
«Um homem sem terra é um homem amputado de raízes. É meio títere e meio espírito à procura de um lugar. O seu futuro é regressar ao passado.»
Bruno Vieira Amaral, Guia para 50 Personagens da Ficção Portuguesa, p. 121
Ed. Guerra & Paz, 2013

«Um homem sem terra é um homem amputado de raízes. É meio títere e meio espírito à procura de um lugar. O seu futuro é regressar ao passado.»
Bruno Vieira Amaral, Guia para 50 Personagens da Ficção Portuguesa, p. 121
Ed. Guerra & Paz, 2013
1 – Mas todo o Futuro não é regressar ao Passado?
2 – Não dizem que: “Viemos do pó, e para o pó regressaremos”?
3 – Ainda mais agora que, Yasuhiro Oba, da Universidade de Hokkaido (Japão), descobriu nos meteoritos a citosina e a timina. As duas moléculas orgânicas, das cinco nucleobases, que faltavam para se afirmar que a Vida veio do espaço extraterrestre. O que levou Danny Glavin, co-autor do estudo e membro da equipa do Goddard Space Flight Center da NASA, a afirmar que: “temos agora evidências que completam o conjunto das nucleobases vindas nos meteoritos, que originaram a Vida na Terra”.
1 – Este Post de Pedro Correia é pertinente, porque — através da frase de Bruno Vieira Amaral — introduz o debate sobre a questão de qual a parte “amputada” de nós (do nosso actual corpo/suporte) devemos Preservar, e qual a parte que devemos Abdicar.
2 – Isto é, qual a proporção entre entropia e neguentropia devemos gerir, para que não regressemos à não-vida e ao desaparecimento total; e consigamos manter uma Singularidade (a tal propriedade física «SAP3i» conseguida pela engenharia e inteligência) capaz de nos proporcionar a Continuidade na existência.
3 – “A procura de um lugar” será sempre uma exasperação e uma ansiedade até conseguirmos esse “lugar” designado por «SAP3i». Até lá, é um trabalho e uma luta incansável.
4 – A ilusão de que há um país, uma fronteira, ou um sítio qualquer diferente de «SAP3i» — que não seja esse o que o verdadeiro ser-humano procura para a sua “raiz” — é um engano.
1 – Mas será que “Vida” significa o mesmo para todos nós? , afirmou ter descoberto o processo dessa “espontaneidade” (serendipidade) das reações metabólicas, aparentemente catalisadas por iões de ferro; logo, sem intervenção “exterior” ou “divina”. Apesar das dúvidas de Matthew Powner e Jack Szostak (ambos da Universidade de Harvard).
2 – Como pode a “Vida” ser a definição que damos dela actualmente, se o nosso saber é limitado e não definitivo?
3 – Atualmente a «definição de Vida para a Ciência» é: “…Um sistema químico autónomo capaz de seguir uma evolução darwiniana, originado a partir de matéria inerte através de processos de auto-catálise (moléculas com a capacidade de criarem cópias de si mesmas) e de processos de auto-organização (moléculas com a capacidade de criarem espontaneamente estruturas mais complexas a partir de estruturas mais simples)” (Gerald Joyce, NASA, 1994/2013; Otto Sijbren, 4jan2016, Nature Chimestry).
4 – Em 25abril2014, a equipa de Markus Ralser (Markus A. Keller e Alexandra V. Turcyn), em “Non-enzymatic glycolysis and pentose phosphate pathway-like reactions in a plausible Archean ocean” (Nature /https://doi.org/10.1002/msb.20145228)
5 – Em 2016 foi apresentada a primeira “bactéria sintética, com genoma” (organismo vivo “JCVI-syn3A”) produzida em laboratório (JCVI: J.Craig Venter Institute)…”(…) scientists created a single-celled synthetic organism that, with only 473 genes, was the simplest living cell ever known. However, this bacteria-like organism behaved strangely when growing and dividing, producing cells with wildly different shapes and sizes”.
6 – Em 2021 foram identificados os sete genes que conseguem controlar o processo de divisão e crescimento desta bactéria sintética. (J.F. Pelletier, L. Sun, K.S. Wise, N. Assad-Garcia, B.J. Karas, T.J. Deerinck, M.H. Ellisman, A. Mershin, N. Gershenfeld, R.Y. Chuang, J.I. Glass and E.A. Strychalski. “Genetic requirements for cell division in a genomically minimal cell”. Cell. Published online March 29, 2021).
7 – Ora, recuando um pouco ao séc.XX (para não irmos à Grécia Antiga), constatamos que uma das propriedades da Vida consiste em ser capaz de fazer cópias de si mesma (auto-catálise). A tentativa de criar uma máquina capaz de fazer cópias de si mesma foi tentada na década de 1940 por John von Neumann. John Horton Conway simplificou a máquina de von Neumann, e criou um autómato celular a que chamou “Jogo da Vida” (publicado pela primeira vez em outubro de 1970 na revista Scientific American). Contribuindo para o desenvolvimento de jogos de simulação que recriam processos do mundo real, e estabelecem analogias com o comportamento dos organismos vivos e das sociedades.
8 – Atualmente, são usados para fazer simulações teóricas de sistemas de computadores que se comportem como autómatos celulares, semelhantes ao “jogo da vida” de Conway.
9 – Quem trabalha e está familiarizado com a robótica, usa actualmente esse contributo na IA e na “machine learning” (ensinar as máquinas a aprenderem a aprender).
10 – Em 6 de junho 2020, por causa da preservação da Memória de todo este percurso, eu próprio fundei o “Museu dos Objetos Matemáticos”, após a Conferência “Impronuncialismo 4”].
11 – A “Vida” será o mesmo que a «consciência da Vida»? O que nos faltará percorrer?