Leituras


Pedro Correia,

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«Se ler é um dos prazeres – e necessidades – da juventude, reler é um dos prazeres – e necessidades – da velhice. Sabemos mais, compreendemos melhor tanto a vida como a literatura e, além disso, interessa-nos comparar o nosso eu mais jovem com o nosso eu mais velho.»

Julian Barnes, Mudar de Ideias (2025), p. 81

Ed. Quetzal, 2025. Tradução de Salvato Teles de Menezes

6 comentários em “Leituras”

  1. Também já tínhamos chegado à mesma conclusão por aqui, creio que sobre a releitura de Júlio Verne e outros autores que nos entusiasmaram na infância e juventude. Relê-los, e descobrirmos que ainda gostamos de os ler, é a melhor maneira de reencontrarmos quem fomos nos nossos verdes e frescos anos.

  2. 📚 Livros vs Bits & Bytes

    Cenário: Um café com Wi-Fi gratuito.
    Um Jovem (20, hoodie, auscultadores)
    Um Velho (75, blazer gasto, um exemplar de Eça na mão) bebe um café.

    Jovem (Sem levantar a cabeça): Isto está lento. Preciso de um upgrade. Esta coisa não me deixa ler 10 mil tweets de uma vez.

    Velho: Experimenta o papel. É infinito. E não te chateia com upgrades.

    Jovem: Papel? Ah, sim. O formato pré-histórico. Por acaso só uso para embrulhar o peixe. Já agora o que é que estás a ler? Essa capa tem um ar… esquisito.

    Velho: É Eça de Queirós. E não estou a ler, estou a reler. Há 50 anos li por moda. Agora leio por medo. Medo de ter percebido tão mal na altura.

    Jovem: Medo? Eu não tenho medo. Eu scrollo. Sabes o que é que a tua “releitura” tem de falível? Não tem hiperligações. Não consigo saltar para um resumo no YouTube.

    Velho: E o teu scroll não tem cheiro. Não tem a memória do sítio onde o leste. Lês 10 mil tweets por dia. Quantos entendes? Quantos guardas?

    Jovem: Guardar? Para quê? Fica tudo na Nuvem. Não preciso de estantes. E eu não guardo, produzo. O teu livro é a voz de um morto. O meu feed é a voz de milhões… a maioria idiotas, mas são actuais.

    Velho: Os idiotas da minha estante ao menos são clássicos. E os teus são o quê?
    Os livros que metes na Nuvem são para esquecer. O papel não, o papel está aqui.

    Jovem: (Suspira, faz uma foto ao café) Ok, boomer, tens razão. Vou publicar isto: “Velho com livro, dificuldade em mudar.”

    Velho: (Fecha o livro, sorri secamente) E eu vou escrever: “Jovem com telemóvel, dificuldade em pensar.”

  3. A vida não é fixável. Logo, jamais poderá ser compreendida com o acto de fixá-la (leitura).
    Assim sendo, a vida nunca pode ser relida. Pois o que se volta a ler nunca se leu.
    A Vida, tal como o ser-humano ou a cognição, não são coisas. São relações entre coisas.

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