivemos Governantes medíocres, teimosos e arrogantes, que não souberam acautelar os interesses dos seus concidadãos. Mas o dito Povo Português também não estará isento de culpa:

        O Povo Português é tão brando, mas tão brando, que nunca, efectivamente, exigiu o cumprimento dos Programas Eleitorais formulados pelos Partidos Políticos que formaram Governo, nem a observação de condutas, verdadeiramente, éticas e transparentes. Em vez disso, que seria o mais avisado, prefere agora embarcar no discurso pífio de uma agremiação de criaturas que manifestam o desejo indisfarçável de verem suspensa ou abolida a Constituição da República Portuguesa e a pretensão de consumar um nacionalismo autoritário, dominado pela arbitrariedade, se lhes forem concedidos determinados Poderes.

        Entre este Povo, os Governantes dos últimos anos e a dita agremiação de criaturas, venha o Diabo e escolha… Enfim, por tudo o anterior, parece que estamos presos num atoleiro…

        Mas o atoleiro será ainda mais profundo e nauseabundo se uma parte significativa do Povo Português cair na tentação de continuar a confiar o seu voto à dita agremiação.

        1. Não esquecer o Vieira da maior agremiação de Portugal.
          Quanto ao medo que quer instilar, só lhe digo, vota tiririca pior não fica.

          1. Quanto a Vieira quem tem que se preocupar, e muito, serão, com certeza, os elementos que fazem parte da agremiação que refere.

            Quanto ao resto, se essa é a sua melhor resposta, estamos conversados.

        2. O povo português, satisfaz-se com a pornografia suave – até ver – que lhe é generosamente servida, em sinal aberto, a cada serão de “reality shows”. Delicia-se com as horas de “antevisão”, “incidências” ou “análise”, de rara sofisticação intelectual, que um simples minuto de um jogo de futebol, ou a “venda” de um jogador, suscita (e afundado em créditos pessoais, ou armadilhas afins, agarrado ao apartamento medíocre em subúrbio deprimente, discorre doutamente sobre milhões e milhões de euros a pretexto de um qualquer tipo dotado para a prática do pontapé, ou cabeçada, na bola). Se mais velho – “idoso”, chamam-lhe, em país de “esposas” e “esposos”; daquelas, sobretudo – já nem espera, se alguma vez esperou, sair da sua mediocridade que nem áurea é, e vive inteiramente o terror, massivamente berrado, de que “a direita”, lhe saque a reforma miserável ou acabe com o SNS (actividades a que a esquerda se dedica meticulosamente, entre a ideologia fanatizada e a rapina fiscal que decorre daquela; mas a culpa, claro, daqui a cem anos, será ainda e sempre do Passos Coelho).
          Restam as ilusões onanísticas em torno da desmesurada fortuna do jogador da bola, da sua curvilínea namorada e, por estes dias, do anel de noivado.
          Entretanto as cabeças bem-pensantes rasgam incontida a sonoramente as vestes a pretexto de certo populismo dito de extrema-direita. Mas convivem pacíficamente – assim o parece exigir a democracia – com quem nunca renegou os gigantescos crimes do comunismo. Ou seja, posso exibir-me louvando Estaline, exibindo o rosto de Guevara, cantando a Revolução Cultural, exultando até Pol Pot se para aí me der. E exigir pública protecção, prontamente concedida, para tais liturgias.
          Iremos longe, sem dúvida.

          1. Tenho uma aversão extrema a todo e qualquer género de ditadura e não embarco em nenhuma das “liturgias” aludidas por si.

            Do meu ponto de vista, o Chega enquadra-se num espectro partidário que defende aquilo que costumo designar por “Ditadura do Bem”. E porquê? Porque, na verdade, pretende o exercício da tirania, mas “à sombra das Leis e com as cores da justiça” (Montesquieu), tendo como derradeiro desígnio a tentativa de “suavização” de algumas formas de autoritarismo, autocracia e discricionariedade. A esse respeito, direi que não há forma mais perversa e cobarde de exercer a tirania do que aquela que se acoberta na Lei e que se esconde atrás dos mais variados expedientes legais. A tirania exercida dessa forma nunca chega a ser assumida, costuma ficar cobardemente encoberta pela invocação da Lei, permitindo o exercício de um Poder autocrático, prepotente e arbitrário, alegadamente sem quaisquer vícios de ilegalidades ou irregularidades. De resto, o desejo indisfarçável de terraplanar a actual Constituição da República Portuguesa, tantas vezes expresso pelo Chega, demonstra exactamente o anterior.

