

TOPÁZIO (1967)
Autor: Leon Uris
Realizador: Alfred Hitchcock (1969)
Nome hoje quase ignorado, Leon Uris publicou livros de sucesso nos anos 60 e 70. Eis um deles: suspense do princípio ao fim, com enredo centrado na crise dos mísseis em Cuba (1962). A adaptação para tela foi desastrosa: Hitchcock viu-se forçado a cortar quase meia hora de filme e concebeu três finais diferentes, sem agradar a ninguém. O mestre estava no ocaso.

Nao ajudou ter perdido George Tomasini, colaborador de anos.
O filme seguinte elevou novamente o nível
Sim, melhorou no seu regresso à Inglaterra natal.
Mas, para mim, o último grande filme de Hitchcock é “Marnie”, de 1964.
Não tão ignorado assim, é um autor que muita gente conhece – pelo menos muita gente que eu conheço… Até por aqui, e infelizmente por motivos não apenas literários, já se falou dele e da sua obra.
Pessoalmente, considero-o um excelente escritor no seu género, que de vez em quando releio, ainda que bastante mono-temático – como muitos autores, aliás, não é caso único; harmoniza factos e ficção de forma magistral, e consegue a um tempo não só emocionar-nos e prender-nos a atenção com a vivacidade das suas histórias, como também pôr-nos a pensar sem quase darmos conta.
Dele, o meu preferido é o “QB VII”, que considero ter as personagens mais interessantes e o texto mais ‘maduro’ das suas obras.
“Exodus”, que já mencionei aqui, foi um livro dele que me marcou bastante. Vi primeiro o filme de Otto Preminger (com Paul Newman e Eva Marie Saint), inferior à obra literária, como depois comprovei.
“Topázio” está num escalão inferior, mas também melhor do que a adaptação ao cinema.
Tanto quanto sei, o “QB VII” nunca baseou o argumento de nenhum filme propriamente dito – o que sempre me pareceu muito estranho, mas que terá decerto alguma explicação (talvez falta de autorização do autor?).
No entanto, em 1974 foi realizada uma mini-série nos EUA, com aquilo a que se costuma chamar “elenco de luxo” – designadamente, o Anthony Hopkins no papel principal -, e que foi até bastante premiada.
Por cá, terá passado na televisão na década de 70, mas passou-me ao lado – era um tempo em que ou se via, ou se perdia.
Sempre tive pena de nunca ter visto o “QB VII” em filme, ainda por cima com um actor como o A. Hopkins, que deve fazer um papelão naquela personagem…
A ver se me dedico a encontrar maneira de colmatar a falha.
Confesso que nunca tinha ouvido falar. Passou-me ao lado.
Mas leu o livro?
Não.
Então ponha na lista, se faz favor. Se por um golpe de sorte lhe aparecer à frente, dê-lhe uma oportunidade. Tenho a certeza de que vai achá-lo muito bom.
Assim farei. E agradeço-lhe.
Além do Exodus, gostei particularmente do Mila 18.
Abraço, bom domingo
Esse ainda não li, Fernando. Abraço.
Baseado em factos reais, adaptados, a insurreição do guetto de Varsóvia.
Abraço
Fica agora na minha lista, Fernando. Obrigado.
Mila 18 é sobre o gueto de Varsóvia. Muito bom, mas muito pesado também.
Sendo esse o tema, seria inevitável. Mas é sempre pedagógico. Para que nada disso se repita.
O filme vê-se bem. O livro é muito bom, como quase todos os livros de Leon Uris. Gosto muito dos seus livros, destaco sempre Exodus. Livro e filme excelentes.
“Exodus” narra-nos a moderna saga do povo judeu, disposto a jamais se sujeitar a novos holocaustos. Romance com “herói colectivo”, como diria um crítico literário afeiçoado ao cânone neo-realista.
Do filme, aprecio sobretudo a beleza serena da hoje centenária Eva Marie Saint. E a partitura de Ernest Gold, que ouvi pela primeira vez com palavras em francês, na voz de Piaf.