No dia em que descobri que um dos livros da minha vida acabava de ser publicado em português foi uma epifania. Da conversa longa e impenetrável naquela segunda-feira de Maio escaldante sairia finalmente luz. O livro resgataria os dez anos de solidão a que me vi obrigada pela intransponiblidade de uma língua estrangeira.
Acorri célere à primeira livraria. Não havia. E depois outra e outra ainda. Nada. Que tinham ouvido falar mas não havia. Restava-me a opção a que recorro com livros em Inglês e Alemão – a Amazon é irrepreensível no serviço – e aventurar-me na sua congénere lusa: a maior e melhor livraria virtual do país qualificada pelos próprios. E mau grado a primeira experiência, quinze dias de demora e a morada incompleta, decidi dar uma segunda oportunidade à melhor e maior livraria virtual do país, agora com um novo nome. Cinco dias era o prazo anunciado.
Passaram cinco e mais cinco e mais cinco. Contactei telefonicamente o serviço de atendimento ao cliente. Nada. Pergunto-me para que servirá um serviço que não funciona. Restou-me o e-mail. Respondido com rapidez, foi-me comunicado que o livro havia sido enviado para a morada em baixo e que havia sido devolvido por a morada estar incompleta. Normal diria, uma vez que ignorando por completo o meu registo de cliente, o livro tinha sido enviado apenas com a localidade, sem nome e rua. Adiantam ainda que a informação de morada incompleta tinha sido dada pelo serviço de entrega dos CTT. Respondo ao e-mail, chamo a atenção para a morada errada, apenas com a localidade não vamos a lado nenhum e reitero que no meu registo constam todos os dados necessários: nome, rua e localidade e ainda telemóvel para contacto em caso de dificuldades na entrega. Recebo outro e-mail, a encomenda será enviada para a morada indicada e encontro exactamente a morada – localidade apenas – para onde tinha sido enviado o livro da primeira vez. Mais um e-mail a chamar a atenção para o erro, faço mais uma vez referência ao meu registo e, por via das dúvidas, faculto o endereço completo. Um mês depois de ter sido feita a encomenda, o livro chegou. Uma verdadeira epopeia. É esta a melhor e maior livraria virtual portuguesa.

Desconhecia que a Amazon já tinha filial aqui.
Conto-lhe a minha experiência com a casa mãe.
Fiz a encomenda de um livro tecnico , preenchi as varias alineas que me foram apresentadas e …clik…
O livro apareceu no posto de correio do lugar onde vivo( é um lugar , não chega a terra ou aldeio é o sitio de…) e para meu espanto trazia no embrulho de papelão o meu nome e a morada de email /Portugal.
Devo ter esquecido ou preenchido mal o pedido ,mas não impediu que chegasse:)
Tenho emodulrado sobre a minha secretária e todos os dias me delicio 😉
Não queria dizer congénere no sentido de filial, mas no de equivalente. Tomara eu que a Amazon vendesse livros em português… 🙂
Isso que conta é espantoso. Da primeira vez que menciono valeu-me o carteiro conhecer-me, ou melhor, estar habituado a trazer-me os livros da Amazon. O que me surpreende é que ninguém repare e que não consigam sequer enviar um livro com nome, rua e localidade, além do tempo.
A minha encomenda veio dos USA , pelo WML , chegou a Portugal e o que me espantou foi o facto de tendo apenas
Quando se vive numa terra pequena todos conhecem todos 🙂
É virtual, de facto… 😉
Virtualmente a melhor, na realidade é como se vê 🙂
À falta de uma indústria primária relevante (extinta pelos calores de Abril) e de outros sectores ou recursos de peso para a economia, habituámo-nos a ouvir que Portugal seria um bom país de serviços. E é, Leonor. Nem todos os serviços servem livros, mas fica-nos a ideia de que são quase todos virtuais…
Claro que nem todos os serviços são livros, João, mas podia escrever um texto semelhante em outros contextos. As histórias são muitas e cada uma melhor do que a outra. Será que é mesmo um bom país de serviços?
Talvez, Leonor. De serviços virtuais, como disse antes…
Os reais são como se vê… 😉
Não vejo muitos reais, não. Por isso é que os acho quase todos virtuais…
Tugal no seu melhor.
Ora bem.