Nestes últimos anos, sempre que há uma desgraça, passou-se a resgatar mortos e feridos. Embirro com o emprego da expressão.
Mais recentemente, quando o presidente do BPN foi detido, o tribunal emitiu um comunicado que dizia que Oliveira Costa ia ser ou tinha sido removido para a prisão. Achei horrível.
Há pouco, sobre as cheias dos rios, um responsável qualquer mostrou-se na RTP preocupado com a extracção da população. Fiquei sem palavras.
Em contraste absoluto, os que falam assim não se limitam a referir pessoas ou seres humanos. Não. Habitualmente, preferem dizer pessoas humanas. Bolas!

Até que enfim que alguém me compreende. O que eu embirro com a expressão “pessoa humana”!
Também acho. Quanto ao resto – “resgatar” e “removido” -, não se trata de expressões, mas de termos…
Em termos gerais, uma expressão pode ser um ou mais termos, mas um termo é (quase) sempre uma expressão. É bom termos isso presente.
Essa agora…
Ora bem.
Isto é, mal.
«(…) passou-se a “resgatar” mortos e feridos». É uma palavra, é um termo e é uma expressão. «Pessoas humanas» são duas palavras, é um termo e é uma expressão. “Pessoas humanas resgatadas” são três palavras, são dois termos (um para pessoas ou seres humanos e outro para salvar ou recuperar) e é uma expressão.
Óptimo. Fartei-me de rir. Venha a próxima anedota.
Acho de fugir, Teresa. É completamente idiota.
Tenho a impressão de que não estás a ver bem o que está ‘em cima da mesa’ e que precisas de ‘mudar de paradigma’. Básicamente.
Realmente devo então precisar… ‘Então’ também está então na moda.
Sempre que entro por aqui adentro fico deliciada com os seus reparos e petece-me agradecer-lhe, pelo muito que me ensina, antes de sair para fora.
Vejo que tem aprendido muito, Teresinha! Comecei há muito tempo atrás a estar sobre a sua alçada?
Ora bolas. Eu, cheia de vontade de ser irónica e o João fala-me em alçadas?
Ah, percebi. O pormenor do “há muito tempo atrás”. É, não é?
E ‘sobre’ a alçada…
ehehehhhe
Está visto, João. Tenho de continuar a aprender. Enquanto isso não acontece, agrada-me tê-lo sob a minha alçada. 🙂
Ainda bem. Hehe…
Sair para fora também não está mal. Uma alternativa a entrar para dentro.
Ou subir para cima, que é alternativa a descer para baixo. Ou há tempos atrás.
Por aqui, ouve-se muito: entrei para dentro e eis que vi que ele já tinha saído para fora. Ainda o chamei, mas de nada adiantou. Tinha subido para cima e não pude evitar que ficasse embezerrado.
eheheh
E quem é que não fica embezerrado depois de subir p’ra cima? Hehe…
Decididamente,…
Com a pachorra acirrada
por verborreias expressadas,
no meio de tal enxurrada
dessas palavras desgraçadas.
A pachorra esgotada
depois de muito aturar,
fica a marca datada
para mais tarde memorar.
(com o merecido “link”, claro)
Agradecido.
Tem de me traduzir esse poema em acordortografiquês, meu caro.
Oh João. É que há pessoas tão desumanas…
Realmente numsintende! Basicamente…
:))
Sim, sim. Os extra-terrestres, por exemplo. Hehe
“Pessoas humanas” é irreal, será que não há ninguém que lhes chame a atenção?
Se fosse só isso…
Orlando de Carvalho, meu mestre de Direitos Reais em Coimbra, utilizava a expressão pessoas humanas para estabelecer a dicotomia com as pessoas jurídicas (normalmente designadas por pessoas colectivas).
Nesse enquadramento faz sentido, é compreensível.
No contexto da notícia, levaria o mesmo mestre a ter comentários pouco simpáticos para com o autor.
Lógico. A expressão anda vulgarmente usada para designar apenas “pessoas” ou “seres humanos”, o que não faz qualquer sentido.
Tem toda a razão, João – “não há pachorra” e nem se acredita que se possa – “evacuar” (espaços eu sabia) pessoas humanas…”:))
Exactamente. Quando evacuam toda a gente será alguma cura colectiva contra uma prisão de ventre pandémica?
Hehe,estava a precisar de uma resposta assim…;))
Hehe…
Essas expressões também constam do longo cardápio das minhas embirrações permanentes. Essas e algumas traduções directas do americano que desvirtuam o sentido tradicional do termo em português. Maus exemplos não faltam.
Não admira. E sei bem de que termos americanos estás a falar.
No resto do mundo também haverá pessoas humanas, ou é só cá?
No mundo marciano?