«Lisboa está de luto.»
Carlos Moedas, ontem, na primeira reacção ao descarrilamento do elevador da Glória, que provocou 16 vítimas mortais e 21 feridos, nove dos quais com gravidade
«Lisboa está de luto.»
Carlos Moedas, ontem, na primeira reacção ao descarrilamento do elevador da Glória, que provocou 16 vítimas mortais e 21 feridos, nove dos quais com gravidade
Lisboa está de luto”, diz Moedas, mas a verdade é que Lisboa já foi assassinada há muito tempo.
Lisboa morreu quando os lisboetas foram despejados a pontapé para dar lugar ao hostel boutique com rooftop.
Morreu quando uma renda passou a ser um bilhete só de ida para Vila Franca.
Morreu quando a calçada se transformou num parque temático para influencers em vestido de linho e morreu quando a sardinha passou de comida de bairro a souvenir gourmet a 12 euros.
O descarrilamento da Glória é só a versão física do que já aconteceu metaforicamente: toda esta gente esmagada debaixo de um “progresso” que é só fachada turística em ruína.
A cidade chama-se Lisboa mas podia chamar-se Airbnbgrad.
E Moedas, no seu registo de coveiro simpático, limita-se a repetir a mesma frase solene, “Lisboa está de luto”: não, presidente. Lisboa já é cinza. Já apodreceu. Já colapsou.
Estou quase tentada a concordar com o seu
comentário.
Infelizmente, tenho que concordar com o Carlos Sousa, no que se refere à triste realidade da cidade de Lisboa…
Mas, e independentemente do(s) motivo(s), que ainda estarão por apurar, o que se passou ontem foi uma tragédia, muito difícil de digerir. Vêm-me à memória estes versos de Alexandre O’ Neill:
“Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
No desenho que fizesse
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa
Esmorece e cai no mar”
Lisboa não é diferente de qualquer outra grande cidade europeia. É consequência da democratização do turismo para aqueles a quem, antigamente, só tinham direito a trabalhar de sol a sol e agora, graças ao progresso que uns desprezam, podem ver o mundo e experimentar o que apenas os burgueses e nobres podiam nos “Grand Tour” da juventude. Em relação a Lisboa ter-se mudado para “Vila Franca”, nasci e vive boa parte da minha infancia num tradicional bairro Lisboeta.
Morava com os meus pais num belissimo apartamento T1, uma cave com 40m2 (e não era assim tão pequeno…) bafiento e praticamente sem janelas, semelhante a milhares deles que deram lugar a airbnb por não serem adequados a familias. Não fomos despejados, saimos de boa vontade, aos milhares. Em 1980 eramos 800 mil, em 2000, pouco mais de 500 mil, com as maiores perdas de população a ocorrerem nas exatamente nas freguesias do centro historico.
Antes do evento do alojamento local e turismos, Lisboa era uma cidade em decadencia, semi-deserta e em praticamente em ruinas, onde excepto só os previligiados, onde se deve incluir o carlos, viviam bem, ao lado dos mais pobres dos pobres que não tinham outra alternativa. A esses pobres que restaram, provavelmente o boom do turismo foi a mellhor coisa que lhes podia ter acontecido, com as receitas do turismo na cidade a passarem de pouco mais de 3 mil milhores no inicio dos anos 2000 para cerca de 20m milhões atualmente. Mas para alguns, como o Carlos, ainda preferem a nostalgia do que era, porque para eles é que era bom, e a pobreza “dos outros é refresco”.
Concordei lá mais acima com o Carlos Sousa e agora também sou forçada a concordar com o antonio sergio, cujo ponto de vista me parece igualmente válido.
Resumindo, o problema é quase sempre o mesmo: A falta de equilíbrio e os exageros que se vão cometendo num e noutro sentido e que acabam por destruir a identidade de uma cidade. Sem planificação e sem antecipação de consequências.
Identidade da cidade? Esqueça. Neste ritmo, daqui a dez anos as ruas antigas vão cheirar todas ao mesmo: humidade, kebab e tinta fresca de “hostel boutique” com murais de grafite a dizer “Lisboa é amor”, patrocinados por uma empresa de inteligência artificial.
Pois, o Carlos é que é o vilão por ter saudades de Lisboa sem ter de disputar o passeio com tuk-tuks e mochilas de 17 kg. Que crime hediondo: nostalgia.
Já tu alinhas pela tese de que tudo está melhor porque agora até o mendigo pode vender ginjinhas em copinhos de plástico fabricados na China.
Essa decadência foi também consequência do congelamento de rendas que já vinha da primeira republica! Empurrar os problemas com a barriga, mais tarde ou mais cedo, tem este resultado, hoje é os turistas, noutro dia são fogos, amanhã são as empresas públicas descapitalizadas de meios humanos e de dinheiro, ontem as urgências…
Não! é consequência de para se pouparem uns trocos se descura da sua manutenção.

