Melhores filmes de 2008


Patrícia Reis,

 

Eu e a minha mania de elaborar listas de fim de ano. Qual o melhor filme de 2008? De tudo quanto vi – e foi menos do que noutros anos e muito menos do que gostaria – a longa-metragem que mais me tocou foi O Estado Selvagem, de Sean Penn. Um belíssimo filme, em grande parte rodado no Alasca, que reconstitui a história (verídica) de um jovem, oriundo de uma família abastada de Washington, que após concluir a licenciatura corta todos os vínculos à sociedade e parte em busca de um lugar onde os valores não sejam medidos pelo dinheiro. É um filme que nos faz reflectir sobre o vazio desta civilização materialista e hedonista em que vivemos, com uma soberba realização e um magnífico desempenho do protagonista, Emile Hirsch. Um filme que me despertou a vontade de ler a obra homónima que lhe deu origem, de Jon Krakauer, sobre o jovem Christopher McCandless, nascido em 1968 e falecido em 1992, no Alasca, de fome e frio.

Outros filmes de que também gostei muito no ano passado: Juno, de Jason Reitman – deliciosa comédia juvenil, com uma excelente banda sonora e uma interpretação inesquecível de Ellen Page; Entrevista, de Steve Buscemi – filme com duas personagens num crescendo de intensidade dramática que constitui uma invulgar desmontagem dos mecanismos jornalísticos; Corações, do veterano Alain Resnais – um melodrama fragmentado em múltiplos episódios que nos fala da incomunicabilidade, um dos maiores pecados do mundo contemporâneo; Antes que o Diabo Saiba que Morreste, do também veterano Sidney Lumet – fabulosa digressão pelos meandros do cinema negro, com uma visão dilacerada das relações familiares nos Estados Unidos e um naipe de intérpretes em estado de graça, incluindo Albert Finney, nome grande de muitas décadas da Sétima Arte.

 

Foto: Emile Hirsch em Into the Wild, de Sean Penn

3 comentários em “Melhores filmes de 2008”

  1. Gostei das escolhas, embora (ainda) não tenha visto Corações nem Entrevista. Acrescentaria Wall-E, uma filme que consegue maravilhar e preocupar ao mesmo tempo, sempre com uma história bem construída e sem precisar de diálogos reais.

  2. “O Lado Selvagem” é, de facto, um belíssimo filme. Encantador e marcante. De sublinhar que a leitura do livro homónimo desvenda-nos uma série de interrogações acerca da figura e das motivações de Christopher McCandless, que o filme, dada a sua natureza, não consegue; daí a mais-valia da sua leitura.

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