Leituras


Pedro Correia,

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«O homem durante muito tempo ameaçado por um perigo acaba por desejar que ele se manifeste, porque a expectativa de uma catástrofe inevitável é mais horrível do que a realidade.»

Jules Verne, O Chancellor (1874), p. 79

Ed. Sistema Solar, 2019. Tradução de Aníbal Fernandes

2 comentários em “Leituras”

  1. Pode um texto de 1874 ser comentado em 2025?
    Poder, pode.

    Terá algum interesse?
    Depende da qualidade dos comentários…
    Vamos ver…

    Vamos imaginar que vai haver uma guerra com vários países.
    Um ditador travestido de democrata decide expandir o seu país.

    Começa por ocupar partes de países limítrofes.
    A reacção é pífia. Uns discursos a condenar o sucedido.
    Umas sanções pouco relevantes, logo contornadas.

    Os países, com partes ocupadas, têm armas obsoletas.
    Do ponto de vista militar, não têm qualquer hipótese.
    São presas fáceis. O ditador não arrisca. É cobarde…

    Outros países limitam-se a acompanhar a situação.
    Não são eles a serem invadidos…

    Vendo que os outros países nada fazem, o ditador continua.
    Rejubila. Um a um, vai ocupando países. Os mais fracos, claro…
    A área ocupada já é tão grande como o seu país de origem.

    Porque parar não se coaduna com a sua maneira de ser, continua.
    Mais umas sanções. Mais uns discursos sem importância.
    A ocupação segue a bom ritmo. Ocupado um continente, pára.
    Por enquanto…

    O perigo manifestou-se. A expectativa tornou-se realidade.
    Não houve oposição…

    O mal combate-se, não se contempla nem se admira.
    Destrói-se. E quanto mais depressa, melhor.
    Simples e eficaz…

    João Barros da Costa

  2. Eu nem preciso de estar muito tempo ameaçada por um perigo não manifesto, sou do tipo de ouvir um barulho esquisito na casa à noite e ir logo ver o que seja, ou insinuarem-me uma ameaça e pôr logo tudo em pratos limpos.
    Tudo menos ficar à espera, o contra-ataque rápido é sempre a melhor defesa – e algumas experiências durante a vida sedimentaram esta minha reação instintiva em comportamento metódico.

    Li este livro de Júlio Verne, com o título “A Galera Chancellor”, numa biblioteca escolar já há muito, muito tempo; e recordo-o como assaz deprimente e excepcional na obra de aventuras do autor que tanta notoriedade e sucesso lhe proporcionaram, e a mim tão bons momentos de leitura.
    É certo que os livros de Verne não são destituídos, pelo contrário, de personagens e episódios malévolos e cruéis – fazem até parte do seu encanto, digamos assim, uma vez que a virtude acaba sempre por vencer mesmo depois das maiores desgraças e injustiças.

    Mas talvez eu ainda não tivesse idade para aceitar com sabedoria a surpresa (e frustração…), de este não ser um “Júlio Verne” como os outros. Ou talvez não tenha gostado mesmo?
    A reler, portanto. Até já tenho em vistas o “pai natal” que mo vai oferecer, eheheh.

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