


Aproveitando escassos dias de férias, regresso ao passado. Com um livro de Júlio Verne que me agarra desde as primeiras linhas: O Chancellor (edição Sistema Solar).
Na infância e primeira adolescência, li pelo menos vinte obras dele. Todas empolgantes, todas inesquecíveis: Miguel Strogoff, Viagem ao Centro da Terra, O Castelo dos Cárpatos, Vinte Mil Léguas Submarinas, Da Terra à Lua, A Volta ao Mundo em 80 Dias, Cinco Semanas em Balão, A Ilha Misteriosa, Um Herói de Quinze Anos, Dois Anos de Férias, O Náufrago do Cynthia, O Bilhete de Lotaria, Cloris Dardentor, Os Filhos do Capitão Grant, Os 500 Milhões da Begum, Matias Sandorf, A Mulher do Capitão Branican, O Farol do Cabo do Mundo…
Basta anotar estes títulos para sentir despertar excelentes memórias. Enquanto acompanho a saga do Chancellor, navio mercante que acabou de zarpar de Charleston a caminho de Liverpool com 32 pessoas a bordo – nove passageiros e 23 marinheiros. Será uma viagem atribulada? Parece-me que sim.
Mas não tenho pressa em saber. Leio devagar: assim sabe melhor ainda.

> li pelo menos vinte obras dele
Eh, quem não, mas está fora de moda. Os 500 Milhões da Begum tinha um enredo exemplar – o nobre cientista francês usa os fundos para construir uma vila modelo promovendo a saúde dos habitantes segundo todos os princípios modernos, e o malvado cientista alemão constrói uma infernal siderurgia para fabricar um supercanhão para destruir a dita vila …
De algum modo profético, também nisso. Antevendo o imperialismo germânico que abalou toda a primeira metade do século XX.
Creio que os livros mais populares em França são hoje ‘O Principezinho’, ‘Os Miseráveis’ e ‘O Estrangeiro’. Nada de novo.
Verne vale sobretudo pelo conjunto da obra, mais do que por um título ou outro – embora ‘A Volta ao Mundo em 80 Dias’ e ’20 Mil Léguas Submarinas’ sejam romances excepcionais, sob qualquer prisma. E que foram encontrando novos públicos à boleia do sucesso alcançado em diversas adaptações ao cinema.
Dos livros que refere li 9 livros desta colecção da Bertrand dos livros de Jules Verne na infância/adolescência e ainda recentemente reli os três volumes de “A Ilha Misteriosa”. Jules Verne para além de ser um excelente escritor foi um visionário.
Os melhores cumprimentos.
Sim, foi um visionário. Do avião, do helicóptero, do submarino, do batiscafo, da televisão, dos foguetões lunares, dos satélites artificiais, das viagens aos pólos. Um homem muito à frente da sua época – e que, ainda por cima, escrevia muito bem. Limpando a escrita de adjectivos inúteis, como elogiava o poeta Apollinaire. O cânone académico francês, com as suas luminárias exigentíssimas, já reconheceu esta evidência, consagrando-o entre os maiores.
só falta confirmar a Terra oca
estou convencida que há um mundo aqui debaixo por causa dele. 
Só falta isso, sim.
Porque é que a palavra “capitão” nos títulos dos livros está num caso com minúscula e no outro com maiúscula?
Um era de cavalaria, o outro era de infantaria.
Na casa da Quinta onde íamos em fins de semana alternados s passávamos um mês de férias, existia a toda a velhinha colecção da Bertrand, com capa dura em vermelho e negro. Leitor precoce, li tudo de Júlio Verne antes de completar 10 anos. Paguei-o caro. Já não me lembro se pharmácia se telephone, o que é certo é que tive um erro de ortografia, o suficiente para me roubar a distinção no exame da 4ª classe e me obrigar a fazer o exame de admissão ao Liceu.
Conheço essa colecção mais antiga, mas já não a apanhei como leitor. As minhas leituras de Verne passaram quase todas pela série da Bertrand a que aqui presto homenagem reproduzindo várias capas. Um desses livros, ganhei-o como prémio no antigo primeiro ano do ciclo preparatório (equivalente ao actual 5.° ano), o que me levou a estimá-lo sempre muito (tenho-o encadernado) e a lê-lo com prazer especial.
Sempre gostei desta mescla entre um grafismo nosso contemporâneo e as gravuras originais do século XIX.
Em anos mais recentes, a Bertrand relançou Verne em edições de capa preta, muito cuidadas mas com menos impacto visual (pareciam ter todas a mesma capa).
Este livro da editora Sistema Solar, com excelente tradução e prefácio de Aníbal Fernandes, é uma pequena preciosidade. Recomendo-o muito.
Caro Pedro Correia…
Li alguns livros do Jules Verne (1828-1905), publicados pela Bertrand.
Possuo uma primeira edição (Nota – A original em francês.):
CINC SEMAINES EN BALLON
Jules Verne
J. Hetzel et Cie.
Paris
s/a (1864)
Ilustrado (com muitas gravuras).
(4) + 267 páginas.
27,3 cms. X 18,5 cms. X 2 cms..
Encadernado (sem a capa).
Comprei-o por 13,50 € (era 15 €).
Foi na Livraria Clepsidra (Centro Comercial de Massamá),
na Segunda-Feira, 16 de Abril de 2007.
Essa livraria tinha livros recentes e alguns antigos.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Leu? Gostou? Não gostou?
Mais importante isso do que revelar o formato do livro. Penso eu de que.
Ainda hoje o leio com prazer. É sem dúvida um dos grandes autores da minha infância, que contribuiu muitíssimo para o meu gosto pela leitura, pelo conhecimento em geral e para uma certa clareza moral, porque não? As suas personagens, heróis ou vilões, são muito bem caracterizadas, muito bem definidas.
Depois, tinha também uma pecha romântica, há belas histórias de amor nos livros de Júlio Verne…
Verne era influenciado pela escola romântica. Dumas foi um dos seus mestres.
Acabo de descobrir, com este romance para mim inédito, que o prazer da leitura dos seus livros se mantém intacto.
O que equivale a dizer que o Pedro mantém intacta uma parte de si… É um sentimento deveras reconfortante, pelo menos para mim, reencontrar esse prazer numa leitura que me marcou em jovem. É um risco, também, porque nem sempre esse reencontro acontece.
Dumas é outro exemplo disso, talvez ainda melhor exemplo, por ser um autor com personagens mais complexas, mais ambíguas, e com poucos finais felizes. Mas até lá se chegar, ao final pouco feliz, que histórias, que gente, que paixões extraordinárias! Releio regularmente Dumas e sempre com grande prazer.
Recomendo-lhe muito a leitura deste “O Chancellor”, Zebra. Excelente obra, excelente tradução, excelente editora.
Hoje, ao ver no Instagram uma ilustradora inglesa que sigo, a pintar a aguarela um balão de ar quente, foi inevitável não pensar nas “Cinco Semanas em Balão” do Jules Verne… bem que me apetecia subir num, mas dá cá um medo! Já li quase todos de que fala. Estimo o “Miguel Strogonoff” (com dizia um tio, quando a série passou na RTP), mas Volta ao Mundo em 80 Dias e 20000 Léguas são dos que me fazem sonhar e querer viajar e conhecer mais.
Obrigada pelas memórias que me trouxe!
Paula Nunes Lima
Paula, acabo de verificar com esta recente obra editada em Portugal que a magia de Verne como escritor permanece intacta. E foi com alguma satisfação que me redescobri também com um certo prazer adolescente da leitura.
Devo-lhe isso, devemos-lhe isso.