Leio o trabalho de investigação que o DN publica hoje e promete desenvolver ao longo dos próximos dias e pergunto-me se a crise vai ser uma oportunidade para os jornais. Sei bem que com a diminuição drástica dos seus rendimentos as pessoas estão particularmente receptivas a notícias que façam o rastreio da qualidade da governação. Mais depressa o sabem os patrões de jornais, sempre ávidos de notíciário que os faça facturar. Estas circunstâncias permitem, pois, que por uma vez cidadania, jornalismo e negócio possam conviver alegremente ainda que pelos piores motivos.
Parte do problema desta democracia decadente tem sido a imprensa suave a que Cavaco Silva há dias rendeu homenagem. Aliás, uma e outra são indissociáveis. Mas em tempo de escrutínio de poderes é do que menos precisamos. Agendas políticas, tricas partidárias e crimes passionais não valem o que custam na banca, mas o jornalismo de qualidade há-de ter sempre mercado, por muito que os seus coveiros digam o contrário. Porque o jornalismo de qualidade é um bem de primeira necessidade.


Se é um trabalho jornalistico do DN, posso desde já lhe dizer quais serão as conclusões: Cavaco é o culpado pela situação económica em que vive Portugal!
Tenho o palpite de que a conclusão aponta para culpas repartidas pelo PS e pelo PSD. Alguma objecção, tric?
repartidas!!?? em minha opinião é beneficiar e branquear o infrator!
E em minha opinião dizer “o infractor” é beneficiar e branquear um dos infractores…
realmente Cavaco é infractor por não ter demitido José Socrates e José Socrates é infractor por ter atirado o país para o precipicio, com a ajuda dos Passistas
E o pior cego é aquele que só vê para o lado que lhe convém.
Bem escrito, Teresa. Aqui está uma prova que o abandono do jornalismo de investigação é um suicídio para qualquer jornal. A falta de investigação dá a entender que há falta de memória. E todos sabemos que a história do queijo é mentira…
Beijo amigo.
Sem dúvida, João. O jornalismo de investigação é o seguro de vida da Imprensa. Quem não percebe isto não percebe nada.
Quanto à preservação da memória de que falas, acrescento que é – ou deveria ser -uma das mais importantes funções dos jornais.
Pego nesta sua última frase do último comentário e acrescento que o jornalismo de investigação é o seguro de vida da democracia. Sobre se é da imprensa, eu gostava muito que o fosse também economicamente, porque nos fdias de hoje, só assim pode ser nas outras formas. No entanto, os cortes até ao tutano no jornalismo de investigação, e mesmo dos correspondentes, faz-me crer que um jornal não corta no seu seguro de vida de forma leviana.
A crise costuma trazer boas oportunidades a quem as souber aproveitar, sobretudo as criativas. Só que a crise leva ainda mais jornalistas arrastados (será que ainda resta jornalismo de investigação para arrastar?) pelo que não sei se será uma oportunidade, se é bater ainda mais no aleijado. Até o The New York Times tem baixado de ano para ano…
Por fim, um dividir das culpas sobre a passividade com que todos assistimos a escândalos diariamente. A imprensa tem noticiado, é através dela que eu sei, mas e quem lê, não tem uma parcela grande de culpa por esta democracia decadente em que vivemos? Assumo-me como culpada.
Acrescento ainda “justiça decadente” à equação. Isto seria possível em Portugal? Ponho sérias dúvidas… http://www.publico.pt/Mundo/um-ano-e-mei o-de-prisao-para-exdeputado-britanico_14 74161
Sara, se a crise tem algum mérito é o de não favorecer a inércia.
Muito bem, Teresa. Sublinho e transcrevo, com o meu aplauso: «Agendas políticas, tricas partidárias e crimes passionais não valem o que custam na banca, mas o jornalismo de qualidade há-de ter sempre mercado, por muito que os seus coveiros digam o contrário. Porque o jornalismo de qualidade é um bem de primeira necessidade.»
Era bom que os diversos poderes aceitassem isto de uma vez por todas, Pedro.
Para quando o semanário nacional DELITO?