
Fui, na companhia deste animal, passear para Monsanto, que não conhecia (e continuo a não conhecer, o parque é enorme). Na zona em que andei há evidentes cuidados para prevenir incêndios: corte de vegetação rasteira e de ramos mais baixos de árvores, abate de árvores que imagino estavam mortas ou prejudicavam outras, etc. E dediquei-me, porque não ia sozinho, a inventar nomes para árvores e arbustos, que funcionam tão bem como os que seguramente têm. Foi assim que identifiquei uma profusão de xilobastos, negróbios, prasélitos e muitas outras plantas – acompanhar-me é sempre um gratificante exercício para quem gosta de se ilustrar. Num canteiro, um belíssimo maciço de cronibáceas, já evidenciando sinais de despedida do Verão em que floresceram. Esta grande variedade quer dizer que o parque, e bem, não é natural – a Natureza não deixa, por exemplo, marcas de motosserra nem um monte de canas recém-cortadas. Suponho que abandonar deliberadamente os detritos no terreno tenha a benemérita intenção de não empobrecer a terra. Mas, ó ecologistas camarários, aquilo não é um monte natural, se fosse haveria animais que fariam parte do ciclo da renovação, e certamente a vegetação seria mais pobre. De modo que, fazendo uso do cabedal de conhecimentos que acima exibi, dou de conselho que levem para lá daquelas maquinetas de estraçalhar, a ver se compõem as lixeiras vegetais. E, já que estais com a mão na massa, arranjai-me as vedações dos caminhos e dai-lhes um jeito, que é para as lisboetas que gostam de poetar (ou lá o que é que vão para ali fazer) não darem cabo das sapatilhas.

Não é preciso estraçalhar nada, a decomposição natural estraçalha.
Até quando se corta árvores os madeireiros deixam os sobrantes de lenha num monte, e passados poucos anos aquilo já apodreceu tudo, sem que seja preciso estraçalhar.
Catita, bem humorado e com um toque de bucolismo… urbano. Agora, se bem percebi, ia apenas acompanhado aí do bichinho que é tirado de chapa da Milú do Tintim, até no ar de esperteza. Bichinho decerto ilustrado pelo gratificante exercício de o acompanhar, mas aposto que também aproveitou para exercitar as pernocas e coçar a orelha enquanto o José Meireles Graça lhe ia debitando dos tais cabedais, eheheh.
Monsanto passou por fases, de local de passeio e piqueniques familiares ao fim-de-semana, ou ponto de encontro de desportistas caseiros (e não só) quando isso se tornou moda, até sítio infrequentável de tão mal frequentado.
Conservo gratas memórias do agora tristíssimo “Panorama”. Nem consigo compreender como acabou assim.
credo. o cão é seu ? nunca o imaginei como um caniche . um golden retriever , talvez.
um caniche????? de colo?
Não é meu, não é um caniche e não é de colo.
Se eu não pusesse a mão no lume pelo bom coração do José Meireles Graça… até se diria que foi abandonar o animalzinho à mata!
Claro que não é um caniche, é um fox terrier hiper-activo e hiper-abelhudo; e claro que não é de colo, olha a Milú ou o Montmorency a pedirem regaço, que indignidade!
mas faz sentido , só um caniche de colo era capaz de ser sionista , um golden retriever, jamé.
Uma pessoa que nos anos trinta do Século XX fosse ao monte
conhecido por Monsanto iria encontrar um imenso descampado,
com vegetação escassa e talvez sem árvores. A arborização foi
iniciada nos anos quarenta. Trata-se de uma vasta zona, com
ocupação humana desde a Pré-História, como o atestam as dezenas
de estações arqueológicas aí existentes. Conheço algumas.
Monsanto significa monte santo. Desde quando é que esse monte
tem essa designação? Não sei. Talvez desde a época romana (“mons sanctus”).
Talvez desde a Idade do Ferro. Talvez a origem do nome seja o culto a um “Deus”
indígena (lusitano). A vegetação muito densa e a proliferação arbórea dificultam bastante a prospecção arqueológica. Tratando-se de uma área tão vasta, ainda devem existir muitas estações arqueológicas por descobrir. Por e para…
Espero que o recentemente reeleito Carlos Moedas se interesse por Arqueologia.
Existe uma aldeia chamada Monsanto
entre Idanha-a-Nova e Penamacor, na Beira Baixa.
Essa aldeia já foi considerada “a aldeia mais portuguesa de Portugal”.
O prémio foi um galo em prata que foi colocado no cimo da torre da igreja.
Recomendo uma visita ao Monsanto de Lisboa e à Monsanto beirã.
Desconheço se existe mais alguma localidade com o mesmo nome.
É possível.
Bons passeios.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT