Impressões alemãs (26)


Cristina Torrão,

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Palácio Imperial de Goslar

Goslar era uma importante cidade medieval. O Palácio Imperial (Kaiserpfalz), assim como o centro histórico da cidade, são Património Mundial da UNESCO desde 1992.

Sendo a actual Alemanha (incluindo partes de países vizinhos) uma amálgama de condados e ducados, na época medieval, sob o poder do imperador germânico, não havia uma “cidade-capital”, onde estivesse instalada a corte. Os imperadores tinham necessidade de percorrer os seus domínios regularmente, assegurando o seu poder, e mandaram construir residências (Pfalz) em vários pontos do império. A Kaiserpfalz de Goslar começou a ser construída por volta de 1005, pelo imperador Heinrich II (Henrique II), embora se pense que começasse por ser residência de uma reserva de caça. O certo é que o neto, Heinrich III, a mandou ampliar, por volta de 1040.

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Ao longo do tempo, o edifício sofreu várias alterações e ampliações. O que vemos hoje pouco tem a ver com a construção medieval. Principalmente a grande reformulação de 1868/79, num tempo em que a Alemanha, depois de séculos de decadência, de novo alimentava grandes sonhos imperiais, descaracterizou bastante o edifício.

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Modelo do Palácio Imperial, antes das profundas remodelações de 1868/79 (fonte: Meerkarhu – Eigenes Werk, CC BY-SA 4.0)

Esta descaracterização é naturalmente objecto de polémica. Estando, no entanto, fora de questão a destruição do edifício, já o desmantelamento das estátuas, erigidas também no século XIX, reune vários apoiantes.

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Uma das estátuas representa Frederico I Barbarossa (século XII), que se tornou num imperador mítico, dos tempos áureos medievais, em que o império incluía grande parte da Itália (daí o seu cognome). Mas a estátua de Wilhelm I (Guilherme I) é ainda mais polémica. Regente no tempo em que se fez a remodelação, está representado como sendo Wilhelm der Große (Guilherme o Grande), cognome sem qualquer fundamento histórico.

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Os dois leões (ver também primeira fotografia) foram igualmente erigidos na sequência destas pretensões imperiais do século XIX, pois o leão era o símbolo de um igualmente mítico duque medieval, Henrique o Leão (Heinrich der Löwe).

De qualquer maneira, tanto o Palácio Imperial, como a cidade de Goslar, representam uma importante receita turística (o centro histórico vem na próxima semana).

Um comentário em “Impressões alemãs (26)”

  1. sobre a utilização da designação Leão
    « O leão-europeu era uma população de leão que habitava o continente europeu e que se encontra extinto desde o ano 100 d.C., quando os últimos indivíduos desta subespécie foram mortos na Grécia, em Itália e mesmo no norte de Espanha. No entanto este leão pode na verdade ter sido uma extensão europeia do leão-asiático (Panthera leo leo) ou então um remanescente do leão-das-cavernas (Panthera leo spelaea) que sobreviveu em épocas históricas.[1][2] »

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