Legislativas (47)


Patrícia Reis,

 

 

LIÇÕES A TIRAR

 

A arrogância no Governo custou meio milhão de votos – e o adeus à mais sólida maioria do PS de todos os tempos.

 

A incompetência na oposição custou mais uma derrota eleitoral ao PSD – a quarta das últimas cinco eleições legislativas.

12 comentários em “Legislativas (47)”

  1. Eu retiro outra: a indespensável refoma na Educação e consequente alteração do stato quo dos professores alienou meio milhão de votos, mas nem por isso uma refoma que era essêncial dexou de ser feita; teria sido muito mais fácil para o governo pouco ou nada ter mexido na Educação, mas optou de forma diferente. Assim, onde o Pedro vê arrogância, eu vejo coragem.

    Quanto ao PSD, enfim, sem comentários.

      1. Muito mas por parte de alguns titerezinhos da A.P., como aquela fulana da DREN e outros, mais papistas do que o Papa, do que da parte de Sócrates e do Governo em si.

        1. Já agora Pedro, a propósito da arrogância não posso deixar de me lembrar de que este é um conceito altamente relativo, nomeadamente de cultura para cultura. Em Portugal, o que muitos vêem como arrogância, noutros países é visto como firmeza e auto-confiança. Lembro-me, no meu percurso universitário, que em Portugal 90 por cento dos meus colegas me considerava arrogante; isto porque eu não tinha papas na língua e quando considerava que um colega produzira uma observação errada não tinha quaisquer problema em o afirmar, claro que, sustentando a minha crítica. Ora isso, para 90 por cento dos meus colegas, era arrogância: “Vejam bem aquele, com a mania que sabe tudo, com a mania de que é esperto…”
          Mais tarde, continuando os estudos em Inglaterra, encontrei uma realidade completamente diferente: ali, a crítica racional e vigorosa era até incentivada e ninguém se chocava se alguém interpelava outrem (inclusive professores), desde que demonstrasse racionalmente a validade da interpelação. A propósito disso mesmo, deixo aqui um link para um ensaio de Emerson, sobre self-reliance, que me parece pertinente:

          http://www.youmeworks.com/selfreliance.html

          1. Carlos, como eu o compreendo. é exactamente assim como diz. Agora imagine o que é uma mulher ( loura ainda por cima) com uma atitude semelhante à sua. Permita-me que lhe diga que devia ter continuado em Inglaterra e eu deveria ter tido o discernimento, mais nova, de ter feito o mesmo. Ainda hoje de manhã tive uma discussão de trabalho exactamente por causa dessa postura “de como se diz as coisas”. Os portugueses são muuuuuito sensíveis! Ninguém quer saber da substancia, mas da espuma e de forma da espuma, detestam gente assertiva e auto-confiante. É normal, foram habituados a pensar que a ambição é um pecado e merece castigo e que a humildade mesmo que seja sonsa é de louvar.

  2. Pedro:

    Concordo em absoluto com a tua análise, continuo é preocupado com o vencedor das eleições o partido da abstenção esse sim um problema que nenhum politico quer ou pode resolver de ânimo leve e esse sim é um problema grave da nossa democracia.
    Quanto à coragem falada pelo comentário que me antecede só gostaria de perguntar se é coragem impôr uma vontade sem dialogar ou ouvir os principais visados ou interessados, e quanto às reformas tão badaladas por sócrates gostaria de ver onde elas foram feitas pois uma coisa é fazer outra é propagandear que fez.

    1. Carlos,
      Como tenho referido, devemos relativizar os números oficiais sobre abstenção, pois incluem cerca de 900 mil eleitores que já morreram. Só a incompetência da nossa máquina administratriva, incluindo a ministerial, permite que os cadernos eleitorais permaneçam em grande parte como eram há dez anos ou há vinte ou trinta. A abstenção real foi muito menor. Muitos de nós percebemos isso ontem na hora de votar, vendo muita gente a fazer o mesmo.

  3. Eu acho que foi mais uma consequência das reformas feitas e também das chamadas “campanhas negras”. E em certa medida das demagógicas (de outros partido) também.

    Quanto ao Psd, a palavra incompetência resume de certa forma sim.

  4. “mais uma derrota eleitoral [d]o PSD”

    Isso é uma questão de ponto de vista.

    Do ponto de vista das últimas eleições legislativas, as de 2005, o PSD não foi derrotado ontem: teve mais votos, maior percentagem e elegeu mais deputados do que em 2005.

    O PSD só foi derrotado se se adoptar o ponto de vista de que ele almejava a maioria. Para quem deseja alcançar a maioria, obter apenas 30% é, certamente, uma derrota. Mas, se se adoptar um ponto de vista a meu ver mais realista, o resultado que o PSD obteve não foi nada mau.

    Eu, de facto, estava à espera de que o PSD só tivesse 27% ou 28%, e acho que ter obtido 29% foi um resultado bonzinho. De forma nenhuma uma derrota.

  5. “a quarta [derrota do PSD] das últimas cinco eleições legislativas”

    Se o PSD acumula, na opinião do Pedro, tantas e tão repetitivas derrotas, talvez seja porque o Pedro está a ver mal as coisas. Talvez, ao fim e ao cabo, os resultados que o PSD alcançou nessas quatro eleições legislativas sejam aquilo que é normal e expetável ele alcançar, sendo o resultado melhor alcançado na quinta eleição um resultado excecional e irrepetível.

    Ou seja, o PSD não sofreu quatro derrotas em cinco eleições legislativas: teve quatro resultados normais e um resultado excecionalmente bom.

    1. Conceitos objectivos: vitória e derrota.

      Eleição legislativa de 1995
      Vencedor: PS

      Eleição legislativa de 1999
      Vencedor: PS

      Eleição legislativa de 2002
      Vencedor: PSD

      Eleição legislativa de 2005
      Vencedor: PS

      Eleição legislativa de 2009
      Vencedor: PS

      Vitórias de 1995 para cá:
      PS – 4
      PSD – 1

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