Futebol no feminino


João André,

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Ontem assisti a um fantástico jogo de futebol entre a Alemanha e a França que acabou com a vitória alemã por 2-1 e subsequente qualificação para a final. Anteontem vi o jogo onde a Inglaterra (a jogar em casa como organizadora do torneio) esmagou a Suécia por 4-0. No domingo temos a final deste torneio Euro2022 que tem sido jogado com estádios cheios e recordes de audiência televisiva. A qualidade dos jogos tem sido bastante elevada, com jogos muito bem disputados e com bastante fluência e atacantes o suficiente, mas sempre sem descurar os aspectos tácticos. A Inglaterra tem excelentes hipóteses de vencer o torneio (a final vai ser em Wembley) graças à qualidade das suas jogadoras (e treinadora, que mudou a mentalidade) e ao factor casa. A Alemanha, no entanto, com a sua avançada talismã Alexandra Popp em excelente forma (marcou em todos os jogos e ontem marcou ambos os golos da vitória) e a sua excelente organização (o jogo de ontem foi o primeiro em que sofreu um golo) tem boas hipóteses. O jogo deve ser excitante.

Portugal deu boa conta de si, especialmente participando apenas deviso à exclusão da Rússia, com um empate contra a Suíça e uma derrota apertada contra as aindas campeãs em título dos Países Baixos. Depois as jogadoras portuguesas foram cilindradas pela Suécia, mas a participação não é má, considerando que o desenvolvimento do futebol feminino em Portugal ainda é fraco, espero que isso vá melhorando. Lembro-me de há um ou dois anos ter lido sobre o Estádio José de Alvalade ter enchido num jogo do Sporting (em que penso as jogadoras se sagraram campeãs) e que terá levado o Benfica a fazer o mesmo esta última época (não sei se encheu). Infelizmente o Benfica ainda manda as suas jogadoras jogar num dos campos do centro de treinos e penso que o Sporting (e outros clubes) faz o mesmo, à excepção, suponho, de um ou outro jogo de maior importância.

Fico feliz por isso, porque o futebol feminino tem vindo a melhorar imensamente e os espectáculos destas principais competições são bastante mais interessantes que os jogos das equipas masculinas. A Liga dos Campeões deu excelentes exemplos disso, com futebol moderno (o Barcelona jogou no mesmo estilo que reconheceríamos nas equipas de Guardiola), bem disputado e rivalidades a despontar. O Lyon continua a ser a força dominante (recuperou o título europeu este ano depois de o Barcelona o ter vencido no ano passado) graças ao investimento que tem feito na equipa feminina (que começou em coisas tão banais como ter equipamentos feitos para mulheres, em vez de lhes darem camisolas de homens mais pequenas). O PSG, O Barcelona, as equipas alemãs e inglesas, todos estes clubes estão a aumentar o apoio ao futebol feminino e os resultados são extremamente óbvios. O futebol é excelente, o espectáculo também, há poucas faltas e quase nada de quezílias, jogo violento ou queimas de tempo. Quem quer bom espectáculo (pelo menos nos níveis mais elevados – não conhecço as ligas em si) fica melhor servido com o futebol feminino que com o masculino.

Para este Europeu, a final pode ser vista em Portugal na RTP2 às 5 da tarde de domingo. Aconselho que o possa a ver o jogo. Do lado inglês haverá uma semi-portuguesa, na lateral direita Lucy Bronze, que tem pai português (e é das melhores jogadoras do mundo). Há também outras excelentes jogadoras de parte a parte: Beth Meade, Fran Kirby, Georgia Stanway, Alexandra Popp, Lena Oberdorf, Lina Magull. Para trás ficaram algumas outras que gosto de ver, como Wendy Renard, Delphine Cascarino (francesas), Aitana Bonmatí (espanhola), Magdalena Eriksson, Kosovare Asllani (suecas), Vivianne Miedema, Lieke Martens (neerlandesas), Pernille Harder (dinamarquesa) ou Ada Hegerberg (norueguesa). A estas dever-se-iam somar ainda a minha preferida, Amandine Henry (francesa e afastada devido a conflitos com a seleccionadora) ou Alexia Putellas (espanhola, uma espécie de Xavi e Iniesta numa só jogadora e afastada por lesão). Outras jogadoras têm-se também mostrado (como seria de esperar) e valerão a pena ver no futuro.

