Literatura é feminina


Pedro Correia,

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Aos poucos, nesta era que presta culto ao género neutro, espalhou-se a tendência: comecei a ver por quase toda a parte alusões ao Prémio Nobel “de” Literatura. Por óbvia influência brasileira.

Tenham lá paciência: é algo que soa muito mal. Literatura é palavra feminina. Para quê desfigurá-la? 

Não existe Prémio Nobel “de” Química. Nem oiço menções ao Nobel “de” Economia. Ainda menos ao Nobel “de” Paz, o tal que Donald Trump sonha receber naquela delirante competição com o laureado Barack Obama, seu antecessor na Casa Branca. 

Nem escrevemos prêmio, como os brasileiros. Acento agudo, não circunflexo.

Basta de complicar o que é simples, deixemos de alterar o que já foi consagrado. E percamos o péssimo hábito de correr atrás de tudo aquilo que nos pareça a moda mais recente. Nada é tão velho como certas coisas que parecem novas.

50 comentários em “Literatura é feminina”

  1. Ao estudar várias línguas, com diferentes sistemas de géneros evoluídos ao longo de séculos e milénios, esta questão parece-me pertinente, e não apenas um “complicar o que é simples”.

    No português só existe o masculino e o feminino, mas o “de” sempre ajuda a dar alguma neutralidade. Não tem mal nenhum, pelo contrário, até faz bem. Ex: cartão de cidadania.

    Noutras línguas, como o Inglês, há o sujeito neutro “it”, para além do masculino “he” e do feminino “she”. Mas os adjectivos não mudam de género, por exemplo, um homem e uma mulher são ambos “red”. Não existem lá o vermelhO e a vermelhA. Por vezes até os plurais são iguais aos singulares: “news”.

    No Russo há 3 formas diferentes de terminar palavras consoante o género seja masculino, feminino, ou neutro. Na realidade há N formas diferentes de terminar as palavras em Russo (até os nomes das pessoas e das cidades mudam, consoante o verbo que lhes é aplicado), mas isso é apenas uma de muitas complicações daquela língua que não interessam para este exemplo. O curioso é muitos plurais terminarem em “i”, tal como no Italiano.

    Nas línguas nórdicas (até agora estudei mais o Dinamarquês e o Norueguês) há ainda uma situação mais interessante: não há género masculino nem feminino. Há o género neutro e o género comum, que nada têm a ver com sexos. Por exemplo quer o homem (en man), quer a mulher (en kvinde), quer um cão (en hund) são do género comum, mas um bebé (et barn) ou uma casa (et hus) são do género neutro.
    É ainda mais complicado pois não obedece a qualquer regra lógica. É simplesmente uma questão de ir decorando caso a caso, tendo em conta a forma como a língua evoluiu naturalmente.

    Ora, as línguas não são uma estrutura perfeita em lado nenhum. A mutação constante das línguas é a sua forma natural de ser, e os Acordos Ortográficos ao longo dos séculos apenas oficializam a coisa. Quem se queixa da confusão do’antes’ e do ‘depois’ do AO1990, é porque nunca viu o que os Noruegueses fizeram com uma divisão ortográfica dentro do próprio país, que resultou num Norueguês “bokmål” (de grafia ainda semelhante ao Dinamarquês) e num Norueguês “nynorsk” (de grafia adaptada ao som do Norueguês moderno).

    Ora, para a língua Portuguesa, termos um AO1990 que (apesar de eu achar que comete alguns erros/excessos) tenta unificar a língua, é um privilégio. E a adaptação a uma forma mais neutral de falar é também uma excelente evolução, que só pode dar ainda mais riqueza à nossa língua. Não é “complicar o que é simples”. É evoluir. Ou melhor, é a língua a acompanhar a natural evolução da sociedade.