Trocos esses, aliás, necessários para se meterem num qualquer clube de futebol.
Não comento mais. Sou enfermeira há mais de dez anos e nunca me vi tão assoberbada de trabalho como desde ontem ao fim do dia.
Um feliz dia para todos.
Antonio Sergio, é bom ler um comentário de alguém que conhece o assunto sobre o qual comenta, o que vai sendo cada vez mais raro por aqui. Obrigado por isso.
Eu comprei uma casinha de bonecas em Alfama quando me casei. Vivi lá durante 15 anos e vi em primeira mão a transformação do bairro. Num dos prédios lindos que agora funciona como alojamento local, vivia, no segundo e último andar, uma senhora que tinha a sanita a um canto da cozinha. E apesar de ter vista para o rio de todas as janelas, não tinha baldes suficientes para apanhar a água quando chovia. Pagava menos de 50 euros por mês. O prédio era um cancro e o malvado do senhorio não fazia obras.
O primeiro andar estava vazio. O rés de chão tinha um albergue de angolanos e nunca consegui perceber exactamente quantas pessoas dormiam naqueles 50m2.
Prédios devolutos eram às pazadas. Noutros só as lojas eram ocupadas. Pergunto-me onde estavam as pessoas que agora querem tanto ir viver para lá, depois dos outros terem feito todo o trabalho e todo o investimento.
Era tão típica essa Lisboa, com os prédios em ruínas, a pobreza a espreitar de cada esquina, e as praças a funcionar como parques de estacionamento! Que saudades! 🙄
Sim, tem razão. Que bom que seria ter uns bobos a gastar a massa na recuperação dos prédios e agora ver a malta a ir para lá gozar a vida. Na prática, uns pagavam e os outros desfrutavam de preferência “jovens” e “ativistas” como os pândegos que seguem na famosa flotilha. E, melhor ainda porque esses malandros que ousaram recuperar prédios e que depois se viam entalados pelo Estado, pertencem aos tipos do “grande capital”, uma espécie de 2 em 1.
Com esta mentalidade comuno-socialista de há 50 anos vamos longe, ai vamos, vamos.
Acho que pode estar a confundir a revitalização da cidade e a recuperação dos edifícios em si com o tipo de revitalização. Se a única solução para revitalizar o centro da cidade é lojas de kebabs e de sanduíches requentadas com a porta emoldurada por fotografias manhosas ou então tropeçar em esplanadinhas em cima dos passeios… enquanto se entrega a cidade à mais bárbara especulação económica que já criou um milhão de pobres mesmo que tenha criado 500.000 ricos da noite para o dia…. quer dizer… não dá para fazer melhor do que isto?
Por que razão é que temos de fazer sempre tudo pelo lado pior para a maioria das pessoas?
Dar dava, mas não se esqueça de que tivemos anos e anos de políticas onde as fichas foram todas postas no turismo e que, aparentemente a maioria das pessoas (incluindo os próprios lisboetas), validou já que até uma maioria absoluta deram a quem o estava a fazer. Ora com o turismo a rebentar pelas costuras as tais esplanadinhas proliferaram que nem cogumelos e, como é óbvio vieram muitos imigrantes para trabalhar nesse ramo incluído da zona do indostão, onde os tais kebabs fazem furor. Mas isso não explica tudo, pois em paralelo com a tal aposta no turismo, ocorreu um relaxamento sem precedentes nas políticas de controlo da imigração a que se juntou a extinção do próprio SEF, que permitiram a entrada de ainda mais gente dessa, e de outras regiões. Ora o que fez o povo (e também os lisboetas) quando isso já mais do que era evidente? Deu uma maioria absoluta aos promotores se tais políticas, ou seja, validou e escolheu esses caminhos. Depois a entrada de muita gente disposta a receber ordenados baixos, até porque a larga maioria dos trabalhos na tal área onde se apostou em peso não necessitam de qualificações, fez com que os ordenados se mantivessem baixos levando a um êxodo de muitos jovens portugueses à procura de melhores remunerações noutras áreas geográficas e, não menos relevante, fez disparar os preços das casas pois a realidade é que 20 indivíduos do indostão não se importam de pagar 100 euros por uma cama partilhada num quarto partilhado, num qualquer T2, enquanto que pouquíssimas famílias portuguesas podem pagar os 2000 euros de renda, pelo que a alternativa é ir viver para londe de Lisboa. E, isto já para não falar do colapso dos serviços públicos também em parte pela brutal avalanche de imigrantes em meia dúzia de anos numa total desordem. Mas, mais uma vez só não viu isto quem não quis ver e, a verdade é que quando isto já era notório lá está, deram uma maioria absoluta a quem o promoveu, portanto, do que é que se queixam mesmo!? Do que é que agora tanto se queixam se deram uma maioria absoluta a quem fez tudo isto? Não viram que caminhavam para o descalabro? Azar, agora habituem-se como disse em tempos o grande obreiro de tudo isto. Habituem-se às esplanadinhas e aos kebabs e outras lojas que, como que por milagre, conseguem pagar as contas sem venderem nada de jeito e também é bom que se habituem a casas onde são passadas centenas de autorizações de residência só num ano. Não queriam tanto estas políticas do tão querido Péiêsse!? Não adoravam tanto o Costa!? Só não me riu a bandeiras despregadas porque, graças a vocês também eu fiquei entalado nisto tudo. De quem votou nisto a minha pena é igual a -oo.
