Negócios de betão


Carlos Barbosa de Oliveira,

A negociata entre a Cimpor e a Caixa Geral de Depósitos – a que na semana passada já aqui fizera referência- preocupa-me muito mais do que o caso Freeport. Não apenas pelos contornos pouco claros do negócio mas, principalmente, pelo que ouvi hoje no Parlamento.

Se  José Sócrates de nada sabia é extremamente grave, porque a CGD é um banco do Estado e não pode delapidar o património dos contribuintes a seu bel prazer. No entanto, mesmo ignorando aquilo que deveria saber, o PM não tem o direito de tratar os deputados que o interpelam como mentecaptos, nem  ter aquela postura semi-jocosa, semi-enfadada quando é questionado.

Quando era PM, Cavaco Silva também tinha o hábito de afivelar um ar de comiseração, como se estivesse a ser interpelado por gente sem capacidade para discutir com ele.

Estes tiques revelam uma falta de cultura democrática e uma sobranceria inqualificáveis. É inaceitável que um PM não tenha consciência de que é obrigado a prestar contas ao país. Bem pode Sócrates continuar com o seu discurso reciclado de esquerda, porque com estas atitudes ninguém o vai levar a sério.  

Sócrates não tem pachorra para aturar a oposição? Então, é melhor que em Outubro os portugueses lhe digam, nas urnas, que o lugar dele não é aqui.

11 comentários em “Negócios de betão”

  1. Pode, de facto, não ser muito simpática a atitude ou o “ar” do PM , mas deve ter-lhe servido de lição a forma jocosa como António Guterres foi tratado (para não recuar ao “bochechas), inclusive pela comunicação social.

    Nunca esquecerei a famosa “cena” dos números do PIB, glosada até à náusea. E os jornalistas sabiam perfeitamente que ele regressava de Londres onde a sua mulher agonizava, sabendo que teria poucos dias de vida.

    Por isso, compreendo a chamada “arrogância” do PM .

  2. I Acto

    Ficando dúvidas por esclarecer
    neste negócio com acções,
    vergonhoso é o parecer
    destas aberrantes explicações.

    Para os ricaços há dinheiro,
    às dezenas de milhões,
    enchendo o faustoso mealheiro
    de investidores brincalhões!

    O desconhecimento da situação
    é deveras degradante,
    sintoma de total desorientação
    deste (des)Governo atrofiante!

    II Acto

    Com esta política rosada
    feita de propaganda e de alcatrão,
    deixará a economia arrasada
    e com mais toneladas de betão!

    Com milhões enterrados
    em festas e inaugurações,
    os mexilhões são esmurrados
    para pagar estas comemorações!

    Epílogo

    Mais um debate para recordar
    no Parlamento nacional,
    com a oposição a discordar
    desta política pouco racional.

    Com a economia a definhar
    de uma forma evidente,
    há quem ouse fantasiar
    neste jardim rosáceo decadente.

    O mexilhão ressacado
    da folia do Carnaval,
    ficou, mais uma vez, arrebatado
    com o delírio governamental!

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