Jornalistas fogem do país-prisão


Patrícia Reis,

 

 

Lanzo las gafas del optimismo desde mi balcón, quizás hay alguien allá abajo que todavía prefiere usarlas, que aún quiera distorsionar la realidad con ellas.

Yoani Sánchez, Generación Y

 

Há 20 anos, fugia-se dos países que se situavam do lado de lá da Cortina de Ferro. Países-prisões, que não permitiam sequer que os seus habitantes pudessem deslocar-se ao estrangeiro. Esse pesadelo terminou na Europa de Leste. Mas prossegue em Cuba, de onde acabam de fugir dois jornalistas aproveitando a cobertura de uma competição desportiva em San Diego, na Califórnia, como pretexto. Yuri Boza, de 31 anos, e Raúl Arce, de 59, trocaram o "paraíso" socialista pelo "inferno" capitalista, dando uma monumental bofetada na dinossáurica ditadura dos irmãos Castro. Um deles trabalhava no jornal comunista cubano Juventud Rebelde, o outro era profissional da televisão em Havana. Arece estava também encarregado de vigiar os atletas cubanos, dado o receio permanente do regime de que possam pedir asilo político a embaixadas estrangeiras quando se deslocam ao exterior. Afinal quem fugiu foi ele. Fez como milhões de outros cubanos que nunca conheceram a liberdade sob o regime castrista: votou com os pés.

O decrépito ditador não tardou a rosnar os habituais insultos que dedica a quem ousa enfrentá-lo, chamando "repugnantes" e "pobres diabos" aos dois jornalistas que optaram pela liberdade. Será certamente aplaudido pelo partido que ainda há quatro meses, ao reunir-se em congresso, proclamava que "a revolução cubana projecta-se no mundo pelas conquistas políticas, económicas, sociais e culturais alcançadas, pela defesa intransigente da sua independência nacional, pelo seu exemplo de patriotismo e internacionalismo." 

Por mais deserções que haja, demonstrando ao mundo a natureza opressiva de um regime que prometeu libertar os cubanos sem jamais cumprir tal promessa, o castrismo continuará certamente a contar com o aplauso incondicional do PCP, fascinado pela "classe dominante" em Havana, para usar um termo que Marx imortalizou.

 

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