    Dito isto, neste caso até concordo com o autor, mas por um motivo diferente: a questão entre o Nobel “de Literatura” vs “da Literatura” não é apenas de género, é tão ou mais técnica que a questão entre o Presidente “de Câmara” vs “da Câmara”.
    O Presidente DA Câmara, refere-se a um município em específico, enquanto o DE Câmara se refere à função em geral.
    No caso do prémio, um Nobel DA Literatura, é um prémio de uma coisa específica, enquanto que um DE Literatura é um prémio de toda a literatura.
    Seria como um prémio DE cinema (relativo a toda a sétima arte) ou um prémio DO cinema (relativo a um local específico). A diferença parece pequena, mas existe.

    Quanto ao Nobel propriamente dito, desde 2009 que não tem valor. Barack Obama recebeu um só por ser eleito. Um prémio da PAZ dado a um imperador criminoso de guerra, assassino, colonizador, golpista, terrorista, invasor, genocida. No final dos seus 8 anos de opressão global, tinha mandado disparar 26 mil 171 bombas em pelo menos 7 países (fora a informação classificada sobre guerras proxy e golpes sangrentos que só se confirmará décadas mais tarde).

    A meu ver, Trump está só a ser um troll em nome da facção Nacionalista/Conservadora do império. Um troll com que a facção Globalista/Woke do império merece levar no focinho.

    Se há alguém que merece o Nobel da Paz em 2025, é o Irão. Foi atacado e bombardeado da forma mais covarde possível, mas apesar do casus belli, conteve-se em nome da paz. Outro bom candidato é o movimento Ansar Allah no Iémen, o único a fazer alguma coisa para travar o GENOCÍDIO na Palestina ilegitimamente colonizada pelos agressores sionistas/nazis (assim já o diziam Einstein e Arendt em 1948).

      1. Eu só comentei o teu post, ON-topic, sobre a questão linguística.

        Mas você sonha com o Putin a toda a hora… A NED/USAID pagam uma avença assim tão choruda, ao ponto de você até sonhar com a propaganda/cartilha que eles lhe enviam?

        Está a falar da Moldávia? O país onde a oposição patriótica teve 49% dos votos, e onde a agente traidora corrupta ocidental teve só 44% dos votos, mesmo após tanta censura, prisão política, manipulação, corrupção, fraude, etc?

        Na Moldávia ganharam os patriotas. Se os patriotas são pró-Putin, isso diz muito sobre o que é ser “europeísta”…

        Nestas eleições na Moldávia, a agente ocidental Sandu só passou dos 44% para os 51% graças à manipulação e fraude eleitoral e votos por correspondência nas embaixadas nos países ocidentais.

        Para isso fizeram também supressão de voto na Transnístria (aka Pridnestróvia) e na Gagauzia, na Bielorrússia e na Rússia, onde só abriram 2 urnas de voto (no maior país do Mundo) e onde os 10 mil boletins de voto não davam sequer para os voros de todos os Moldavos que já tinham expresso previamente a vontade de votar.

        Mesmo com tudo isto, a agente corrupta e traidora Sandu, ao serviço de Washington e Beuxelas, mais Romena do que Moldava, foi sempre ameaçando invalidar as eleições caso (mesmo com manipulação e fraude) ela não conseguisse manter-se no poder.

        Para isso contaria com a ajuda dos “juízes” que ela escolheu, inconstitucionalmente, para o Supremo Tribunal.

        Uma ditadura de facto. Uma província cdaa vez mais vassala do império. Corrupção e mentira.
        É isto a “democracia e liberdade” no Ocidente…

        Segue-se o quê? Guerra proxy dos nazis ucranianos contra a República Pridnestróvia? Ocupação da Gagauzia por parte de porcos imperialistas e criminosos de guerra da NATO, tal como fazem nas regiões SÉRVIAS do Kosovo e da Srpska?

        PS: comenta isto: “Ukraine nominated Trump for the Nobel Peace Prize”.

        Então os teus “heróis” anti-Putin nomearam o “agente do Putin”? Ahahahah Que palhaçada. A vossa propaganda chegou ao ponto em que já nem conseguem manter a coerência sequer de uma frase para outra.
        A tua cabeça agora até deve deitar fumo: vais criticar os vassalos ucranianos ilegítimos e nazis, ou vais deixar de repetir a mentira sobre o imperador Trump, “Presidente da Europa” segundo artigo do Politico, ser um “agente do Putin”?

