
«A maior descoberta da época dos Descobrimentos foi a percepção do pouco que a Europa conhecia da Terra. Nunca antes se tinham revelado tão bruscamente tão vastas áreas de ignorância.»
Daniel J. Boorstin, O Nariz de Cleópatra (1994), p. 37
Ed. Gradiva, 1994. Tradução de Maria Carvalho

A Europa aprendeu que não sabia nada — e inaugurou a tradição secular de dar palpites sobre tudo.
e em lugar de querer conhecer e aprender com a Terra e a sua imensa diversidade quis transforma.la à sua imagem e semelhança. uns tristes , os brancos.
«A maior descoberta da época dos Descobrimentos foi a percepção do pouco que a Europa conhecia da Terra. Nunca antes se tinham revelado tão bruscamente tão vastas áreas de ignorância.»
Isto não faz sentido nenhum. Se quiserem eu explico, mas não devia ser necessário.
Como assim não faz sentido?
Porque o tamanho da Terra já era conhecido. E a percepção de que havia culturas diferentes também já exisita pelo menos desde a Antiguidade Clássica (Heródoto, Tácito, etc), bem como a sua sistematização em conhecimento.
Eratóstenes, pois então. Mas eu não ficaria por aí, meu velho. O heliocentrismo já fora antecipado por Aristarcos; Copérnico, Kepler, Brahe e Galileu não passaram de uns tagarelas. A igreja e a Inquisição nunca se lhes opôs, todo aquele circo não passou de uma emissão dos Monty Python “avant la lettre”. Newton inútil depois de Arquimedes, já se vê. Quanto a Shakespeare e Cervantes, uns balões de ar quente – Ésquilo e Sófocles fazia já bué que haviam escrito tudo quanto havia para escrever. Serão os índios homens e a sua civilização tão meritória quanto a nossa? Havia um consenso positivo em torno dessas questões, com alusōes a Heródoto, à antropofagia e à cremação dos mortos.
Obrigado por partilhares a tua sabedoria connosco!
Apesar dessa displicência toda e de resolveres falar à ya meu para fingir que pfff já sei esta merda desde o ciclo, a tua burrice aparece nas entrelinhas
Vai lá ver a SIC Radical e não te metas com as pessoas crescidas
Acho que não é preciso uma ginástica mental notável para tropeçar na ideia óbvia de que a maior descoberta foi perceber o tamanho da ignorância.
Talvez, mas para mim a maior descoberta da época dos Descobrimentos , foi a percepção, com Portugal, Espanha e Inglaterra muito à frente, foi a percepção, dizia eu, de tanta riqueza e poder perdidos pelo desconhecimento do infindável viveiro escravo.
Talvez para si, porque “desconhecimento do infindável viveiro escravo” não havia certamente. Tanto a Africa e Asia eram continentes, ainda que pouco explorados por Europeus, como conhecido sobejamente conhecida desde seculos pratica a escravatura e também o comercio de escravos, através por exemplo dos relatos de mercadores europeus ou das viagens dos cruzados.
Especialmente aquele praticado, desde as antiguidades, pelos nossos vizinhos islamicos do mediterraneo (os mouros), que tinham lucrativas rotas de escravos capturados na Africa Ocidental e Sub-Shahariana em direção ao norte de Africa e Arabias, rotas essas que em alguns casos se mantiveram até ao sec. XX. No Wikipedia diz que uns “6 milhões” foram capturados (uns em raides, outros simplesmente comprados a chefes negros) e transportados para o Norte, apenas no periodo “entre 650 e 1500”. Outras fontes falam nuns 10 Milhões. A unica novidade dos descobrimentos em relação ao trafico de escravos negros foi que os mouros passaram a ter concorrência no negócio e abriram-se novas rotas.
Talvez em português eu compreendesse melhor.
Assim, obrigar-me a uma decifração tipo hieroglífica, não, muito obrigada.
Exacto.
Porque antes nem havia comércio de escravos
O pior é que a Europa está a voltar a esse tempo, ignorando o mundo.
https://x.com/femdomreina/status/1950876 961598767194?s=46
– Ibrahim Traore
our blessed homeland

our glourious leaders
our great religion
our noble populace
our heroic adventures
versus
their barbarous wastes
their wicked despot
their bacward savages
their primitive superstitions
their bruthish invaders
Tirando as Américas por razões óbvias, a “Europa” tinha conhecimento de prática todo o Mundo. Já os romanos recebiam artigos da China (mal sabiam).
A maior descoberta foi a pior coisa que nos aconteceu.
Ficámos com os brasileiros no cardápio… Um bando de macacos chungosos que só fazem favelas — e que agora vieram para Lisboa.
Já ouviu falar em “Mamelucos”? Vá, vá lá estudar a sua árvore genealógica, o mais provável é que, algures nos seus ramos, encontre ancestrais “macacos chungosos”, que são, afinal, os seus antepassados.
“Puro-Sangue”, “puro-sangue”, só em algumas estirpes de cavalos e mesmo assim não será cem por cento fiável que efectivamente o sejam…
A imbecilidade anda mesmo à solta.
Soldados escravos do Império Otomano? É possível…
Parece-me que desconhece o significado de “Mameluco” no contexto colonial brasileiro… Sugere-se nova pesquisa…
Mas para que é que eu quero estudar a minha árvore genealógica? Não preciso.
Calculei que a sua resposta fosse essa. Claro que é sempre mais fácil viver de preconceitos e de ideias pré-concebidas do que conhecer e assumir certas evidências provindas da realidade, impossíveis de disfarçar ou anular. A ignorância é, muitas vezes, preferível ao conhecimento. Nada de novo, portanto.
Preconceitos? O preconceito que eu tinha era que toda a gente era igual. Mas não é.
Tom Jobim, Vinicius, Chico … não lhes chegas sequer aos calcanhares, meu velho.
Tom Jobim, Vinicius, Chico … não lhes chegas sequer aos calcanhares, meu velho.
Ainda bem que não meteste o Caetano à força aqui. Nesse caso, terias arruinado um argumento perfeitamente saudável.
Eu sei que tens saudades do Caetano (e sobretudo do Oliveira), meu velho.
“Estão verdes, não prestam…”. Deve ser isso…
“Você não entende nada”… https://www.youtube.com/watch?v=u_9PY5cc oUI&ab_channel=CaetanoVelosoVEVO
“Se o nariz de Cleópatra fosse mais curto, a face da Terra teria mudado”, escreveu Blaise Pascal, que desconhecia o tamanho do dito nariz, o que pouco interessava, já que o tamanho do dito nariz não tinha nada a ver com o que Pascal pretendia demonstrar.
Já para Obélix… era todo um mundo, “aquele narizinho”.
Inclino-me mais para a tese de Obélix.