mais do mesmo


Vieira do Mar,
Mais uma vez, a Igreja Católica portuguesa mostra que lhe fazia jeito um RP ou um dialogue coach, antes de desatar a falar. Porque nós até percebemos a ideia. Mas é um bocado tonto, dizer as coisas assim a seco perante o país inteiro, tipo  conversa de café. É claro que os muçulmanos aproveitaram de imediato a deixa, mostrando-se magoados. O que não deixa de ser curioso, se pensarmos que uma mulher casada com um muçulmano é amiúde reduzida a um mero bem de consumo. Tal equivale a estar de facto metida em sarilhos. No entanto, não é lá muito crível que, nos dias de hoje, uma não-muçulmana decida pôr a cabeça no cepo sem ser de forma voluntária e minimamente consciente. O desastrado aviso era, portanto e ainda por cima, escusado. Tal como era escusado o Cardeal Patriarca ter dado aos muçulmanos mais um motivo para se fazerem de vítimas. É claro que agora os senhores padres vêm à televisão e tentam justificar-se, invocando as vantagens das relações inter-religiosas e sem coragem para descodificarem aquilo que D. Policarpo quis efectivamente transmitir: que a religião muçulmana é humilhante e degradante para a mulher que resolva adoptá-la, pelo que convém que esta pense duas vezes. E, já agora, alguém sabe em que termos o Corão se refere aos católicos? Pois eu li qualquer coisa, de modo atravessado mas li e, na minha ignorância teológica, não me pareceram especialmente abonatórios. No entanto, e como sempre nestas questões, os  opinativos usam os dois pesos e as duas medidas do costume.

39 comentários em “mais do mesmo”

  1. É que é imbatível!
    Mas como têm lata para reclamar, se é sabido como as coisas são?
    Que as queiram para eles (coitadas delas…) é uma coisa; que as pretendam impor ao próximo é que já é mais complicado.
    Certo que protestam o mesmo em relação ‘ao ocidente’, mas não creio que lhes seja imposto nada nos tempos que correm, se é que ‘liberdade de escolha’ pode ser considerada uma ‘imposição’…

    1. Margarida: a Liberdade faz toda a diferença e é a chave disto tudo – a liberdade de escolha, a liberdade de dizer na televisão que casar com eles traz sarilhos, a liberdade de os outros se dizerem “magoados”, etc. A Liberdade.

  2. Vou opinar, ou seja, vou ser opinativo;

    Mas onde é que já se viu um católico tolerante?

    Só se fôr na confissão!

    Não, o Cardeal Casto não meteu água – foi simplesmente CATÓLICO.

    Não vejo qual o mal de ELES de vez em quando destaparem a careca, ora!

  3. Muita verdade em tudo, Vieira do Mar.

    Onde os críticos de D. José Policarpo, uns racionais e outros falsos moralistas, viram intolerância eu vejo talvez imprudência, mas acima de tudo verdade, realidade e muita lucidez.

    Estão magoados, também eu estou quando vejo uma muçulmana de burka no Continente a pedir ao marido se pode levantar a burka para ver melhor uns collants ou cheirar melhor a fruta antes de a comprar!

    Bem vinda.

  4. Foi desastrado e infeliz, claro, mas não disse mentira nenhuma. É útil que as mulheres saibam, por exemplo, que se casarem com um árabe muçulmano e forem viver para o país dele, se a coisa correr mal e depois se separarem não podem trazer os filhos com elas. Os filhos são pertença dos pais, nem há discussão.

  5. de veneno para veneno,como homem não disse mentira nehuma,como representante de algo “superior e imaculado”,cometeu um pecado,atirou a 1º pedra!!!! tal como muito bem disse, deu mais motivos para se vitimizarem,e era o que lhes faltava para terem mais força e em nome da fé cometerem mais atrocidades…quem cresce lá e não conhece mais nada,assume como certo e verdadeiro,agora quem conhece e se mete no meio….aí é maior e vacinado!!!! as palavras foram escusadas….verdadeiras mas escusadas vindas de quem prega a união e compreensão….não me pareceu nada católico!

      1. A Cristina Mendes Ribeiro lembra no Estado Sentido (lamento mas não sei fazer links nas caixas de comentários) um filme baseado num caso real que versa as atribulações de uma ocidental quando se viu casada com um muçulmano e levada para o seu país de origem. Vale a pena recordá-lo, pois vem muito a propósito desta discussão.
        Na caixa de comentários desse post António de Almeida recorda que as muçulmanas estão impedidas de casar fora da sua religião uma vez que segundo a lei islâmica a mulher, ao casar, passa a obedecer ao marido e família deste, pelo que tal casamento significaria abandonar o islamismo. Pela mesma lei, o casamento de uma mulher com um muçulmano significa conversão ao islamismo.
        Factos bem lembrados e que quanto a mim retiram à comunidade islâmica qualquer razão para protestar contra as palavras de D. José Policarpo.