        PS2: gostei muito das minhas férias de Verão na Rússia, passadas a dar mergulhos nas águas do Mar Negro, em Adler (Sochi), em Sevastopol (Crimeia), e depois também em Mariupol (República de Donetsk), uma cidade linda agora que está reconstruída e tem a sua população de volta e livre de nazis. Ajudar a economia local e os Russos e Ucranianos anti-nazis a recuperar, foi o melhor dinheiro que já gastei na vida.
        #orgulho

        Espero em breve fazer o mesmo na Palestina após a libertação da ocupação nazi-sionista genocida, desde 1947 baseada em colonização racista ocidental com massacres, terrorismo, limpeza étnica, e apartheid. Uma abominação aprovada pela ditadura fascista de Salazar (como condição prévia para a NATO fazer a defesa do Estado Novo de 1949 em diante) e por todos os “democratas” Liberais ocidentais.

    1. “Não é complicar o que é simples. É evoluir. Ou melhor, é a língua a acompanhar a natural evolução da sociedade.”

      As línguas vivem graças aos seus falantes. Qualquer um desses falantes tem o direito de rejeitar algumas das novas formas que tentem surgir numa língua (e aceitar outras). Isto, se quisermos que as línguas acompanhem a evolução “natural” da sociedade (em vez de uma evolução “imposta” à sociedade).

      As línguas não podem (ou não devem) ser alteradas meramente por decreto. É oconjunto dos falantes que aceita ou rejeita as novidades que vão sendo introduzidas.

      Como tal, o Pedro Correia tem todo o direito de considerar este “Nobel DE Literatura” uma aberação.
      Para mim, dizer “de” Literatura ou “da” Literatura é praticamente igual. Nem tinha dado pela diferença. Mas não impeço ninguém de se insurgir contra o “de”, se o “de” lhe parece mal.

    2. Agradeço os doutos conhecimentos da primeira parte da sua resposta, a merecer reflexão. Quanto à segunda parte:
      a) concordo que Obama não devia ter tido nenhum nobel – especialmente por ter dado o amén a Wall Street no rescaldo da crise de 2008, um crime muito maior do que qualquer bomba lançada. (sugestão cultural: Os Banqueiros Vão Nus de Anat Admati e Martin Hellwig – Gradiva | Offshoring, livro de John Urry – Polity Books). ESTE devia ser o tema principal dos populistas (e dos outros partidos), não a imigração!
      b) discordo que Trump seja o que a América democrática merece. A continuar esta “race to the bottom” qualquer dia estamos outra vez na Idade Média. Onde é que estão os adultos na sala? (Sugestão cultural: o filme Idiocracy)
      c) O Irão não merece prémio nenhum enquanto subalternizar as suas mulheres
      Boas leituras

    3. Grande coisa.
      ” mil 171 bombas em pelo menos 7 países (fora a informação classificada sobre guerras proxy e golpes sangrentos que só se confirmará décadas mais tarde).
      Se só se confirmassem décadas mais cedo, isso sim, espantar-me-ia buéés.
      Mas não ligue, sobre a língua e preposição “de” da minha Pátria falante a minha sabedoria brilha pela ausência.
      Sem que, não saiba que a palavra literatura é feminina. Até isso nos querem levar depois de se terem afiambrado ao nosso look, pose, atitude, requebros e suspiros e só vão parar quando souberem bater a pestana a preceito. É isso?
      Depois, vá-se lá compreender as mulheres mais as estúpidas manias feministas delas.
      Posto isto, o Pedro Correia tem toda a razão. Prémio da literatura e não de literatura.
      Mas gostei muito da sua dissertação linguística com especial ênfase sobre a Dinamarca e a Noruega.
      Entrei ignorante e saí na mesma burrinha, mas continuo na mesma bonita e feminina.

