Gente como esta


Leonor Barros,

O Magalhães continua a dar que falar. Desta vez descobriu-se, pergunto-me porquê só agora, que as instruções dos jogos têm erros de ortografia e de sintaxe sem qualificação possível. A tradução foi feita por um emigrante português, desde os dez anos em França, com a quarta classe, e que adianta não ter havido ninguém para fazer a revisão daquele português. O Ministério da Educação também não esteve disponível.

A Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, DGIDC para os amigos, responsável pela análise do software do dito computador, admitiu que não conseguir verificar todos os conteúdos, o que nos deixa a todos nós, pais, educadores e professores muito mais tranquilos. Diz Teresa Evaristo, subdirectora da DGIDC, que verificaram a adequação à faixa etária, interesse educativo, programa e currículo mas ter-lhes-á falhado esta manifestação do mais puro português contida nas instruções dos jogos. Quem sabe se o Magalhães não terá sido a fonte de inspiração para Margarida Moreira, a indefectível seguidora de Maria de Lurdes Rodrigues, escrever ofícios tão airosos.

E é a gente desta que a Educação está entregue. Gente que alardeia o rigor e competência. Gente que almeja em distribuir a justiça e repor a ordem no sistema educativo. Gente que admite não exercer o que lhes compete e deixar as 200 mil crianças que adquiriram o prodígio expostas a um chorrilho de asneiras e de disparates. São estes e outros parecidos que querem mudar a Educação deste país.   

25 comentários em “Gente como esta”

  1. Educação para quê? Especialização para quê? Se o instrumento de modernização do nosso ensino por excelência pode ser confiado a alguém sem habilitações para tal?

    Temos é que aprender a ser chicos espertos!

    1. Advertência registada, caso fosse necessária. São todos uns mentirosos, portanto, e os erros uma miragem… A DGIDC não existe e o dito senhor com a quarta classe um filósofo a quem devemos tirar o chapéu pelos erros de Português

        1. Claro que cada um acredita no que quiser. Se apela à prudência na leitura dos órgãos de comunicação parece-me que é feita uma chamada de atenção. Já fui ler o post e continuo a achar que um jogo de computador que passa para as mãos das crianças através do Ministério da Educação e que foi amplamente propagandeado pelo Primeiro-Ministro não pode conter erros, é irrelevante que tenham sido corrigidos a acreditar no dito post. Quanto ao tradutor, deve ser reposta a verdade, não obstante é ainda mais grave se for licenciado e com a formação que indicam.

          1. Cara Leonor.
            Mas viu o jogo e os erros?
            É que para uma notícia com tantos erros em tantos factos, não me custa nada a acreditar que haja mais erros, sobre mais factos.

            O tal post, foi escrito por fonte mais credível e fidedigna (para mim), do que o artigo do Expresso.

            A minha questão é que, com muito do jornalismo que se pratica nos dias que correm, cidadaos avisados têm de verificar os factos (que devia ser o trabalho do jornalista), e não embandeirar em arco à primeira notícia com letras grandes na capa de um jornal.

            1. Considero o Expresso uma fonte credível obviamente, se não não o citava. Não me baseei n ‘”O Crime” ou no “24 horas”. A questão principal é os jogos têm ou não têm erros, igual se são oitenta, noventa ou um apenas? Foi ou não foi feita uma revisão antes dos computadores chegarem às mãos das crianças? E mais, se isto é tudo mentira por que razão o Ministério da Educação mandou desinstalar os jogos? Estranho.

            2. Nos dias que correm, não considero credível nenhum órgão de comunicação social 🙂 E isso inlcui Blogs.

              Expresso, Crime, 24 horas, DN, JN, Público…… vai dar exactamente ao mesmo.

  2. A irresponsabilidade miserável
    destes dirigentes “socialistas”,
    reflecte a política educativa deplorável
    abarrotada de verborreias irrealistas.

    Esta gentalha é viciada
    na “socialista” arte de alardear,
    a democracia fica depreciada
    com esta forma de propagandear!

    O mexilhão injustiçado
    por tanta logorreia jactante,
    não deve ficar amordaçado,
    deixando esta gentalha distante!

  3. Segundo li há minutos no Jugular parece que os erros não são tantos como se diz e o autor, afinal, é licenciado em Filosofia. Não há problemas, portanto.

      1. Fico sem graça quando tenho que dizer que não estava a falar a sério. Por que será que tantas pessoas só entendem uma piada se for brejeira, evidente, ou tiver pontos de exclamação e reticências?

        1. Não fique. Não deve ter sido a primeira nem a última vez que lhe aconteceu. A comunicação em blogues tem destas coisas, não há rosto ou entoação, tão úteis para se compreenderem as subtilezas da língua. Poupe-me aos restantes considerandos.

  4. Ácerca deste mesmo tema, já expressei hoje a minha opinião mais abaixo num comentário que fiz ao post da Teresa Ribeiro «O Magalhães abalroou».

  5. É isso mesmo, Leonor, os senhores que decidiram meter tudo nos eixos, os grandes reformadores da Educação, não podem dar-se ao luxo de falhar em questões como esta. E o facto de o terem feito justamente com a jóia da coroa, cobre-os de ridículo.

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