Leituras


Pedro Correia,

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«Uma guerra não se limita a matar uns quantos milhares ou centenas de jovens. Mata qualquer coisa num povo que nunca mais se pode recuperar. E se um povo atravessar suficientes guerras, daí a nada a única coisa que resta é a besta.»

John Williams, Stoner (1965), p. 37

Ed. D. Quixote, 2023 (9.ª ed). Tradução de Tânia Ganho

23 comentários em “Leituras”

  1. Realmente a guerra não “mata qualquer coisa”. A guerra destrói tudo o que é caro para dar espaço a que floresça a selva de betão da reconstrução e o negócio das próteses.
    E o povo recupera sim, recupera. É só mudar o nome das avenidas, arranjar mais uns tachos, e em 20 anos estão todos a votar nos mesmos que os meteram na guerra, mas com mais tiques moralistas.
    A besta é o estado natural do tuga quando lhe dão um megafone ou uma bandeira.
    A guerra não cria bestas, legitima-as.

      1. “Pentagon Tells Congress It Doesn’t Know Who It’s Killing in Latin American Boat Strikes

        War Department officials don’t know the identities of the 61 people who have been extra-judicially executed in US military strikes on boats in the waters near Venezuela and in the Eastern Pacific Ocean, POLITICO reported on Thursday, citing House Democrats who attended a classified briefing on the campaign.”

        FONTE:
        https://scheerpost.com/2025/11/01/pentagon-tells-congress-it-doesnt-know-who-its-killing-in-latin-american-boat-strikes/

        Obviamente, ZERO críticas e ZERO sanções dos vassalos corruptos europeus contra o seu dono em Washington.
        E, claro, ZERO ajuda militar ou sequer humanitária para os países vítimas disto.

        Só mesmo no ocidente.
        A Alemanha de Hitler e Scholz e Merz, Espanha de Franco e Aznar e Rajoy, Portugal de Salazar e Costa e Montenegro, Itália de Mussolini e Draghi e Meloni, Ucrânia de Stepan Bandera e Poroshenko e Zelensky, França de Vichy e Macron, Reino Unido de Churchill e Thatcher e Boris e Starmer, EUA de Bush, Obama, Biden, Trump, a UE/NATO da Leyen, Kallas, Rutte, Stoltenberg, a “israel” de Netanyahu e companhia.

        Todos imperialistas, colonialistas, em vários sabores de fascismo, todos terroristas, criminosos de guerra, xenofobos, invasores ilegais, violadores de direitos humanos, provocadores de fomes, e GENOCIDAS.
        Ou seja, a “democracia e liberdade” ocidental.

        NOTA: peço desculpa pela comparação com Hitler. De facto, é incomparável, pois ao menos Hitler tinha vergonha e tentou esconder o genocídio dos Eslavos/Comunistas (27 milhões) e dos Judeus NÃO-sionistas (7 milhões). Já os nazis actuais (“democratas” Liberais), transmitem um GENOCÍDIO em directo, chamam-lhe “defesa”, chamam “reféns” aos reservistas das SS israelitas, e ainda se regozijam do extermínio de mulheres e crianças indefesas em frente às câmaras!

  2. Não se limita a matar uns quantos milhares ou centenas de jovens, não. Também mata anciãos, crianças e animais em doses redobradas.
    E no fim resta a besta, a única condição humana que se trouxe à nascença e que verdadeiramente sempre nos acompanhou.

  3. John Williams … mente.
    Como se à destruição, não se seguisse a criação, e novamente a reconstrução.
    A Natureza desmente este John Williams.

  4. Num encontro do Círculo Literário deliberamos sobre o romance do americano John Williams (1922-1994) Stoner, divulgado após 50 anos de esquecimento.

  5. Pedro Correia põe um texto em que se questiona “o que resta” quando se morre.
    E os comentários fogem a sete pés de debater essa importante questão, que já tinha preocupado Heraclito e Parménides, numa discussão em que se puseram em campos opostos.
    Têm medo de debater a questão?

    1. “o que resta” quando se morre

      Resta o corpo, ao qual tem que se dar um destino, para que ele não fique por aí a apodrecer, causando doenças.
      E restam as memórias dos vivos, claro, as quais são crescentemente imprecisas e evanescentes.

      1. Certo.
        Mas como podem restar memórias se aquele que as tinha já não tem senão um corpo morto?
        Haverá um qualquer ‘resto’ (uma qualquer ‘coisa que resta’) do Ser quando o seu Corpo morre? Ou não?
        Essa é a parte difícil da questão. Que tem perseguido esse debate desde o início da Humanidade (por ex. entre Parménides e Heraclito, ou, modernamente, entre Ph. Descola e Dan Sperber, entre muitos outros).