e outras lojas que, como que por milagre, conseguem pagar as contas sem venderem nada
Não é por milagre. As rendas são pagas por inúmeras fundações islâmicas —uma delas é a do Aga Khan— cuja intenção é mudar o gene pool da Europa e da América e conquistar o mundo. Esse desígnio está nas primeiras páginas do Corão. Tal como o comunismo quis fazer no século passado. E quem não vê como os movimentos islâmicos e as falsas causas raciais ligadas ao islamismo se tornaram na linguagem operativa dos novos comunistas, não percebe nada do mundo onde vive.
O “como que por milagre” era ironia já que é evidente que, algo ou alguém paga as contas. Não sei se é o Aga Khan ou uma qualquer outra organização do género mas que existem aqui práticas muito suspeitas envolvendo criminalidade como lavagem de dinheiro, tráfico humano e organizações de crime organizado disso tenho poucas dúvidas. Mas lá está o povo escolheu isto, pois votou em quem promoveu isto. Agora habitue-se!
Gostei da piada da Airbnbgrad.
E tenho de concordar com tudo.
Portugal deve escolher uma nova Capital.
Pensamentos e orações, como dizem os gringos
É verdade o que diz, mas a realidade é que se hoje o comércio são lojas de cortiça e latas de sardinha desenhadas, antes era lojas fechadas. Lisboa faleceu há muito, ressuscitou foi em modo walking dead
“Antes eram lojas fechadas”? Quer que lhe dê a lista dos restaurantes, cafés e lojas que fecharam entre a Praça de Espanha e o Terreiro do Paço para abrir trampas em que nenhum português entra (aliás, em várias não entra absolutamente ninguém, pois não é para isso que elas lá estão). Só da minha janela, vejo umas dez.
Estão lá para quê?
A sério que ainda há alguém que não sabe para o que servem as mercearias, barbearias e lojas de souvenirs “indostânicas”? Acha que é a vender imanes e Nossas Senhoras que a loja que abriu no lugar da “Lourenço e Santos” paga a renda?
Pois… Pizza Connections,French Connections
Aprendem depressa , e todos a olhar 👀 para o lado
porque não se pode melindrar essas criaturas senão
temos que enfrentar as acusações de r@cismo .
As barbearias fazem muita falta , principalmente agora
que andam todos com um horrível aspecto à imagem dos
invasores.
Anda tudo a descarrilar.
O país precisava de melhor atenção e manutenção.
Que obsessão jornalística é esta de andar a ver o que os jornais estrangeiros escreveram e postaram sobre o assunto? Deve ser aquele velho complexozinho de inferioridade de ir ver se os ingleses estão a dizer bem de nós (porque os franceses já sabemos que dizem mal), ah e já agora, já provaram um pastel de nata? É bem pior do que os traumas que o Prof. Marcelo exibe aos estrangeiros quando vai lá fora.
Que gente.
Daquela também triste vez, 1963, o problema não foi com os carris ou coisa equivalha, foi a cobertura da estação de Cais do Sodré que ruiu, provocando dezenas de mortos e feridos.
Como se diz na tropa, onde está o homem , esta o perigo, e por mais que se faça as coisas acontecem, só voltando à idade da pedra é que não.
28 de Maio de 1963, 49 mortos e 69 feridos: l/o-dia-mais-negro-da-linha-de-cascais-1 86775 as/o-patio-das-antigas-tragedia-no-cais-d o-sodre-013121
https://www.publico.pt/2004/04/11/jorna
https://www.timeout.pt/lisboa/pt/notici
Outra tragédia que perdurou na memória colectiva dos lisboetas ocorreu a 31 de Março de 1952 na encosta da Gibalta enquanto circulava um comboio, com 10 mortos e 38 feridos: 9dia_da_Gibalta
https://pt.wikipedia.org/wiki/Trag%C3%A
Mas ai os mortos eram todos portugueses, agora os mortos sao maioritariamente estrangeiros
O que tem isso a ver? Há seres humanos de primeira e de segunda?
