A estratégia de José Sócrates para lidar com o caso Freeport tem sido a mesma que foi utilizada aquando do caso da sua licenciatura. Basicamente, quando se apercebeu que as notícias sobre o caso não se vergariam ao temor reverencial, José Sócrates procurou estancá-las, oferecendo bem mais do que a genérica refutação das mesmas, para de seguida poder ganhar espaço para considerar que qualquer desenvolvimento do caso não passa de uma cabala montada pelos seus adversários.
Esta estratégia de considerar ilegítimas quaisquer outras dúvidas sobre o caso, misturando-as numa teia de má-fé, eleitoralismo e teorias de conspiração, ficou bem patente na entrevista que ontem Pedro Silva Pereira deu a Mário Crespo.
Contrastando com a aparente disponibilidade de José Sócrates, o Ministro recusou-se a fazer outra coisa que não repetir, palavra por palavra, aquilo que fora já dito por Sócrates. Quando confrontado com novos factos, com novas perguntas e com novas alegações, Silva Pereira recusou-se a responder, com desdém não disfarçado, fazendo por confundir dúvidas legítimas com intrigas ou falsidades.
Ora, a partir do momento em que (desnecessariamente) José Sócrates se prestou a vir esclarecer telefonemas e entrevistas, não pode agora pretender que as dúvidas consequentes não tenham de ser, na mesma forma esclarecidas. Aliás, supunha-se que era para tais esclarecimentos que Silva Pereira ali estava e não, como veio a acontecer, para acusar o próprio jornalista de estar a fazer perguntas ilegítimas.
Valeu, desta vez, e ao contrário do que então aconteceu na RTP, a determinação de Mário Crespo, resistindo a um desdém inédito em Silva Pereira e insistindo nas perguntas a fazer, para demonstrar a estratégia do Governo. Veremos se essa insistência veio para ficar ou se, como no caso da licenciatura, se verga ao temor reverencial e à inexistência de alternativa sólida no PSD.

Ora, ora, daqui a dias já o caso Freeport deixará de estar na ordem do dia.
Hoje já pouco se fala do caso BPN, não se fala do escândalo do SIRESP e muito menos, por exemplo, das peripécias do alagamento do túnel do Metro no Terreiro do Paço.
Assim como ene (elevado a ene) casos de escandalosas derrapagens em toda a ordem de obras públicas caíram num buraco negro.
E não tarda nada que o caso da Casa Pia, que encheu os media bastas vezes e até à exaustão dê num ratinho dos pequenininhos.
Essa é uma outra boa questão. As constantes fugas de informação não podem senão, a longo prazo, semear o descrédito. Ou porque se fica com a ideia de que afinal era tudo mentira, ou porque se fica com a ideia de que a investigação foi pouco eficaz.
Infelizmente a bitola e o ritmo da nossa consciência é pautado pelos Media!
Por alguns media, que insistem em que tiremos as nossas conclusões através de conclusões suas. Mesmo existindo fugas, seria importante que as mesmas fossem reduzidas aos factos e não, como já acontece, a teorias muito elaboradas sobre o assunto: deixemos que sejam os leitores a ponderar e a concluir.
O meu caro Adolfo nunca pensou na possibilidade da teoria da vitimização?
Acontece que na minha óptica todo este caso (“agora”) do Freeport foi muito bem preparado e controlado pela máquina de propaganda de José Sócrates. A máquina sabe perfeitamente que nada será provado. Então, arrisca numa campanha de vitimização daquele que tinha o resultado das futuras eleições em perigo. A contestação ao seu Governo estava em marcha. O descontentamento e, em alguns casos, a revolta das populações parecia imparável. De um dia para o outro, tudo passou a segundo plano. Já saiu de cena o desemprego diário, a avaliação dos professores, o casamento gay, o BPN, o TGV e tantos assuntos que retiram votos. No seu lugar aí temos o Freeport em todo o seu esplendor propagandístico e mediático.
Apenas um pormenor para não me alongar. Não estranhou que um primeiro-ministro que continuamente vira a cara aos jornalistas e que se nega a responder a questões concretas constantemente, se tivesse apressado a vir a público falar, falar, falar, de… nada?
concordo consigo
Não compro, devo confessar, essa teoria. Depois da licenciatura, depois das casas da Guarda, o Freeport não é o que mais convém ao Primeiro-Ministro.
Adolfo, na mouche!!
Subscrevo inteiramente o seu post.
Mário Crespo não fez perguntas, fez insinuações. Pedro Silva Pereira esteve muito bem, não reagindo às provocações e às insinuações. Eu, teria-me levantado e teria aplicado um murro no meio dos cornos do serviçal do militante número 1 do PSD.
Começa a ser necessário agir assim!
Porra, até que enfim que alguem viu o mesmo que eu!!
Esse Crespo não consegue esconder, mais do que a sua militancia no PSD, o seu odio ao PS!!
Eh EH EH! O Crespo até já cofessou que vota PS!!!
(Confessou, obviamente)
“MC – O tio era, ou não, tio do Primeiro-Ministro?
PSP – O tio era… Está-me perguntar se o tio era, ou não, tio do Primeiro-Ministro?!
MC – Era ou não? Ou não? É?…
PSP – Ó Mário Crespo… Está-me a desiludir profundamente…
MC- Temos casos… Desculpe, desculpe…
PSP- Está-me a perguntar se o tio era tio, e se a prima era prima…
MC- Não, não… Não brinque com palavras comigo que eu não brinco com certeza.”
Mário Crespo, esse modelo do jornalismo português…
Caro senhor, 9/01/desafio-2.html
Não tiro uma virgula ao que diz, todavia gostaria que reflectisse no teor de um artigo que publiquei ontem num blog amigo, sob o título “a Vitimização”, que por ser algo extenso não cabe no propósito de um comentário, mas cujo link aqui deixo:
http://pauparatodaaobra.blogspot.com/200
Freeport: negada ida a Londres para investigar Sócrates
Estas estratégias dos jornais ainda me matam de riso 😉
Super actualizada;))-pois lamento mas as noticias freeport ao que parece só existem cá no burgo.: http://bit.ly/aEGOSm