    4. Se bem percebi, falando do Nobel, os laureados são Prémios de Paz mas os prémios serão da Paz. Não devo ter percebido mas, tal como V., nem me interessa nem contesto esta ou outra conclusão.
      Mas se a língua evolui e não reflui, já o pensamento tem dias. O do autor terá estacionado por 1917.
      Se concordo com a apreciação de Obama (que não foi imperador pois os únicos imperadores eleitos que me lembro são os do Sacro-Império Romano-Germânica mas com apenas sete eleitores) e tem outros pecados além dos referidos, já discordo de Trump. Primeiro porque numa longa lista foi o único presidente dos EUA que, no primeiro mandato, não iniciou nenhuma guerra. Segundo porque, pondo de parte os bombardeamentos cirúrgicos no Iémen, Síria e Irão, neste segundo mandato, tentou de facto acabar com meia dúzia de guerras e conseguiu em algumas, uma das quais – R.D. Congo vs. Ruanda – podia só por si, justificar o prémio.
      Sobre Trump, vejo a esperada hostilidade do partido democrata e vejo noticiadas divergências de sectores republicanos, mas nunca vi identificar esses sectores com a indústria farmacêutica (ameaçada por Kennedy) nem com o complexo industria-militar, sobretudo quando reduziu e suspendeu o apoio militar à Ucrânia. Mas serei eu que estou distraído.
      Claro que Trump é egocêntrico a rondar o narcisismo e tem um fraco compromisso com a verdade e nenhum com a boa educação e não será um pacifista de sólida formação ideológica. Mas, se todos lhe apontam os defeitos e até o projecto para a Gaza, ninguém parece reconhecer a vantagem de, ao contrário de farmacêuticas, indústrias de armamento e construtoras, vir de sectores, o imobiliário e o entretenimento, que não prosperam ou nem são possíveis em guerra.
      Mas o máximo (se calhar devia dizer clímax, dadas as semelhanças com uma ejaculação) deste comentário de Carlos Marques, é a proposta do Nobel da Paz para o Irão. Como se a condição para o ganhar não fosse terminar, impedir guerras ou nelas prosseguir actividades beneméritas ou misericordiosas, mas fomentá-las através de “proxies”. Desconheço conflito que o Irão tenha terminado e teve pelo menos o envolvimento militar directo numa guerra civil (Síria) e a lista dos seus “proxies” que a fomentam é longa: Hezbollah (Líbano), Houthis (Iémen), Hamas e Jihad Islâmica (Gaza), Fatah (Cisjordânia por interposto Hezbollah), Brigadas Al Ashtar e Al Mukhtar (Bahrein), Kataib Hezbollah, Asaib Ahl al-Haq, Harakat Hezbollah al-Nujaba, Organização Badr e Kataib Sayyad al-Shuhada (Iraque), Brigada Zaynabiyoun, Divisão Fatemiyoun (Síria).

    5. se primeiro-ministro israelita Menachem Begin, ex-líder do grupo terrorista Irgun, recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1978 não estou a ver porque o trumpetas não pode ganhar

      1. Mais facilmente ganha o Nobel da Química por ter alterado a fórmula da Coca Cola ou o Nobel da Medicina por ter descoberto uma relação directa entre o paracetamol e o autismo.

  2. Totalmente de acordo. Por vezes, o povo português não merece a língua portuguesa. A língua portuguesa é fantástica, rica de expressões, carregada de subtilezas e sentidos por descobrir. É de recear que a língua portuguesa se aborreça com tanto avacalhamento e, um dia, emigre para outras paragens e deixe o povo português a falar alguma outra coisa, estranha e vil, povoada dos “alavancares”, “compaginações” e “perspetivares” que os imbecis têm vindo a inventar. Pobre Camões, pobres Camilo e Eça… mereciam outras gentes a herdar a sua língua. Mas parece que o uso de neurónios anda arredado destas terras.

