Leituras


Pedro Correia,

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«Desde que qualquer sujeito perde o siso do coração, escusado é esperar que a razão lho restaure: em tão boa hora que ele o recupere depois de amargas provas.»

Camilo Castelo Branco, A Queda dum Anjo (1866), p. 125

Ed. Planeta DeAgostini, 2005. Colecção Biblioteca Camilo Castelo Branco 

7 comentários em “Leituras”

  1. O caro Pedro Correia, que entende destas coisas, sabe-me dizer qual é o texto polémico do Camilo em que, após um tal Tomás filho (também já li Mesquita filho) lhe ter prometido bengaladas, Camilo responde:

    “Parece que o Sr. Tomás filho deputa e delega na sua bengala o encargo de me dar umas bengaladas”.

    O Mário de Carvalho alude a esta polémica camiliana numa entrevista que deu ao programa Câmara Clara com Paula Moura Pinheiro (está no Youtube). Também, no segundo volume da Obra Escrita do João César Monteiro, se vê uma alusão à polémica no guião inicial das “Recordações da Casa Amarela” (naquela cena com o João Bénard da Costa, que inicialmente deveria ter sido muito mais longa).

    Ando, há anos, a tentar encontrar esse texto polémico de Camilo. Se o Pedro Correia (ou algum leitor deste blogue) me conseguissem indicar a referência, eu ficar-vos-ia muito grato!

    1. Recorri a várias inteligências artificiais e obtive várias respostas mas nenhuma faz referência a Camilo Castelo Branco.

      1ª – Este texto é de José Saramago, mais especificamente do livro “Ensaio sobre a cegueira”.

      2ª – Esse trecho é de José Saramago, mais especificamente do livro “Memorial do Convento”.

      3ª – Este texto é de Eça de Queirós.
      A frase faz parte da obra Os Maias.

      4ª – O texto é de Eça de Queirós.
      Esta frase, com a sua ironia característica, encontra-se na obra O Crime do Padre Amaro.

      5ª – Este texto é de Raul Brandão, mais precisamente do conto “O Pão Quente”.

      Parece que não lhe resta outra alternativa senão ler os livros mencionados.

      1. Caro amigo, agradeço-lhe sinceramente a trabalheira que teve, mas julgo que não é nada disso! Os livros que citou são todos muito bons, mas eu estava a referir-me realmente a um texto do próprio Camilo Castelo Branco.

        Se for ao Youtube e pesquisar “Mário de Carvalho Câmara Clara”, salte para o minuto 24:30 e verá o escritor aludir a esta polémica do Camilo – que, certamente, foi publicada em livro. É desse livro que ando à procura há anos!

        Na pág. 170 do segundo volume da “Obra Escrita” do João César Monteiro (editado pela Letra Livre), há uma referência precisamente a esta polémica do Camilo com um tal Mesquita Filho (ou Tomás Filho) – que, por ser Filho, deputava.

        Acho que muitas destas obras portuguesas mais obscuras ainda não constam nas bases de dados das IA, pelo que o ChatGPT pouco nos ajudará neste caso. Só mesmo os camilianos e a memória natural!

        1. Veja se esta resposta o satisfaz.

          “A frase “Parece que o Sr. Tomás filho deputa e delega na sua bengala o encargo de me dar umas bengaladas” pertence a um texto polémico (ou artigo) de Camilo Castelo Branco, e não a um romance.
          Embora o texto exato onde a frase é citada não seja um livro de ficção, ela é uma das muitas famosas frases espirituosas e sarcásticas que Camilo proferiu nas suas polémicas jornalísticas. A frase surge como resposta a um indivíduo (identificado como “Tomás filho” ou por vezes “Mesquita filho”) que teria ameaçado Camilo com bengalas.
          As polémicas de Camilo Castelo Branco encontram-se reunidas, por exemplo, na obra “Polémicas de Camilo”, compilada por Alexandre Cabral.”

          1. Muito obrigado!

            Ainda não chegámos lá, porque eu já tinha procurado nos nove volumes das “Polémicas de Camilo” (editadas pelos Livros Horizonte e organizadas por Alexandre Cabral) e não encontrei lá nenhuma polémica com um tal Filho…
            Mas já estamos mais perto!

            Quanto ao início da resposta, sejamos francos, o ChatGPT está meramente a repetir o que eu disse com ligeiras variações

  2. “O que ela tinha, como gozo antecipado das luzes de hoje em dia, era o bom siso de escutar seu pai e acender as tochas da razão para distinguir bem pelo claro um marido rico de um marido pobre.”

    Camilo Castelo Branco, “O Santo da Montanha” (1866)

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