
«Em Portugal, chamam de carrinha um carro grande. Nunca vou entender. Mas ainda é melhor do que autocarro – o ônibus deles. Todo carro é um automóvel. O ônibus não é mais auto que o carro. É mais alto, com L. Faria sentido se fosse altocarro.
A melhor culinária brasileira é toda diminutiva: escondidinho, empadinha, queijadinha, picadinho. Não gosto muito de caldo, mas adoro um caldinho. Não gosto tanto de caju quanto de cajuzinho. Gosto de coxa, mas prefiro a coxinha. Bolo tem sua graça, mas bom mesmo é um bolinho. (…) Chamamos de soneca um sono curto, mas de soninho um sono gostoso. Sonequinha é um sono ao mesmo tempo curto e gostoso.»
´Gregorio Duvivier, À Flor da Língua, pp. 120-121
Tinta da China, 2026

“Mas ainda é melhor do que autocarro – o ônibus deles.”
A falsa modéstia, a falta de inteligência e a falta de cultura dão nisto. A noção de automático em “autocarro” e em muitas outras coisas refere-se ao uso. Quando andamos de autocarro precisamos de conduzi-lo?
Relê o que ele escreveu, a ver se chegas lá.
Tá mas é caladinho.
Realmente, é um textinho tão levezinho, tão fofinho e tão inofensivozinho que até dá vontade de dar um palmadinha nas costinhas do autorzinho.
Não devias ter abandonado a escola.
Proveitoso para lembrar que carrinha não é o feminino de carrinho E que bus vem do latim.
Quanto aos diminutivos, não sei se os irmãos brasileiros têm algo a ensinar-nos… Vou ali despachar uma francesinha.
“Todo carro é um automóvel.”
Ainda há bois que não concordam.
… e um carrinho de linhas causa uma explosinha …
Também há carros de bois. Agora em Cuba, por exemplo, voltaram a estar na moda.