Mão de obra nacional


Paulo Gorjão,

Li com interesse esta explicação de Vasco Campilho sobre as declarações de Manuela Ferreira Leite e aproveito para recordar aqui as suas palavras em Janeiro sobre o mesmo assunto:

A presidente do PSD disse que estará "sempre contra" investimentos cujo benefício "não tenha nada a ver com a produção nacional, porque vai ser tudo importado, nem com a mão-de-obra nacional, porque vai ser toda importada".

A parte do "importada", ainda permite a leitura bondosa dos residentes, independentemente da nacionalidade, caro Vasco? E a "importada" não interessa se são portugueses, residentes ou não? Se a nacionalidade não interessa, então para quê a referência explícita ao carácter "nacional"?

Uma vez é lapso, duas vezes é intencional, certo?

MFL sabe muito bem o que está a dizer e disse exactamente aquilo que queria. Evidentemente, não diria que há uma faceta xenofóbica nas suas declarações, mas parece-me evidente que MFL quis jogar a cartada nacionalista. Com os prós e os contras que isso acarreta. É a vida, caro Vasco.

 

6 comentários em “Mão de obra nacional”

  1. MFL volta a fazer, em pouco tempo, declarações infelizes sobre o mesmo tema. O ‘nacionalismo’ costuma dar jeito em ano eleitoral. Mas é algo que se adequa mal a um partido que se diz moderado, cosmopolita e integrador como o PSD. Diz bem o Paulo: uma vez é lapso, duas vezes é intencional.

  2. Caro Paulo,

    não obstante a questionável escolha de palavras, permite. Manuela Ferreira Leite tem-se pronunciado claramente contra qualquer política que agrave a balança externa de Portugal. Tem-se preocupado especialmente com a possibilidade de uma parte significativa do estímulo público à economia portuguesa ir estimular outras economias.

    Desse ponto de vista, defende que sejam evitados investimentos dirigidos a sectores com pouca oferta empresarial disponível em Portugal, mas também investimentos dirigidos a sectores com pouca oferta de trabalho disponível em Portugal. Caso contrário, uma parte do estímulo vai para fora, quer por importação de bens, quer por importação de trabalhadores.

    Não imagino que consideres a limitação à importação de trabalhadores como algo de escandaloso. Caso contrário, deveria escandalizar-te a lei actual, que determina que o trabalhador extra-UE só possa obter um contrato de trabalho e o respectivo visto de entrada se o posto de trabalho não tiver sido ocupado depois de anunciado durante 30 dias no IEFP.

    P.S.: posto isto, eu não concordo a 100% com a posição de MFL. Quanto à preocupação com as importações, perfeitamente de acordo. Quanto à importação de mão-de-obra, não estou a ver que sectores susceptíveis de receber estímulo público é que estariam tão próximos do pleno emprego que fossem obrigados a recorrer a uma importação significativa de trabalhadores. Obras públicas? Possivelmente. Mas tenho ideia que já há muito operário da construção desempregado em Portugal.

  3. Como o compreendo…
    O PP é um estranho caso no meu CE (curriculum emotionis 🙂 Aprecio-o como pessoa, tenho gostos comuns e admiro-lhe a ‘veia’.
    Mas mal a coisa passa para o plano da praxis política (nem é sequer para o plano ideológico) lá se vai o apreço todo, o crédito e até a presunção de inteligência.
    Fico sem perceber se é mais um cabotino ou apenas um zero em estratégia; mais um com um ego descomunal, ou simplesmente um bluff.
    Portanto, nem é por cansaço, mas por pura intuição que desconfio dele (eu também!)

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