É o chamado acidente posto.
Começo a pensar que foi mais um ataque islâmico. Há um video que passou na SIC com um troglo que não para de dizer Allah u ukbar. O propósito é obviamente o de vindicar a terra como terra muçulmana. É assim que o Islão conquista e avança. Com equívocos. Como chamar “palestinianos” a Árabes egípcios e a toda aquela tropa fandanga que nunca foi (nem será) um povo.
Está a ironizar?
Não. Estou muito a sério. Por que outro motivo a SIC insiste em mostrar um video de um gajo a berrar allahu ukbar se não para fazer uma comparação pouco silenciosa com Gaza — sendo que Gaza representa a conquista muçulmana de terras cristãs (ou não muçulmanas), dado que a Palestina era o nome romano de Israel e não um país ou um povo.
Os muçulmanos são invasores naquela parte do globo, não nasceram ali. Tal como invadiram e colonizaram o Irão e o Egipto e mantêm uma frente agressiva de conquista em África e na Europa (quem é que achas que paga estas lojas todas em Lisboa onde ninguém entra para comprar nada a não ser quando falta a luz?)
Gaza é mesmo para destruir, porque o Islamismo tem de ser travado e devolvido ao buraco retrógrado e totalitário de onde veio. É como o comunismo. E como todo o pensamento único. Não são coisas compatíveis com a Democracia (que não inclui muçulmanos, porque, se são muçulmanos, então não são democratas)
Isto é como no Senhor dos Anéis, pá. Parece que é a brincar, mas é a sério.
O Público, excitado com o cheiro a sangue e a perspectiva de Leitão, avançou hoje com um dos grandes títulos da história: “Elevador da Glória: Carris reduziu vistorias de 24 horas, todos os dias, para inspecções de 30 minutos”. Muito bom.
Prematura, qualquer conclusão. Decorrem inquéritos.
Presumo que nenhum inquérito vai chegar à conclusão que de havia “inspecções de 24 horas todos os dias”. Se assim fosse, parece-me, o elevador não operaria, estaria em inspecção contínua.
Deve ter-se inspirado na excitação de Carlos Moedas quando pediu a demissão de Medina na sequência da divulgação dos nomes dos organizadores das manisfestações às embaixadas dos países visados.
Para um certo género de pessoas uma acção deliberada da Câmara Municipal de Lisboa, em violação da lei penal, e dos mais básicos princípios administrativos e constitucionais, pode ter uma equivalência com um um acidente eventualmente imputável a um prestador de serviços de uma empresa de transportes que o PS passou para a esfera municipal. É para evitar que esse género de pessoas volte à CML, que eu, achando Moedas uma perfeita nulidade, vou acabar por ter de votar nele.
“vou acabar por ter de votar nele”, se calhar vai ter de votar noutra nulidade da mesma laia.
E pessoas do seu género pelos vistos náo percebem o que é responsabilidade politica. Em termos práticos a do Moedas no acidente e a do Medina na divulgação dos dados é nula, em termos politicos não o será.
Quanto a ação deliberada, a falta de uma manutenção correta é o caminho para um “acidente deliberado”, e sem acusar quem quer que seja, as rotinas de manutenção estão indexadas ao tempo e à utilização e pelos vistos todas as informações publicadas denotam uma continuidade na manutenção que não ocorreu na utilização ao longo do tempo.
Mas só por curiosidade, o Moedas promoveu o funcionário que diretamente tinha responsabilidade na divulgação dos dados.
E já não falo na coerencia de Moedas, ele não sabe o que isso é.
Meu caro não se esqueça de que “o dinheiro é do Estado, é do PS”. Ora duma seita partidária onde se pensa isto, o que se pode esperar? O que esperar dum partido que se acha o dono do Estado e dos seus bens?
Estou consigo, o abuso desta gente foi de tal maneira gigantesco que até votaria no macaco Adriano caso fosse ele o opositor ao candidato socialista seja em que eleições for.
Pois, em 2021 não foi o macaco Adriano, foi o Carlos Moedas.
A alternativa seria o “bufo de Moscovo”, é bom não nos esquecermos disso.
O que eu acredito é que o país está a fechar para obras.
É prematuro, mas se os planos de manutenção foram cumpridos , o sensor comum diz-me que foi mal delineado.
O responsável máximo deveria ter pedido a demissão.
Eu teria pedido a demissão e para mim demissão não é admitir responsabilidade no acidente mas sim admitir que permito um erro que finalizou no acidente.
Moedas pedir a demissão devido a um trágico acontecimento cujas causas se desconhecem é algo sem o menor sentido.
Se fez bem ou mal, os eleitores julgarão. No dia 12.