Gal Costa “in excelsis”


Pedro Correia,

 

Em tarde outonal, recebo com mágoa a inesperada notícia de que a voz de Gal Costa se calou para sempre. Ela foi a doce e calorosa intérprete de algumas das canções da minha vida. Com um timbre único. De uma sensualidade transbordante. Em discos que nunca me cansarei de ouvir: Fa-tal – Gal a Todo o Vapor, Índia, Cantar, Doces Bárbaros… 

Associada a canções inscritas no meu património afectivo: Índia, Volta, Que Pena, Pontos de Luz, Meu Nome é Gal, Vatapá, Atiraste uma Pedra, Balancê, Força Estranha, Modinha Para Gabriela, Chuva de Prata, Só Louco. Com as sílabas arrastadas, a afinação exemplar, aqueles agudos que tocavam o tecto, tornando-a inconfundível.

Romperam o tecto e chegaram ao céu. Ao Olimpo da Música onde a partir de hoje ela mora. Cantará só para os anjos, não mais para os pecadores como qualquer de nós.

4 comentários em “Gal Costa “in excelsis””

  1. Vai ser hoje, não.
    Primeiro vem Meu nome é Gal, com aquele vestido preto, justo ao corpo, a seguir Índia.
    Agora é que vai ser, não nem agora.
    Qual será a razão de nem uma única palavra sobre os bolsonistas, que até entrava como protesto da Gal Costa contra censura da Índia pela ditadura militar.

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