            Mas aí existe um problema incontornável: Não há “Ditaduras do Bem”. Ou há ou não há Ditaduras. E sob esse ponto de vista, o Chega não presta (nem nunca prestará) porque terá como objectivo primordial a instauração de uma “Ditadura do Bem”.

            Creio que o Povo Português apresenta uma certa tendência para obedecer acriticamente, sem questionar, sem objectar, sem contestar ou reclamar. Não se faz ouvir, sobretudo quando discorda, aceita como natural a própria anulação e a vitimização silenciosa, ficando, assim, obrigado a conviver com o desgaste, a asfixia e o definhamento decorrentes da auto-comiseração. A acomodação ao ritual e o conformismo, como mecanismos de defesa, até podem ser uma manifestação do instinto de sobrevivência, mas não há coragem nisso.

            O Povo Português parece viver dias consecutivos sem intenções conscientes, ligado a uma espécie de “piloto automático”, “adormecido”, guiado por automatismos comportamentais… No fundo é como “estar preso” e auto-sabotar-se, sem se dar conta disso. No geral, o Povo Português age pouco e quase sempre sem efeitos práticos, “comendo aquilo que lhe puserem no prato”…

            Dessa forma, muito dificilmente conseguirá “fazer a descoberta do que presta e não presta nesta vida” (Miguel Torga)… Decorrente disso, o mais certo é que o “populismo dito de extrema-direita” continue a granjear votos…

            1. Do povo português, vejo que temos avaliações muito próximas. Não tenho qualquer gosto em tê-lo em tão baixa conta, ao povo, mas as coisas são o que são. Mas não significa isso que tome os votantes no Chega como mentecaptos sem salvação, se não mesmo criminosos de facto, e que só se safam porque a coisa não está (ainda) tipificada na legislação penal.
              A “ditadura do bem”, que diz ser objectivo do Chega, já existe, como objectivo confesso de outras agremiações políticas. Tem por exemplo a designação de “ditadura do proletariado” e há quem a continue a propugnar, essa e outras ditaduras mais ou menos confessas do bem à esquerda, contando para tanto com a protecção do sistema que visam destruir. E não suscitam uma fracção da indignada comoção gerada por Ventura.
              Mas enfim, temos um texto constitucional que interdita as organizações fascistas (e aponta o rumo ao socialismo, seja isso o que for), mas continua a curvar-se perante o direito a difundir a tão má, ou pior, tirania comunista. Em todo o caso pretender ser o Chega um partido fascista – como por aí se ouve e lê – só demonstra uma incultura política e da história das ideias (ou uma desonestidade intelectual extrema) que, cá está, só vinga por ser administrada a um povo que é o que é. E não é preciso ser votante no Chega para pensar assim, creia. Basta ser-se honesto.
              Sim, é bem possível que o populismo dito de extrema direita continue a granjear votos. Zebra escreveu, uns comentários acima, que “os partidos do ‘arco da governação’ colherão o que semearam. E tantos de nós com eles”.
              Os partidos do arco da governação recusam-se a admitir os erros continuados da sua actuação – tantas vezes no limite da legalidade ou mesmo ultrapassando-o, e as consequências que desses erros finalmente começam a ser evidentes, e insistem em procurar resultados diferentes mantendo essas mesmas acções (é uma fórmula, essa, que define o que sabemos).
              Depois queixem-se e continuem a desconsiderar sonora e liminarmente quem os não siga e neles não vote (se votar à direita, claro, porque se à esquerda desse “arco”, tratar-se-á evidentemente da democracia a funcionar e da inatacável escolha do Soberano).
              E nós com eles.

            2. “Os partidos do arco da governação recusam-se a admitir os erros continuados da sua actuação…”

              Neste ponto concordo com o Carlos. E acrescento: Enquanto continuarem obstinada e pateticamente orgulhosos, sem conseguirem reconhecer que, afinal, o “rei vai nu”, muito dificilmente conseguirão capitalizar a confiança e conquistar o crédito do dito Povo Português. Mas aí voltamos, novamente, à inércia desse Povo, que também não tem sido capaz de demonstrar aos Partidos do “arco da governação” o seu desagrado e a sua indignação. Em vez disso, prefere e envereda pelo mais fácil: votar numa agremiação de indivíduos que, no limite, bem poderá limitar a Liberdade desse Povo. Enfim, “quem não luta pelo futuro que quer, tem que aceitar o futuro que vier”… Em resumo, estamos tramados.

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