Vamos a ver se nos entendemos. Fazer uma campanha eleitoral à volta da ideia da maioria absoluta não é fazer política: é, muito simplesmente, tentar legitimar pelo voto o partido-governo que tudo pode. É reafirmar a partidocracia, que tanta influência tem no desinteresse e afastamento do eleitorado.
Numa época de crise grave, deveria ser relativamente simples para os partidos saberem que respostas e propostas dar ao eleitorado. Que problemas preocuparão os portugueses? Mesmo sem ter um inquérito de preferências na mão, a resposta parece intuitiva: desemprego, impostos, pensões, saúde. Talvez ainda a educação, ou a justiça. E, no entanto, parece que o principal problema dos nossos políticos nada tem a ver com o país dos portugueses. Aparentemente, estão preocupados com a governabilidade, com a estabilidade. São estes temas importantes? Claro, mas não agora. E, sobretudo, não aqui: nos últimos vinte anos, apanhámos o comboio das velhas democracias, e tivemos governos estáveis (as saídas de Guterres, Durão Barroso ou Santana Lopes nada tiveram a ver com governabilidade). A questão nem se põe: mesmo com uma maioria relativa, é possível avançar com políticas. Em alguma análise, as negociações do pós-eleitoral (e tantas vezes a pork-politics) pode resolver grande parte desses falsos problemas. Muito mais relevante do que apelar ao voto, falta pôr na mesa os temas políticos. Despir o discurso político mais recente das suas fantasias e fugas à realidade e revelar finalmente que propostas de governo existem, que visões sobre o que nos espera.
Com isto me estreio aqui no Delito de Opinião. Muito obrigada pelo convite. O ano que vivemos é de preocupação, num país que deixou a política esquecida numa gaveta com crachats dos anos 70. Cada vez mais, os blogues parecem ser o último reduto da discussão.

Viva, Ana Margarida. Tens toda a razão no que escreves. Gosto muito de te ver por cá.
Bela estreia. Bem-vinda.
Bem -vinda, não sabe o quanto concordo consigo.Então os blogues de provinvia como o nosso, nem lhe conto,Só vendo mesmo.
parabéns pelo texto, que não lhe falte força na tecla.
Obrigada a todos. Em tendo tempo, vamos a ver no que isto dá.
Gostei desta estreia e subscrevo batsnte do que diz. Seja bem vinda!
Nem sempre mas muitas vezes os últimos são os primeiros. Bem dito, melhor escrito. Parabéns pela estreia.
Bem-vinda, Ana Margarida!
“Bem dito, melhor escrito”
Tal e qual.
Parabéns
Carlos
Como é que me esqueci de lhe desejar as boas-vindas?
De dar. aliás 🙂