Diz que provoca irritabilidade, insónia, tristeza, dificuldade de concentração e lentidão. Há quem a sinta assim que começa a fazer a mala de regresso ao pátrio lar, uma espécie de modorra que se instala no corpinho hipoteticamente bronzeado dos veraneantes ou na alma teoricamente lavada por outras paragens e embalada no remanso de nada fazer, profissionalmente entenda-se. O corpo que se recusa a reagir ancorado nas férias como um burro teimoso. Há ainda quem seja acometido de ataques de mau humor súbito, um enraivecimento colérico gerador de impropérios largados como quem deglute prozacs e digassims em catadupa sempre na senda da cura para este mal moderno. Podia ser contemporâneo, é, aliás, contemporâneo, contudo esta mania que se instalou agora de epitetar de depressão ou de síndrome todos os estado de alma é característico de uma modernice bacoca. A mais recente é a depressão pós-férias ou também chamado síndrome pós-férias. A acreditar na "Única" desta semana este mal, e que mal, passará algumas semanas depois do regresso ao trabalho. Não sei quando é que perdemos a capacidade de aceitar a vida como ela é. Tudo é passível de causar depressões, o regresso às aulas, o fim das férias, medos e fobias de coisa nenhuma e de todas as coisas mas que se não forem aceites como são podem transformar-se nesse mal dos males. Assim que assoma a primeira tristeza ou fanico da alma dorida, normal, diria eu, arranja-se sempre um síndrome, depressão também, que se lhe chame. Há que cumprir o fado, o destino de xailes negros e cantares tormentosos. Sem uma depressão nada se faz. Regressar ao trabalho é apenas regressar ao trabalho.
Mal moderno
Leonor Barros,

Excelente, Leonor. Partilho contigo a crescente aversão a “esta mania que se instalou agora de epitetar de depressão ou de síndrome todos os estado de alma”, hábito “característico de uma modernice bacoca”.
Pois, Pedro, é que não há paciência. Tenho muito pouca tolerância para este tipo de “enfermidades”.
Assim como assim, quando eu for ministro do Trabalho, assumo desde já o compromisso de tornar obrigatório um pedríodo de descanso depois de um período de férias.
Qual sindroma, qual depressão, qual quê?! As férias cansam imenso, é o que é. E foi sempre assim.
Voto nessa 🙂
Não sei quem está interessado em convencer-nos que nos tornamos em pessoas dependentes da depressão. recorremos a ela para justificar tudo, como muito bem dizes. Já nada é normal neste mundo, já naõ há lugar para afectos e sentimentos que nos transformam o humor, ou será que ao fazer estas perguntas também estou a manifestar sintomas de depressão?
Talvez não. Afinal, és um perigoso esquerdista empedernido, não é verdade?
Isto já parece uma conversa entre comadres. Chiça!
É essa outra questão, Carlos, também aplicável à Gripe A. Não percebo esta necessidade de instigar o medo permanente de algo nem a incapacidade de aceitarmos os diferentes estados de alma com naturalidade.
Boa Leonor. Muito bem. Muito bem mesmo.
Beijinho
:)))
Olá, Maria do Sol, já tinha saudades suas
Beijinho e obrigada
Leonor, quem disse que a vida era fácil??? Temos que encarar as coisas más e boas com um sorriso,o fim das ferias é isso mesmo, fim das ferias
Ora bem, Ana, não é preciso ficar deprimido.
Perdemos a capacidade de lidar com as contrariedades, a tristeza, a melancolia. O que significa que regredimos como adultos.
Perdemos mesmo. É mais fácil resguardarmo-nos numa suposta depressão do que enfrentar a vida.