

LAVAGANTE (2008)
Autor: José Cardoso Pires
Realizador: Mário Barroso (2025)
Podia ter sido um romance: ficou novela curta, promessa de narrativa maior, publicada dez anos após a morte do escritor. O filme muito recente, rodado num preto-e-branco rétro com um bom naipe de actores, parte do texto para lhe dar fôlego e espessura. António-Pedro Vasconcelos, autor do argumento, despediu-se assim do cinema: pela porta grande.

Por acaso é um livro que devia ser obrigatório ler para todo o “português comum “.
Confesso detestar a palavra “obrigatório”, mas merece leitura, sim.
António-Pedro (“adoro hífenes” sobretudo onde não fazem falta) Vasconcelos, que diziam ser um bom cineasta, insistiu em ser um péssimo perito em companhias de bandeira.
Era mais um dos que nunca viu uma lista de maneiras de ser milionário em que um dos itens era, ser bilionário e comprar uma companhia aérea.
Quando António-Pedro Vasconcelos morreu, há ano e meio, escrevi sobre ele aqui: mava-a-arte-porque-amava-a-vida-16769257
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a
O que não faz falta alguma é o ódio. Sobretudo quando se expressa ‘post mortem’.
“O que não faz falta alguma é o ódio. Sobretudo quando se expressa ‘post mortem’.”
Está a pensar em Salazar?
Em si.
R.I.P.
Por causa disso, por terem filmado parte disso aqui no “Tatu”, na esquina da av. da Igreja com o Campo Grande, estive 3 dias sem conseguir beber o café.
Ainda bem que lá filmaram. Algumas das melhores cenas são as do Tatu, aliás expressamente mencionado no livro de C. Pires. Era um café emblemático daquele tempo da revolta estudantil de 1962, estando situado a dois passos da Cidade Universitária.
O ‘Tatu’ abriu em 1958.
O uso da palavra “era” talvez não esteja totalmente correcta. Pois, todos os anos, incluindo este, há marcações para refeições e encontros dos estudantes universitários das várias universidades que o rodeiam por perto, que chegam a mais de 200.
No prédio, os moradores há anos que se queixam do barulho, e há uma extensa lista de queixas na polícia. Sem resultado.
Abriu no mesmo ano do Vavá. Eram ambos expoentes, à época, de uma certa “modernidade” lisboeta.
Natural terem inspirado cineastas daquela geração. Dignos de cenários de filmes do Antonioni, muito inspirados na arquitectura.
Totalmente verdade.
E músicos, como os ‘GNR’. E ‘revolucionários’ de esquerda e de direita.
Nesse prédio, em tempos idos, morou um tal Durão Barroso.
Não foi nesse, foi no oposto, que está em frente.
Errei por pouco, então.
O que seria interessante saber, era se o Durão também frequentou o ‘Tatu’ … nessa sua formação de mrpp.
Barroso era maoista. Devia frequentar o restaurante chinês situado a curta distância, também na Avenida da Igreja.
Nunca conheci o José Cardoso Pires e escrito por ele só tenho um livro.
Talvez o mais conhecido e divulgado.
O DELFIM
José Cardoso Pires
Moraes Editores
Lisboa
Outubro de 1975
6.ª edição
Nota – Na estante, está entre
DA VIGÍLIA E DO SONHO
José Cabral
Edição do autor.
Composição e impressão
na Oficina Escolar de Tipografia
da Casa Pia de Lisboa.
Lisboa
1954
e
A CASA DE BERNARDA ALBA
Federico García Lorca
Publicações Europa – América
Lisboa
Março de 1964
2.ª edição
Nota – Este exemplar foi oferecido à Júlia (…)
na “PREMIÈRE DE GALA” (de) “20/1/66 NO T.E.C.”.
Tem os autógrafos de várias pessoas.
Legíveis:
1. Mirita Casimiro
2. Zita Duarte
3. Fernanda Coimbra
4. Marília Costa
5. Manuela Machado
6. Fernanda Esmeralda
7. Ana Leiria
8. Francisco Relógio (desenho assinado de 1965)
9. Alfredo Martinho
10. Carlos Avilez
Nota – O Federico García Lorca (1899 – 1936) foi fuzilado pelos franquistas.
Nota – “O DELFIM” deu origem a um filme.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Já li, mas não vi.
Até gostei, mas ficou-me uma sensação de “rascunho” – está explicada. Aconteceu-me o mesmo (para pior) com o “Caim” de Saramago, foi o único dos seus livros que me desiludiu.
Sim, estamos perante um rascunho – promessa não concretizada de romance.
E muitos (talvez demasiados) pontos de contacto com “O Anjo Ancorado” – essa sim, obra de grande mérito.