Não sei se estão a ver


João Carvalho,

O número de cirurgias oftalmológicas na Saúde pública aumentou consideravelmente, na tentativa de resolver uma situação insustentável que se arrastava há muito. O drama de quem sofre de cataratas já estava a levar portugueses a Cuba, onde muitas valências da medicina estão ancoradas num elevado nível de conhecimento, mas também onde as condições operatórias estão longe de ser as melhores (bem pelo contrário).

Face às intervenções de oftalmologia que estão a recuperar os atrasos que se agravavam sucessivamente, o primeiro-ministro aproveitou para exultar: melhor organização e incentivos no SNS. Melhor organização não era difícil. Agora, incentivos??? Se isto dos incentivos não é traduzível é porque já vale tudo, nesta ante-pré-campanha eleitoral. Qualquer coisa serve para Sócrates saltar ao palanque mais próximo e promover tanto o óbvio como o nonsense, sem se dar tempo de ver bem do que fala. Parece recomendável uma operação aos olhos.

15 comentários em “Não sei se estão a ver”

  1. A presunção maior foi ele ainda ter dito a bold e com maiúsculas, CONSEGUIMOS resolver o problema.

    Será um problema agudo de cataratas?

  2. Eu acho que ele precisa mesmo é de uma operação á cabeça, porque já começa a não conseguir discernir bem o que “berra” em toda e qualquer situação em que tem uma câmara e um micro á frente.

  3. Trata-se de um programa que pretende realizar em 2009 cerca de 30 000 cirurgias em hospitais públicos. São 30 milhões de euros, 900 euros por cirurgia.

    «Há 59 médicos oftalmologistas no Hospital dos Capuchos e, no entanto, se quiser uma consulta não consegue. Então isto não são médicos a mais? Isto é uma vergonha nacional», disse o ministro na quarta-feira à noite, numa entrevista à estação de televisão SIC-Notícias.

    É que…alguns srs, drs. preferem operar no privado e não só em oftalmologia, como qualquer pessoa que conheça a situação por dentro atestaria com facilidade.

  4. Não, João, não estamos a ver, porque ainda não nos distribuiram o tal kit de “realidade virtual” de que já falamos há dias e a que só Sócrates e alguns dos seus “malhadores” mais próximos têm acesso. Isto, aliás, poderia bem ser a verdadeira solução do problema, pois é capaz de sair mais barato do que as operações às cataratas, sendo que não haveria, por certo, males oculares que resistissem ao tal kit.
    Gd. Abraço.

  5. Desculpe lá, João. Mas qual é o mal de ter falado em incentivos? Que eu saiba significa entre outras coisas um estímulo.

  6. Caro João Carvalho:

    E que tal se oferecermos uns óculos, a este Engº, com lentes bem grossas, talvez visse a realidade do país e deixasse de andar, com a “tenda da propaganda”, montada todos os dias, era um descanso para todos nós.

    Carlos Dias Ferreira

  7. Caro João Carvalho:

    Opacas não, há o perigo do Engº “malhar”, onde é que eu já ouvi isto, e ir parar a um Hospital Público tendo de pagar as taxas moderadoras!!!

    Carlos Dias Ferreira

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