Não há pachorra!


João Carvalho,

Nestes últimos anos, sempre que há uma desgraça, passou-se a resgatar mortos e feridos. Embirro com o emprego da expressão.

Mais recentemente, quando o presidente do BPN foi detido, o tribunal emitiu um comunicado que dizia que Oliveira Costa ia ser ou tinha sido removido para a prisão. Achei horrível.

Há pouco, sobre as cheias dos rios, um responsável qualquer mostrou-se na RTP preocupado com a extracção da população. Fiquei sem palavras.

Em contraste absoluto, os que falam assim não se limitam a referir pessoas ou seres humanos. Não. Habitualmente, preferem dizer pessoas humanas. Bolas!

38 comentários em “Não há pachorra!”

            1. «(…) passou-se a “resgatar” mortos e feridos». É uma palavra, é um termo e é uma expressão. «Pessoas humanas» são duas palavras, é um termo e é uma expressão. “Pessoas humanas resgatadas” são três palavras, são dois termos (um para pessoas ou seres humanos e outro para salvar ou recuperar) e é uma expressão.

  1. Tenho a impressão de que não estás a ver bem o que está ‘em cima da mesa’ e que precisas de ‘mudar de paradigma’. Básicamente.

  2. Sempre que entro por aqui adentro fico deliciada com os seus reparos e petece-me agradecer-lhe, pelo muito que me ensina, antes de sair para fora.

          1. ehehehhhe
            Está visto, João. Tenho de continuar a aprender. Enquanto isso não acontece, agrada-me tê-lo sob a minha alçada. 🙂

            1. Por aqui, ouve-se muito: entrei para dentro e eis que vi que ele já tinha saído para fora. Ainda o chamei, mas de nada adiantou. Tinha subido para cima e não pude evitar que ficasse embezerrado.
              eheheh

  3. Decididamente,…

    Com a pachorra acirrada
    por verborreias expressadas,
    no meio de tal enxurrada
    dessas palavras desgraçadas.

    A pachorra esgotada
    depois de muito aturar,
    fica a marca datada
    para mais tarde memorar.

    (com o merecido “link”, claro)

  4. Orlando de Carvalho, meu mestre de Direitos Reais em Coimbra, utilizava a expressão pessoas humanas para estabelecer a dicotomia com as pessoas jurídicas (normalmente designadas por pessoas colectivas).
    Nesse enquadramento faz sentido, é compreensível.
    No contexto da notícia, levaria o mesmo mestre a ter comentários pouco simpáticos para com o autor.

  5. Tem toda a razão, João – “não há pachorra” e nem se acredita que se possa – “evacuar” (espaços eu sabia) pessoas humanas…”:))

  6. Essas expressões também constam do longo cardápio das minhas embirrações permanentes. Essas e algumas traduções directas do americano que desvirtuam o sentido tradicional do termo em português. Maus exemplos não faltam.

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