
Guardo assim a ironia, afogo o sarcasmo: pois que dizer destes poderes autárquicos, brutos, rudes, que num sítio de paisagem maravilhosa, desembocadura de uma lendária sinuosa restinga, afixam este mamarracho letrado como se quem lá esteja não saiba onde está?
Uma pena, comento para o lado. Mas enquanto vou reconhecendo que a cidade resistiu ao desvario que avassalou vilas e cidades litorais nas últimas décadas. Pois, que me desiluda eu quanto ao futuro, avisam-me, e lá me vão mostrar as patadas (em arquitectura “contemporânea”, claro) que os magnatas das câmaras circundantes ali colocam a despropósito. E me avisam também que o PDM local foi agora alterado pelo actual presidente – um mau arquitecto (de uma qualquer universidade cerca do “Porto”) tão ansioso pela edificação em altura como o estão alguns empreiteiros locais, consabidos financiadores do partido. Do partido do presidente claro. O do dr. Marquês Mendes, do prof. Rebelo de Sousa, do dr. Montenegro. E então, enquanto os de Braga e afins (os de outro partido, que de facto é o mesmo) vão construindo (“à Siza”, “à Távora”), estes preparam-se para meter mais uns andares em cima dos caixotes.
E para entretanto serem gostados, votados? Põem o nome da terra junto ao rio… Chamam brutos aos passantes. E estes gostam?

Dizem que aí em Ofir há umas torres muito grandes, junto ao mar, que se arriscam a um dia ser tragadas por ele. É verdade?
no verão de 56 frequentei a praia de Ofir apesar da ventania obrigar as barracas a estarem de costas para o mar e a água se encontrar tão fria que só dava para molhar um pé
a paisagem era um regalo
Já passaram mais de trinta anos, passei a ponte de Fão em direcção a Viana e havia um grande bando de patos bravos à beira do rio.
No encontro com gente conhecida, fiz referência ao que tinha visto ‘havia muitos patos bravos junto da ponte de Fão’, disse-lhes.
Levei com um ‘patos bravos são vocês lá da capital’.