Dois adolescentes no metropolitano. Sentados lado a lado.
Namorados, suponho. As estações vão desfilando e nem ela nem ele tiram os olhos dos respectivos telemóveis, onde teclam sem cessar. Cabeça baixa, olhos fixos nos visores dos aparelhos.
Ouvem música muito alta, de auscultadores enfiados nas orelhas. Não trocam uma palavra, um olhar.
Às tantas, ela dirige-lhe uma pergunta qualquer, quase grunhindo, sem desviar os olhos do telemóvel. Ele responde com um monossílabo, também de olhos fixos no aparelho. Talvez ele não tenha ouvido a pergunta, talvez nem ela tenha ouvido o arremedo de resposta: a música sobrepõe-se às vozes.
São muito jovens, provavelmente namorados. Da era digital, em que a máquina é raiz e fim de tudo.


No meu tempo andávamos de mão dada, ouvindo o bater do coração de cada um, na tentativa de encontrar um cantinho isolado para conseguirmos trocar meia dúzia de beijos e consolar-nos com uns toques no corpo de cada um que tão encostados pareciam um só!
Hoje, meu deus! hoje é mesmo o namoro digital. Com o barulho da musica a descarregar orgasmos virtuais!
E agora também andam.
Se calhar não eram namorados, Pedro. Eram marido e mulher.
Não achei, Mike. Pareciam mais em (des)união de facto.
mas estes são adolescentes Pedro .. ainda têm uma hipótese 😉 Agora os “crescidos” envolvidos nestas artes é que são de lamentar ..
Tens razão, Once. Esses são mesmo casos irrecuperáveis. E ainda mais ridículos.