Há muito tempo que vou de férias para Lagos. Foi o meu primeiro destino no Algarve, em 1970, e uns anos por outros fui para a Oura, Albufeira, Vilamoura, Tavira, mas há uns anos encalhei na Meia-Praia. A visita à Comidinha era sagrada, tanto que algumas vezes esperei de pé que vagasse mesa, coisa que não me lembro de fazer em mais lado nenhum.
O dono, o senhor Pedro, não era exactamente um modelo de simpatia, nem eu me dou ao trabalho de me fazer conhecido e menos ainda íntimo, mas acabava-se por apreciar o homem – dava, se solicitado, bons conselhos em vinhos, e a cozinha, pratos tradicionais, muitos que dificilmente se encontram, estava invariavelmente acima de qualquer crítica.
Fechou, aparentemente por causa da histeria covidesca e correspectivas medidas para “combater” o “flagelo”, na realidade também, talvez, pela idade e por razões familiares.
Reabriu. E ontem fui lá, a medo: outra gerência, malta nova.
O espaço foi rearranjado, diminuíram ao número de mesas e retocaram daqui e dali: a coisa tem um aspecto menos atravancado mas, graças a Deus, não parece que tenha havido mão de decorador; o pessoal é novo e excepcionalmente simpático; tem wi-fi e a apresentação dos menus, bem como numerosos outros detalhes, é diferente.
E então, o tacho? Ora aqui é que mora o bem-bom: inovação zero, venham de lá a tiborna de muxama, as ameijoas à Bulhão Pato, as lulinhas cheias e as ervilhas com chouriço, tudo regado com um Lacrau moscatel galego (no Algarve há, ao contrário da lenda, óptimos vinhos, mas uma pessoa desempoeirada vai buscar o vinho onde lhe der na telha).
Foi isto, podiam ter sido outras coisas. Que seriam, a julgar pela amostra, superlativas.
Vim cá fora fumar e encontrei o moço que superintendia e que também fumava, um excelente indicador – as pessoas que deixam de fumar dão provas de grande egocentrismo, por imaginarem que fazem grande falta neste mundo, e das que fumam pode-se razoavelmente supor que não têm vícios ocultos. E, em breve conversa, fiquei sabendo que os sócios eram quatro, dos quais só um tinha anteriormente experiência de restauração, e que o que os movia era o desejo de preservar um espaço que respeitavam e do qual foram clientes. As coisas boas estão a fechar, sabe? – disse-me. O senhor Pedro cedeu-nos as receitas todas e nós o que queremos é manter a tradição da Comidinha.
O novo nome do restaurante é Haja Comidinha.
Bem hajam.

Já fumei porque era chic. Larguei à muitos anos. Aconselhei a duas pessoas próximas que o fizessem. Conclusão já lá vão com cancro nos pulmões. Não eram velhos.
Boa história.
Como é que eu, tão batido em Lagos, não conheço poiso tão recomendável? Caramba, tenho de colmatar esta lacuna – como dizem os treinadores da bola.
Boas férias, meu caro. Aproveita bem.
Aquilo fica numa Praça do Poder Local (raio de nome), no miolo de uns prédios, Pedro. De modo que não se passa lá, quem ali vai ou por ali mora ou vai de propósito. Amanhã regresso ao altar da Pátria… obrigado pelos teus votos.
Comecei a fumar muito cedo. Fumei quase vinte anos e deixei total e definitivamente, em 1974. Foi a única coisa boa que me aconteceu nesse ano.
Não deixe de ir à Casinha do Petisco na Rua da Oliveira comer uma cataplana ou gambas à Casinha. Boas férias!
Regressei hoje, fica para a próxima. Obrigado.
Os belos princípios que norteiam os novos proprietários justificam todos os sucessos para o estabelecimento.
Por consciência cívica e romantismo, sou um fumador. Ainda acredito que um dia o imposto pago no tabaquito seja canalizado competentemente e ajude os pobrezinhos a terem comidinha e uma boa assistência na doença. Nas discussões sobre o orçamento de estado fico sempre ansioso e torcendo para que o imposto sobre o tabaco aumente pelo menos em 1000%. Pois acalento o desejo de que se constitua uma elite única, a nível mundial, composta por fumadores inteligentes. Este reconhecimento deve ser exigido.
O dia em que isto acontecer, estou certo que destronaremos os banqueiros no financiamento às nações; e até mesmo evitemos que os povos europeus sejam obrigados a um bailout à Alemanha – por sua irresponsabilidade política e social – com poupança de 15% no consumo da energia. Um fumador consciente jamais admitirá que irresponsáveis que tomaram as nações de assalto continuem a impor medidas miseráveis sobre os povos para ajudarem o Biden a continuar a perder uma guerra que desejava, convencido que contrariaria a multipolaridade cultural e política.
Sobre a multipolaridade, a Lei, as Regras e o Direito, quero oferecer ao JMG um artigo desenhado pelo meu amigo Lavrov em Junho de 2021 (tem ligação, imediatamente abaixo da imagem, para o artigo original): vrov-russian-minister-of-foreign-affairs-t he-law-the-rights-and-the-rules-moscow-j une-28-2021/
https://thesaker.is/article-by-sergey-la
Em matéria de lazer, fumar é um excelente complemento para ajudar à reflexão.
Boa tarde
Folgo sempre ver um tripeiro a passar férias na “mouraria”. O que me espanta, confesso, tão “quentinhas” que são as praias do norte. Mas, lá está, aquela “malta” que por infelicidade ou escolha incompreensível” não é do Porto tem sempre aqueles “segredos” que um “homem do norte” (sulista para os minhotos) tanto desdenham mas não passam sem eles. Mas temos muito prazer em te-lo pelo sul. Onde se recebem bem, se come melhor e , ao contrário dos senhores, não temos nenhum complexo com o país: todos somos portugueses. Inclusive um lisboeta com muito orgulho cmo eu. Saudações