Lanzo las gafas del optimismo desde mi balcón, quizás hay alguien allá abajo que todavía prefiere usarlas, que aún quiera distorsionar la realidad con ellas.
Yoani Sánchez, Generación Y
Há 20 anos, fugia-se dos países que se situavam do lado de lá da Cortina de Ferro. Países-prisões, que não permitiam sequer que os seus habitantes pudessem deslocar-se ao estrangeiro. Esse pesadelo terminou na Europa de Leste. Mas prossegue em Cuba, de onde acabam de fugir dois jornalistas aproveitando a cobertura de uma competição desportiva em San Diego, na Califórnia, como pretexto. Yuri Boza, de 31 anos, e Raúl Arce, de 59, trocaram o "paraíso" socialista pelo "inferno" capitalista, dando uma monumental bofetada na dinossáurica ditadura dos irmãos Castro. Um deles trabalhava no jornal comunista cubano Juventud Rebelde, o outro era profissional da televisão em Havana. Arece estava também encarregado de vigiar os atletas cubanos, dado o receio permanente do regime de que possam pedir asilo político a embaixadas estrangeiras quando se deslocam ao exterior. Afinal quem fugiu foi ele. Fez como milhões de outros cubanos que nunca conheceram a liberdade sob o regime castrista: votou com os pés.
O decrépito ditador não tardou a rosnar os habituais insultos que dedica a quem ousa enfrentá-lo, chamando "repugnantes" e "pobres diabos" aos dois jornalistas que optaram pela liberdade. Será certamente aplaudido pelo partido que ainda há quatro meses, ao reunir-se em congresso, proclamava que "a revolução cubana projecta-se no mundo pelas conquistas políticas, económicas, sociais e culturais alcançadas, pela defesa intransigente da sua independência nacional, pelo seu exemplo de patriotismo e internacionalismo."
Por mais deserções que haja, demonstrando ao mundo a natureza opressiva de um regime que prometeu libertar os cubanos sem jamais cumprir tal promessa, o castrismo continuará certamente a contar com o aplauso incondicional do PCP, fascinado pela "classe dominante" em Havana, para usar um termo que Marx imortalizou.


O camarada Bernardino manda dizer que da Coreia do Norte ninguém quer fugir.
Eu mando dizer que do camarada Bernardino todos querem fugir.