CAMPANHAS DIFERENTES EM DATAS SEPARADAS
Quatro dos cinco maiores partidos políticos advogam a realização de eleições autárquicas e legislativas em datas diferentes – em princípio, 27 de Setembro para eleger o novo elenco parlamentar e 11 de Outubro para eleger os novos órgãos autárquicos. É o que defendem o PS, o BE, o PCP e o CDS – partidos que valem cerca de 70% da expressão eleitoral, de acordo com o mais recente escrutínio. Só o PSD preconiza a realização simultânea dos dois actos eleitorais, ao que parece para ‘poupar dinheiro’ (o estado pagaria apenas uma vez aos escrutinadores, e não duas). É um argumento medíocre: no limite, a abolição de todas as eleições seria bastante mais barata para o País, que nem por isso ficaria mais bem servido com essa ‘suspensão da democracia’. É dificilmente concebível que o Presidente da República, que hoje ouvirá os partidos em Belém sobre este assunto, acabe por adoptar a tese que só o PSD advoga. Ainda para mais tratando-se do partido que mais dinheiro admite ter gasto na campanha europeia, o que torna o argumento da ‘poupança’ , vindo de quem vem, totalmente falacioso. A campanha autárquica e a campanha legislativa não devem ser fundíveis nem confundíveis sob pretexto algum.


Sem tirar nem pôr.
Já nem sei onde escrevi — aqui? no twitter? — que pessoal/ preferia eleições no mesmo dia. Porém, tendo em conta que apenas o PSD advoga essa opção, parece-me do mais elementar bom senso respeitar a vontade da maioria. Maioria essa que vai de uma ponta à outra do arco parlamentar. Se Cavaco Silva ignorar esse facto prestará um mau serviço.
Mais uma coisa. A minha preferência inicial pelo acto eleitoral simultâneo não se devia ao argumento da poupança, mas por mero comodismo enquanto eleitor. Parecia-me a solução mais racional. Pelo que fui lendo e ouvindo, entretanto, confesso que alguns dos argumentos contra me pareceram, de facto, dignos de nota. Motivo adicional para entender que o PR devia respeitar a vontade da maioria.
Parece-me também que o PR não tem nesta matéria vontade discricionária, devendo respeitar a vontade clara da maioria. É isso que resulta do espírito constitucional. De outro modo não faria sentido Belém consultar os partidos políticos.
Tretas!
O motivo pelo qual só o PSD advoga a simultaneidade das eleicões passa por ser o único partido (a CDU intriga-me um pouco neste caso…) que beneficia disso mesmo. Todos os outros são prejudicados, daí a oposição!
Não tem nada, zero, a ver com o processo em si, mas antes com os dividendos que poderiam ser retirados da sequência dos actos. Caso o PS (por exemplo) tivesse ganho as últimas autárquicas e lhe tivesse corrido bem as Europeias, ia-se ver as posições invertidas, com o Vitalino Canas (suponho…) a defender vigorosamente a simultaneidade!
Neste caso específico, acredito que o PR vai aproveitar a oportunidade para mandar um recado ao PM e ao PS, de “cá se fazem, cá se pagam” e marcar as eleições para o mesmo dia.
Um PR que actua em função do “cá se fazem cá se pagam” mereceria imediatamente a exigência da sua demissão.
Não estou a ver porquê, quando se trata de desrespeito à Figura Institucional e não à pessoa (“just business, nothing personal”). Aliás, acho MUITO BEM que o faça, sobre pena de perder a réstia de autoridade que lhe é consagrada na Constituição.
Estou com a Clara: “Um PR que actua(sse) em função do ‘cá se fazem cá se pagam’ mereceria imediatamente a exigência da sua demissão.”
Pedro:
São duas eleições diferentes portanto devem ser em dias distintos.
Acredito que haja por parte de alguns partidos especialmente do PS o interesse que primeiro se façam as Legislativas mas aí o receio é repetir a onda de 2001/02, de onde foi varrido nas autárquicas e legislativas.
O argumentos da poupança não me convence, ainda não ouvi foi ninguém falar da “loucura” que é ter 4 boletins de voto na mão se houver simultaneidade da data e a trabalheira que dá essa contagem aos elementos das mesas (fazem horas extras?).
O PR deverá na minha humilde opinião marcar as legislativas em data diferente das autárquicas, aliás é essa a opinião maioritária e em Democracia a maioria vence.
Pois, Carlos. Se tiver tempo e paciência mais tarde explicarei por que motivos defendo eleições em separado.
a minha opinião está aqui: tml
http://vilaforte.blogs.sapo.pt/207347.h
Aqueles 4 partidos não valem 70% da expressão eleitoral. Segundo o último acto eleitoral, os 4 valem 56.5%