      1. Só dois pontos : Como cristã, também gostava muito que o Cardeal Patriarca aparecesse de quando em vez a alertar para a violência exercida por homens católicos sobre mulheres católicas ( e vice-versa) e a dar ideias que ajudem essas mulheres/homens a livrarem-se do pesadelos, ideias simples e óbvias como, por exemplo, um processo de divórcio rápido e eficaz. Depois, sendo possível que o casamento de uma mulher cristã com um muçulmano possa resultar num ‘grande sarilho’, também é possível que tudo dependa um bocadito do muçulmano e da cristã em causa. Generalizar é perigoso. E não me chamem estúpida, por favor. Os bons não estão todos do meu lado.
        last but not the least , gosto bastante de a ler Vieira do Mar

  6. Prontush, chegaram os groupies, ora aqui estou eu. Beijos, querida e só de poder comentar, estou aos pulinhos. Entraste a matar, pois claro. Nem sei que blog é este (oops não era para dizer!)…mas vou já ver!

  7. Eu leio isto e fico sem perceber qual o espanto, qual o prurido, a necessidade em usar paninhos quentes. Toda a gente sabe que há bestas, quer entre católicos, quer entre muçulmanos. Mas também toda a gente sabe que, se o nosso modo de vida “ocidental” é cada vez mais laico, o modo de vida “médio oriental” é cada vez mais fechado e formatado pela religião – um fenómeno que, a ocorrer no Ocidente, não desagradaria de todo à Igreja. E esta religião, a do Islão, leva ainda à letra o seu Corão, um livro que é uma autêntica máquina da regressão do tempo, resultado de uma tradição oral com centenas de anos e que faz viver o seu crente nos tempos de Maomé.

    Recordo as descrições de batalhas mil entre Portugueses católicos e muçulmanos de Ceuta ao Coromandel, de como os berberescos cercados em Tunis desfaziam prisioneiros católicos atados a um canhão, para Português sitiante ver e de como os Portugueses respondiam, pregando um turco cativo aos mastros e enchendo-lhe a boca de toucinho de porco.

    Afinal, se o Islão é nemesis do Catolicismo (mais até do que do Judaísmo), a todos serve um extremar de posições, um cerrar de fileiras, um reunir debaixo da mesma bandeira, um mundo novamente bipolar, nós e nosso modo de vida contra eles e o seu – e, se pudermos negar as nossas mulheres ao inimigo, tanto melhor.

    1. Alexandre, para mim pura e simplesmente náo há discussáo, quando se parte de um pressuposto: colocar as duas religiões actualmente num mesmo plano. Náo estão. E não percebo onde é que as declaraçóes do senhor significam um “extremar de posiçóes” , sinceramente.

        1. Tem razão, Sofia, expressei-me mal. Eu queria dizer “um clarificar” de posições – é que, por momentos, foram afastados os espantalhos do “multiculturalismo” e do “ecumenismo”.

          Usando a definição lamartiana da História – que o estudo do passado nos ensina tudo, incluíndo o futuro – eu diria que, num futuro próximo, nós todos, ocidentais, vamos ter que escolher a nossa bandeira – se a da indiferença, se a dos nossos valores – e a Igreja Católica vem incluída no pacote (ou pack, como sói dizer-se hoje em dia)

  8. Verdade. Quem o faz sabe ao que vai. E não vale a pena referir o que pensam os muçulmanos dos cristãos, porque uma mulher que se case com um muçulmano terá certamente de ser muçulmana. Ou desde sempre ou imediatamente após a conversão. Caso contrário, caso o casamento seja secular, certamente que o problema não se põe.

    E é aqui que entra a questão. Há muitos países onde isto não é possível, mas não é o caso de Portugal. E, assumindo que a maioria das mulheres católicas portuguesas que se queiram casar com um muçulmano o farão em Portugal, então temos que ou o fazem apenas civilmente ou se convertem (ou eles se convertem). Não teremos aqui mais um exemplo do disparate destas declarações?

  9. “No entanto, não é lá muito crível que, nos dias de hoje, uma não-muçulmana decida pôr a cabeça no cepo sem ser de forma voluntária e minimamente consciente”

    Não é bem assim, permite-me que discorde. Já vivi num país de maioria maometana e sei de vários casos em que a falta de conhecimento de algumas jovensrealidades era evidente e com resultados nefastos. O que, de resto, não é muito de estranhar numa jovem apaixonada e de baixa formação de conhecimentos.
    Daí que eu ache que as afirmações de D. Policarpo foram assisadas. Podes discuutir o contexto e a forma mas no essencial acho óptimo que as jovens saibam exactamente do que se trata quando se dispõem casar com um muçulmano.
    Felicidades nesta nova aventura por aqui.

    1. Espumante, referia-me especificamente a Portugal, onde foram prestadas as declarações, que por sua vez se dirigiam a miúdas portuguesas. E por aqui circula alguma informação, na televisão, por exemplo, nos jornais, nas revistas – além de haver liberdade de expressão em geral, o que faz toda a diferença.

  10. No comentário acima , onde se lê …em que a falta de conhecimento de algumas jovens realidades… deve ler-se …em que a falta de conhecimento de algumas jovens sobre a realidade…

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