
Quando eu era nova, sempre que havia uma casa para alugar ou prestes a ficar vazia (sim, que essa moda de casa própria é coisa relativamente recente, aí para quase 50 anos, vá) o senhorio ou dono do imóvel como preferirem, punha escritos nas janelas. Os ditos escritos eram somente quadradinhos de papel branco colados nos vidros que, contrastantes e chamativos, indicavam a vacância do local.
Era um método simples e eficaz que publicitava por assim dizer, a iminente disponibilidade de um espaço, sem anúncios no jornal, mediadoras imobiliárias, Internet, redes sociais ou apps. E a mensagem chegava sempre direitinha aos curiosos e aos interessados.
Estranhamente, na era de todas as tecnologias, os escritos voltaram a estar na moda. Tenho-os visto por aí, embora não garanta que a mensagem seja idêntica.
Como há que reanimar e revitalizar o arrendamento urbano, os quadradinhos de papel branco são uma maneira simpática de o conseguir. Como método de informação visual e empírico que revive sem exclusões boas tradições centenárias, não poderia estar mais trendy nos dias de hoje.
Mas dá que pensar…
A facilidade com que percebemos a ideia de espaço vazio pelo relance en passant de um quadrado de papel branco exposto em lugar visível, poderá remeter-nos para a possibilidade de não estar muito longe o dia em que nos cruzaremos nas ruas das nossas aldeias, vilas e cidades com indivíduos ostententando post-its brancos colados na testa. Muitos já os usam, mas ainda não se aperceberam do facto.
Resta a esperança que possa haver ainda maneira de revitalizar esse espaço devoluto.
(Republicação actualizada)

“revitalizar esse espaço devoluto”….
Como é que se diz em português “whisful thinking”? “Fia-te na virgem e não corras”?
Descontando o Preço Certo, o futebol, o cheque livro executado a 20%, os menos de 5% a usufruir de bibliotecas, e as inefáveis redes sociais (vide link abaixo), resta o exactamente o quê para não fundear a esperança?
Boas leituras
https://leiturasimprovaveis.blogs.s apo.pt/tik-tok-ou-a-nova-guerra-do-opio-1 95472
Revitalizar espaços vazios e espaços devolutos onde quer que se encontrem, nunca são tarefas fáceis, se não impossíveis.
ad majorem domus gloriam
até se alugam escritórios devolutos
Um escritório é um espaço tão vazio de conteúdo como outro espaço qualquer.
E eu a pensar que era para assinalar que tinha janelas novas…
Janelas novas ou vidros novos nas janelas? Presentemente desconheço o significado. Os ” escritos” no meu tempo de menina significavam espaço vazio ou casa vazia, sempre para alugar e eram colados nos vidros por dentro, com água e farinha, veja lá.
Essa gente não cola quadradinhos de papel na testa, prefere colar os olhos no ecrã do telemóvel e usar phones. Identifica-se pela expressão. Tão ausente, tão vazia, que parece pouco humana. Parecem robots…
Não sei se alguma vez me irei habituar a ver/ouvir as pessoas a falarem sozinhas, Teresa, principalmente aqueles imersos em grandes argumentações e que falam com as mãos.
Cara Senhora
“Antigamente havia escritos nas casas para arrendar, mas isso é oposto da sua preocupação com o vazio das pessoas ( que nada tem a ver com o das cidades)
, ” (sim, que essa moda de casa própria é coisa relativamente recente, aí para quase 50 anos, vá) “.
Havia um mercado de rendas , que permitia aos aforradores terem uma casa, com rendimento actualizado, que lhes garantia económicamente a velhice; esse mercado permitia também aos jovens terem uma larga oferta de casas para arrendar a preços razoáveis.
O Estado Novo não resistiu a condicionar o aumento das rendas, levando à enorme redução de arrendamentos; quando se fixa o preço de um produto, a oferta acaba sempre por cair.
E a senhora ficou sem os “escritos” , e os jovens com olhar em branco , por não terem casa para habitar.
Cumprimentos
Escritos, ainda os há por aí, porque os tenho visto, como referi no texto. Olhares de ” espaço vazio” também, infelizmente. Não têm é escritos na testa… ainda.
Por causa dum escrito numa janela descobri que tinha miopia. (ainda jovem)
Dizia-me um primo, queres alugar aquele 6º andar? Era longe e não o via. Lá fui ao oculista.
Um escrito como instrumento de mudança, Maria… para melhor, claro.