Não me alongo mais. Deixo apenas a recomendação: se gostam de bom futebol, vejam a final e, no futuro, vejam mais jogos femininos. A Liga dos Campeões estará disponível a partir da fase de grupos (em directo) no Canal de YouTube da DAZN.

13 comentários em “Futebol no feminino”

  1. o espectáculo também, há poucas faltas e quase nada de quezílias, jogo violento ou queimas de tempo

    Exatamente. Embora agora já não seja tão bom, aquilo que me atraiu para o futebol feminino foi a quase ausência de faltas, especialmente faltas duras. (Agora as coisas estão a ficar piores, já se vêem algumas faltas durinhas, que há uma dezena de anos eram impensáveis.) E sim, também não há quezílias, jogadoras a resmungarem com o árbitro, e todas aquelas coisas que fazem com que, num jogo masculino, muitas vezes só metade do tempo se esteja de facto a jogar.

    1. Boa parte desse aumento terá que ver com o aumento da qualidade. A velocidade é condição física aumentam e isso aumenta a velocidade o que dá também para mais faltas e algumas delas mais duras.
      Suponho que haverá no futuro mais quezílias à medida que o dinheiro envolvido aumente (esperemos que aumente, elas merecem), mas acredito que nunca irá ao ponto do futebol masculino. Elas não são nenhumas meninas

  2. Até dá gosto ver …. e é pena elas não terem o hábito dos homens de tirar a camisola a festejar o golo.

      1. João André, então o sentido de humor?
        Não percebeu a laracha, que por sinal até não é permitido pelo arbitro e dar direto a cartão amarelo. O/a jogador/a em campo tem de estar sempre identificável pelo número da camisola.

  3. o desenvolvimento do futebol feminino em Portugal ainda é fraco, espero que isso vá melhorando

    Já melhorou muitíssimo. Lembro-me de ver jogos de futebol feminino português há uma dezena de anos, havia muitos passes falhados e perdas de bola que atualmente são já raros. Recordo-me também que algumas das jogadoras da seleção portuguesa tinham perto de 40 anos de idade (ou mesmo mais, creio), coisa que atualmente é impensável – atualmente o desporto já é tão competitivo que só é jogado por mulheres com menos de 35, aliás a maioria até com menos de 28.

    1. Disso não tenho dúvida. Havia algumas jogadoras jovens na selecção portuguesa que eram bem promissoras. Há medida que mais atenção é dada ao desporto, a qualidade vai aumentando. E ainda bem que assim é. Há ainda no entanto muito caminho a percorrer e nem só em Portugal.

  4. Dizem-me que fazem poucas fitinhas de faltas e aleijões, o que é bom exemplo para os cretinos machões que levam uma cotovelada no peito e se agarram ao nariz.

    1. Muitos desses cretinos fazem-no também para descansar. Talvez o devessem fazer menos, mas nem sempre é pela fita.
      Mas sim, da prazer ver um jogo com menos fitas (se algumas sequer existem).

      Mas havia de se fiar menos pelo que lhe dizem e ver com os seus próprios olhos. Veja os jogos que vai bem servido. À confiança.

  5. Obrigada por este postal, João André. Subscrevo. A qualidade do futebol feminino avança a passos largos. E, para a final, em Wembley, está prevista casa cheia, ou seja, 90.000 pessoas! Impensável, há meia dúzia de anos.

    Uma grande abraço da Alemanha.

    (Eu devia estar pela Alemanha, mas tenho um fraco pela Inglaterra, talvez o país que, em todo o mundo, melhor sabe preservar a acarinhar a sua herança histórica)

    1. Curiosamente eu tenho um fraco pela Alemanha, mas penso que Inglaterra vai vencer. Tem melhor qualidade geral de jogadoras (Beth Mead é um espanto) mas vamos a ver.
      E eu vou estando muito pela Alemanha. É onde trabalho (apesar de viver na Holanda)
      Por isso, na segunda feira, já poderei ver reacções quando for ao escritório.

  6. Bom dia, gostei também do Inglaterra vs Espanha. Duas notas a juntar às suas, o tempo útil de jogo e o número reduzido de faltas, é uma lição de desportivismo aos rapazes. Além disto, acatam bem as decisões arbitrais. Gostei deste europeu e recomendo.

  7. acabei de ler outro post, onde dizia que medidas o pais carece, enfim lenga-lenga, mas infindável. E cansei.
    Atrevi-me a ler este post, mas é mesmo só sobre a coisa (futebol feminino) e já a achar que nao conseguia ler mais, mas li até ao final.

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