        Se houver qualquer ‘coisa que resta’ depois do corpo se ir, então, Descartes tem razão. E quem afirma que Descartes errou, cometeu um erro.

  6. Quando Williams escreveu isto os EUA estavam a atravessar a guerra do Vietname, após terem atravessado a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Coreia. Daí a nada a única coisa que restaria dos americanos seria a besta.

      1. são umas bestas , os americanos , hoje em dia

        Eu não disse tal coisa… Só escrevi que, se Williams estivesse certo, então os americanos por volta do ano 2000 seriam, maioritariamente, umas bestas.

          1. a epitome é o trump

            Talvez não… antes dele tivemos Clinton, que derramava sémen nos vestidos azuis de uma estagiária (nem sequer sabia onde se deve largar o sémen, o parvo) e depois, para fazer o povo esquecer isso, se pôs a bombardear a Sérvia de forma selvagem.

            Vítima de envenenamento por chumbo, tal como aventei em comentário mais abaixo.

  7. Há também a teoria de que por volta do ano 2000 os americanos seriam vítimas em massa de envenenamento por chumbo, o qual causa desarranjos mentais e potencilmente tendências violentas.
    A história é simples, os americanos pintavam as suas casas (maioritarimente feitas de madeira) com tintas contendo chumbo. Com o tempo essas tintas iam descascando e o chumbo que elas continham ia parar ao ar. Para piorar a situação, a gasolina era aditivada com um composto de chumbo (o tetracloreto de chumbo, salvo erro) para lhe dar mais octanas. A gasolina queimada também libertava chumbo para o ar.
    Consequência, a concentração de chumbo no sangue dos americanos veio sempre a subir até por volta do ano 2000. Os americanos sofriam maciçamente de taras provocadas pelo envenenamento por chumbo.

    1. Pois, pois, desculpas… Se não são os hambúrgueres é o chumbo, se não são os hambúrgueres nem o chumbo são os atavismos que ficaram da Conquista do Oeste ou da Corrida ao Ouro – quando ainda não havia hambúrgueres nem mixórdias com chumbo e já a “tara” americana da violência (e da ganância) era infecciosa.

  8. Guerra…

    Cumpri o Serviço Militar Obrigatório em 1982 e em 1983,
    durante dezasseis meses. Percurso feito no Exército,
    em três quartéis: Regimento de Infantaria de Beja (Beja),
    Batalhão de Caçadores 5 (Lisboa) e Chesmati – Chefias
    do Material de Instrução (Lisboa), neste último durante doze meses.

    Portugal participou em muitas guerras desde que existe.
    Guerras próprias e alheias. Enumerá-las seria fastidioso
    e iria originar uma longa lista com datas, locais, nomes,
    resultados e as razões. Para além disso, quem se interessa
    pela História de Portugal, sabe onde está essa informação
    (não me estou a referir à Internet).

    Quanto ao John Williams, autor que nunca li, pela curta
    transcrição, não vai merecer a minha leitura…

    Nem sei se a tradução foi bem feita…

    “Uma guerra não se limita a matar uns quantos milhares
    ou centenas de jovens. Mata qualquer coisa num povo
    que nunca mais se pode recuperar. E se um povo atravessar
    suficientes guerras, daí a nada o que resta é a besta.”
    (John Williams, “STONER”, 1965)

    Claro que uma guerra mata jovens, aos milhares ou às centenas.
    Mulheres grávidas com os seus fetos, bebés, crianças,
    adolescentes, adultos jovens, adultos de “meia-idade” e adultos
    idosos (m/f) morreram em guerras.
    Uma guerra mundial mata milhões e de todas as idades, como
    já aconteceu.
    Mas será que o John Williams se referiu apenas a jovens por
    serem a garantia da continuação de um Povo? Creio que sim.

    A seguir, o John Williams escreve “qualquer coisa” (“something”).
    Mas “qualquer coisa”, para o John Williams, é o quê?

    A última palavra, na transcrição, é “besta”.
    Mas qual “besta”?
    A “besta” do Apocalipse (BÍBLIA)?

    Aparentemente, para o John Williams, um povo
    pode ser uma espécie de ser único e indivisível.

    Para mim, é…

    Cumprimentos.

    João Barros da Costa

  9. A essência do pragmatismo é a praticidade. Sejamos então práticos: a luta pela egemonia mundial é clara. EUA e China procuram a supramacia. A federação russa não quer ficar para trás.
    Como ocidental, a escolha é óbvia: Somos nós contra eles. Os defensores de regimes como o chinês ou o russo, habitam numa zona errada.

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