    1. Quando uma coisa intitulada “Jornal de Letras” dedica a manchete ao bicentenário de Camilo ilustrando-a com uma imagem de Eça sem que nenhuma alma naquela espécie de pensão Estrelinha tivesse detectado o erro de palmatória em tempo útil, fica tudo dito sobre a decadência do nosso “jornalismo cultural”.

    2. “mereciam outras gentes a herdar a sua língua.”
      De acordo.
      A língua nunca devia mudar nem evoluir nem inventar palavras horríveis. Devíamos todos falar a língua genuína de há 1.000 anos. Como se pode dizer “avião”? Até parece uma ave grande e não é.

  3. Concordo em absoluto. O trágico acordo ortográfico destrói a bela língua portuguesa e agora em que se tenta introduzir a linguagem “woke” na escrita chegamos por fim à beira do abismo.
    Os melhores cumprimentos.

  4. ✅ Português de Portugal (Europeu):
    ✅ Prémio Nobel da Literatura
    ✔️ Usa-se “prémio” com acento agudo no “e”, e a preposição correta é “da” (contração de “de” + “a”).
    ✅ Português do Brasil:
    ✅ Prêmio Nobel de Literatura
    ✔️ Usa-se “prêmio” com acento circunflexo no “e”, e a preposição mais comum é “de” (sem o artigo definido “a”).
    ✅ Comparação: Variante Forma correta
    PT-PT Prémio Nobel da Literatura
    PT-BR Prêmio Nobel de Literatura

    Conclusão: Para a figura estar correcta teria de estar ” PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA “

      1. Na imagem ainda se vê melhor a unificação: PRÉMIO está em português de Portugal.
        NOBEL DE LITERATURA está em português do Brasil ( brasileiro ).

  5. Em espanhol: Premio Nobel de Física, de Química, de Literatura. (Mas: Premio Nobel de la Paz.)
    Em italiano: Premio Nobel per la fisica, per la chimica, per la letteratura.
    Em francês: Prix Nobel de physique, de chimie, de littérature. (Mas: Prix Nobel de la Paix.)

      1. Sim, mas o facto de os indígenas de um sítio dizerem as coisas de uma certa maneira não afecta a norma culta.

  6. O problema não está na imparável modernização da língua, como coisa viva que é e deve ser; e que se vai processando lentamente nos níveis mais populares, mas também nos eruditos. Não há decreto que consiga deter ou impor esse processo, pelo menos não de forma súbita: acaba-se a escrever com grafias diferentes, como se não se excluíssem mutuamente ou fossem erro ortográfico absoluto. Daí as tão comuns menções em rodapé, avisando que o autor escreve segundo a antiga ortografia… ou “antiga ortographia”, como brinca o Bandeira nos seus cartoons.

    Mas há uma diferença abissal entre alguma flexibilidade (como por exemplo na supressão de consoantes que não se articulam) e o bom e velho não saber escrever em português escorreito – por ignorância, mas também por simples preguiça.

    Estamos em Portugal, porque haveríamos de falar ou, pior, escrever em português de outros países – ou o inverso, já agora? A língua inglesa conhece e reconhece variações em todos os muitos países em que é língua oficial, e nem lhe caem os pergaminhos na lama por isso, nem o Reino Unido alguma vez ponderou alterar a “sua” língua oficial para a tornar mais de “acordo” com a da Austrália ou do Zimbabué! E o mesmo se diga para o francês.

    Só por cá a confusão entre língua comum e unanimismo ortográfico encara como aceitável a desvirtuação da língua na sua própria pátria original. Ou encararia, porque vai-se resistindo à insensatez; se não nós, pelo menos outros países utilizadores da língua comum…

    Portanto: português de Portugal em Portugal, e com a gramática correcta do português de Portugal, se faz favor. Prémio Nobel da Literatura, não há que ver.

    1. “A desvirtuação da língua na sua própria pátria original.”

      Ainda se, ao menos, a desvirtuassem na “sua própria pátria alheia” ou “na própria pátria original deles” ou até “na sua pátria original alheia”… Na sua própria pátria original é que nunca!

