Um homem foi hoje assassinado quando se dirigia à mesa de voto em Ermelo, Vila Real. Segundo a notícia, o candidato à Junta de Freguesia pelo PS assassinou com um tiro de caçadeira o marido da candidata pelo PSD ao mesmo órgão autárquico. Nesta altura era esperado que os diferendos não se resolvessem à bala e que se tivesse percorrido um longo caminho que nos distanciasse dos instintos mais primários. Que raio de gente é esta?
Lei da bala
Leonor Barros,

Quem alimenta instintos básicos não aprende civilização.
Com certos repórteres básicos passa-se o mesmo: na tv, relatam todos os detalhes das circunstâncias e do homicídio e, no final, apontam civilizadamente o autor como o «alegado» homicida «alegadamente» em fuga em resultado do «alegado» crime com uma «alegada» caçadeira que pôs fim a «alegadas» desavenças que há muito «alegadamente» se verificavam.
Neste país está tudo a ser tratado a tiros de caçadeira: as pessoas, as ideias, as palavras…os bárbaros estão tomando conta de tudo.
Com a única vantagem em que somos bons: vamos devagarinho…
A forma como se relatam estas notícias é inacreditável. Acabei de ouvir uma locutora entusiasmada dizer que “até agora, o incidente mais grave destas eleições foi um homicídio em Mondim de Basto”. Só faltou acrescentar “mas não desesperem, com um bocadinho de sorte ainda há-de acontecer alguma coisa mais excitante”. Alegadamente, adoram estes dramas…
Não há pachorra. Já ouvi também dizer o «alegado homicídio». Pode ser que o morto não tenha ficado bem morto. É insuportável.
É tudo “alegado”, é o que vale. Logo quando ouvi a notícia, provavelmente a mesma que tu, João, eram “alegados” e “alegadamente” como se fossem vírgulas.
“Relata” e não “relatam”, claro.
Cadê os brandos costumes? Parece-me que algo está mesmo a mudar no quartel de Abrantes e não é para melhor.
Fugiram para parte incerta, Teresa.
Sempre houve crimes. Os brandos costumes têm a ver, suponho, com a sua pouca frequência no interior de Portugal, onde ainda nos podemos esquecer de trancar as portas. E são crimes motivados – não os estou a desculpar. Mata-se por algum motivo, não como nas grandes cidades, onde, justificou-se um assassino, matou uns polícias por estar stressado. São questões sentimentais, ciúmes, terras, águas, má vizinhança – e maus fígados.
O facto de sempre ter havido não pode ser justificação para continuar a haver e nada, mas nada pode justificar este tipo de atitude. Parece-me, pelas notícias que vão aparecendo, por exemplo de mulheres que são assassinadas pelos maridos/companheiros que não estamos a melhorar, o que´é deplorável.
Tive o cuidado de dizer que não estava a tentar desculpar os criminosos. Quanto ao resto, bonitas palavras, que eu subscrevo. Infelizmente a realidade não muda com a nossa indignação; receio até que a mediatização excessiva destes casos possa contribuir para a sua banalização.
Não acredito na bondade intrínseca do ser humano, nem na sua capacidade de se aperfeiçoar por palavras, discursos ou sermões. Acredito que o crime deve ser castigado com a severidade necessária para que os criminosos, caso se não arrependam – e muitos nunca o farão – possam pelo menos saber que a sociedade não lhes permite agir impunemente.
“Infelizmente a realidade não muda com a indignação” subscrevo inteiramente mas podemos e devemos sempre indignar-nos contra a barbárie.
Um horror. Mas não creio que os motivos sejam “políticos”. Nos meios pequenos, às vezes, mistura-se tudo e…
Independentemente da motivação é um crime e nada o pode justificar, Maria do Sol.
Obviamente Leonor.
:)))
Eu sabia que concordava comigo :)))))
E se o “alegado” homicida fosse do PNR, qual seria o tratamento mediático/político deste caso?
Entretanto…
Se fossem outros a matar
caía o Carmo e a Trindade,
assim não se pode desfrutar
da sã vivência em sociedade.
Hedionda barbaridade
do tempo civilizacional,
a marca de incivilidade
desta política nacional.
Por lapso, “assinei” o comentário como anónimo.
Não faz mal. Já todos o reconhecemos, Amêijoa. Hehe…
Abraço.
Fiquei preocupada com o anonimato, Amêijoa, quem se atreveria a roubar-lhe o lugar aqui no nosso Delito?