Nem um


Jorge Assunção,

Na sociedade do optimismo dominante, é engraçado que não se encontre um único "optimista" que queira debater com um "pessimista".

6 comentários em “Nem um”

  1. Acredito que seja difícil discutir com ele! Critica tudo e não avança com nada. Por ele o mundo já tinha acabado para aí 20 vezes. Ah! Sem esquecer que também ele foi ministro das finanças.
    Creio mais nos realistas. Que não enfiam a cabeça na areia, mas não acrescentam uma boa dose de cinismo e, assim, ficam com espaço para avançarem com propostas.
    Ou seja, acho que contrapor optimistas a pessimistas não será uma boa metodologia.

    Mas isto sou eu que não entendo nada de finanças como o outro!

    :)))

    1. mdsol,

      “Acredito que seja difícil discutir com ele!”

      Também acredito que sim, mas não é por ele ser “pessimista”, mas tão só porque no caso em questão ele é o realista e é muito difícil debater contra a realidade.

      “Critica tudo e não avança com nada.”

      Mas ainda na entrevista em causa o homem sugere “que as reformas e os salários da Função Pública, a partir de um certo nível, devem ser diminuídos.”, já é avançar com alguma coisa. Mas o actual governo subiu os salários em 2,9%, assim é que não vamos a lado nenhum.

      “Sem esquecer que também ele foi ministro das finanças.”

      Pois foi, entre 1976 e 78 no I Governo Constitucional. Onde foi, no contexto em causa, um bom ministro das finanças. Não vejo onde possa ser atacado por isso.

      “Ou seja, acho que contrapor optimistas a pessimistas não será uma boa metodologia.”

      Seja realistas versus pessimistas, o que for. Parece-me é que é sempre boa metodologia pôr diferentes visões em confronto. Rotular as pessoas (por isso a minha referência aos termos entre parêntesis) para evitar a discussão com elas é que não me parece boa metodologia. :)))

      1. Muito obrigada pela sua resposta! Concordo plenamente que se devem confrontar posições divergentes. Da discussão nasce a luz, alguém dizia. Quando me referia à metodologia (usei o termo de forma muito livre) pessimista versus optimista é porque entendo que ambos padecem do mesmo mal. Têm demasiados à priori que os impede de serem realistas! Ambos. É o que eu acho [mas quem sou eu para achar ( e não é falsa modéstia, é tentar ser realista comigo mesma)]. Uns, pessimistas vêem tudo negro. Outros, optimistas vêem tudo rosa! Por isso avancei com realistas que discutam sem cinismo.
        “A vida pode ser de muitas formas e ser realista não implica, necessariamente, ser pessimista. Podemos ser, a um tempo, realistas e optimistas. Ser realista e até céptico, pode conduzir a uma forma de lucidez interessante. Com generosidade e sentido de humanidade pelo meio, não corremos o risco do cepticismo nos tornar cínicos. Sejamos críticos, cépticos e generosos. Assim, talvez construamos uma esperança lúcida e nos afastemos de um cinismo mortal e de uma ingenuidade completamente improdutiva.” Escrevi isto num post de 12 Junho de 2008, sem me referir a nada em concreto. Acho que explica mais ou menos o meu ponto de vista!

        ;)))

        1. “Muito obrigada pela sua resposta!”

          Ora essa, eu é que agradeço os seus comentários. 😉

          Mas no caso em questão vamos ter de concordar em discordar. Não encontro qualquer espécie de cinismo naquilo que Medina Carreira vem dizendo, antes pelo contrário.

  2. Enganando a sociedade
    com espectáculos deprimentes,
    consome-se até à saciedade
    infames ilusões dementes!

    Com a aldrabice pegada
    instalada na nossa sociedade,
    a democracia é fustigada
    trucidando a nossa seriedade.

    O mexilhão realista
    e sem medo de falar,
    considera miserabilista
    esta forma de governar!

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