      Na sua própria pátria original deles, que a detêm como sua desde a origem porque é deles e lhes pertence como sua, sendo deles!

      Diz o roto ao nu: escreve português correcto, pá!

      1. Está bem roto, eu escrevo: é a sua própria pátria original… da língua. Sua pátria original, da língua, está a ver? Sua, da língua. Dela. A língua .

        Não deles, nem delas. Da língua.

        A pátria original da língua portuguesa é Portugal. A sua pátria original é Portugal.
        Não sei se o roto assim lá chega…?

        1. Repare: dizer “a sua pátria”, “a própria pátria” ou “a pátria original” quer tudo dizer a mesma coisa.

          Dizer “a sua própria pátria original” é uma tripla redundância.

          Faz sentido?

          1. Não. Nada retirado do contexto faz sentido, é sempre coisa avulsa.

            Nem percebo qual seja o seu problema, sinceramente. Algo me diz que não deve ter a ver com o que eu escrevi, pelo menos não agora. Claro que pode sempre tratar-se de algum maníaco do treslido, ou autor rejeitado pelas editoras que precisa de recauchutar a auto-estima, e calhou-me a mim a “aula”…

            Ora aproveite o roto a tripla redundância para tapar os fundilhos, que pôr-se assim em bicos de pés fez-lhe descair as calças.

            1. “Algo me diz que não deve ter a ver com o que eu escrevi, pelo menos não agora. Claro que pode sempre tratar-se de algum maníaco do treslido, ou autor rejeitado pelas editoras que precisa de recauchutar a auto-estima, e calhou-me a mim a ‘aula’…”

              Ou, então, a senhora cometeu um erro de escrita tão gritante que até uma naba como eu deu por ele. Tão simples quanto isso. É sempre engraçado ver alguém cometer um erro na escrita enquanto admoesta os outros por escreverem mal (vide, “o bom e velho não saber escrever em português escorreito – por ignorância, mas também por simples preguiça”, palavras suas).

              Enfim, bem sei que a sua completa falta de humildade a impedirá de alguma vez reconhecer “olha, pois é, escrevi uma redundância, que engraçado”. Pessoas como a senhora terão sempre de inventar uma desculpa paranóica qualquer (vide, “algum autor rejeitado pelas editoras”, palavras suas) Santa paciência…
              Reconhecer o erro é que ’tá quieto.

              Sinceramente, nem sei porque perdi o meu tempo a escrever-lhe isto. Escusa de perder o seu a responder-me, que nem me vou dar ao trabalho de ler a sua resposta. Vá lá entrar em “polémicas” de ouropel com os outros comentadores – com esse seu linguajar pseudo-novecentista de quem vai limpar a caneta aos “fundilhos” sujos do Camilo – que eu não tenho mais pachorra para si.

  7. Quando ouço alguns falarem um misto de vocábulos portugueses com palavras inglesas, ainda por cima fora de contexto, juntamente com adições, evidências, resiliências e chão comum, venham de lá esses nobels do literatura.

  8. Aprende-se sempre a chegarmos ao Delito! Sempre…
    Só não vi como se escrevia e pronunciava a língua transmontano-duriense …
    Até os sons primitivos e guturais dos russos aqui foram deixados! Quem sabe sabe!

  9. Minha Nossa Senhora me valha!
    Que emaranhado de línguas para aqui vai. Ou veio. – Deixo à senhora professora Linda a escolha da conjugação verbal mais acertada que por mim desde que não fique muito apertada todo o lugar à mesa é bom.
    Mas, onde é que nós íamos? Ah, já sei. No tal emaranhado de línguas. A ver se se chega a um consenso, porque a continuar assim, tarda nada ninguém sabe por onde anda a sua e arrisca-se muito seriamente a ir-se para casa com a língua de outro, ou outra

    Fiquem todos e todas muito bem.
    E nunca esqueçam. Mais importante do que qual língua se trate, é o uso que dela se faz.

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