Parece-me abusiva a leitura nacional dos resultados das autárquicas. Muitos eleitores – entre os quais me incluo – mudam o seu voto das legislativas para as autárquicas. Parece, no entanto, ser uma tentação dos líderes partidários fazer extrapolações. Por vezes precipitadas, como aconteceu com Guterres.
Ontem, PS e PSD proclamaram vitória. Ambos terão razões para isso. O PSD porque ganhou mais câmaras e freguesias, o PS porque reforçou a votação em relação a 2005 e às legislativas de há duas semanas, foi o partido mais votado e com maior número de mandatos.
O PS partiu para estas eleições numa situação difícil. Venceu as legislativas, mas desceu substancialmente em relação a 2005 (o que alguns aproveitaram para dizer que se tratou de uma derrota) e todos estariam à espera de nova descida nas autárquicas, para proclamar vitória.
Os resultados do PS são, por isso, surpreendentes. Não só ganhou mais 22 câmaras como pode afirmar que foi o partido que, concorrendo sozinho, venceu mais câmaras, porque o PSD, sem a muleta do CDS, apenas conquistou 116. Cidades importantes, como Faro, teriam continuado nas mãos do PS, no caso de o PSD não se ter coligado com a direita.
Ana Gomes, Leonor Coutinho, Marcos Perestrello ou Elisa Ferreira foram escolhas erradas de Sócrates que a vitória em Lisboa fez esquecer. Vitória de grande importância para o futuro do PS, pois a sucessão de Sócrates parece estar assegurada, com um candidato que congrega alguma esquerda que Sócrates desbaratou e tem possibilidade de ir buscar votos a uma franja do PSD.
O PSD pode, com toda a legitimidade, dizer que ganhou as eleições mas, utilizando os mesmos argumentos a que recorreu para minimizar a vitória do PS nas legislativas, dir-se-á que foi uma vitória com sabor a derrota, pois perdeu 18 câmaras, enquanto o PS ganhou 22.
Todos os outros partidos perderam, embora seja a CDU quem tenha menos razões para se lamentar. Perdeu algumas câmaras, é certo, mas reforçou a sua votação e em algumas cidades, como Beja, foi vítima da canibalização do PSD (desceu de 17 para 5 por cento) pelo PS, o que determinou perdas, apesar do aumento do número de votos expressos.
O CDS perdeu a euforia de há 15 dias, de pouco lhe valendo a parceria com o PSD. Os seus ganhos foram pouco significativos, numa aliança em mais de um quarto dos municípios.
O BE foi, porém, o grande derrotado. A estratégia em Lisboa e Porto foi destroçada nas urnas e, no país, os ganhos foram igualmente insignificantes. Seria a altura de o BE perceber que não é hostilizando o PS que se conseguirá afirmar. Mas a esquerda folclórica portuguesa não aprenderá nunca que há “clichés” que estão definitivamente arrumados no sótão das velharias.

A interpretação dos resultados das legislativas feita pelos apoiantes do BE e CDU foi diferentes da leitura feita pelo PCP e, especialmente, da leitura feita por Louçã. Para além dos factos, Isso via-se claramente na cara de Louçã.
Tens razão, Carlos, mas é inevitável.
Concordando com o tom geral, subscrevo de olhos fechados a tua conclusão.
Posso ser mazinha ? Então lá vai. Tive um gostinho especial à conta da derrota estrondosa do senhor Fazenda . Pronto, já está despachado o meu momento pé de chinelo.
Com este calor, apetece-me calçar duas xanatas: a Fazenda e a Teixeira Lopes.
:)))
Teixeira lopes é bem melhor do que Fazenda, maloud
Em relação ao Fazenda também subscrevo
Não concordo com a sua primeira frase. E você também não, como se comprova por todas as outras dezenas de frases que escreveu a seguir. A menos que considere o seu próprio post abusivo.
Se assim for, estou desculpado por abusar. Afinal, na sua opinião, quem ganhou as eleições a nível nacional, o PS ou o PSD?
Na verdade acho abusivo, mas se quisermos tirar conclusões, digo-lhe sem rodeios que,em minha opinião, ganhou o PS