Nós, os papagaios


Leonor Barros,

O Ministério da Educação emanou um Manual do Utilizador em que estão lavradas as frases que deverão ler aos alunos, quando amanhã se iniciarem as Provas de Aferição do Ensino Básico. Podem ser lidos nacos de prosa como  "Em primeiro lugar, chamo a atenção para o facto de não poderem falar com os vossos colegas". Não basta, portanto, alertar para o facto de que não podem falar uns com os outros. Que fizessem recomendações é absolutamente natural e esperado. Que tratem os professores como débeis mentais também não é novidade absoluta, mas que depois de tantos dislates continuem na senda do disparate é uma prova de falta de inteligência. Espero ansiosamente a versão dos exames do Secundário para ver qual a verborreia que terei de papaguear. À semelhança do que aqui se diz, resta-me também esperar que a redacção não tenha ficado a cargo da Moreira.

14 comentários em “Nós, os papagaios”

  1. Não tivessem sido já há muito, ultrapassados todos os limites da normalidade em inúmeros aspectos da vida escolar por este ME e poderia dizer-se que estas “instruções” tocam as raias do ridículo! O que o ME está a querer que os professores façam com isto é, nem mais nem menos, pô-los a fazer dizer e a ouvir “a voz do dono”. Isto soa a algo Orwelliano e o Big Brother está, mais uma vez, omnipresente. Estas provas de aferição tornam-se assim numas verdadeiras “provas de aflição”. Não seria então, mais simples, mais tecnológico e, sobretudo, mais à imagem do regime, pôr o adorado “Magalhães” a debitar aquelas lenga-lengas? Pelo menos, seria de certeza muito menos ridículo, mas também quem não tem a noção dele, acha que nada tem de fazer para o evitar.

    1. Tem toda a razão, Luis , foram passados todos os limites do razoável com este Ministério. Pelo menos, podiam e deviam ter o mínimo de bom senso e pudor para não se aventurarem mais na completa inanidade. O problema é se o Magalhães tem aqueles erros maravilhosos de que ninguém tem culpa, os tais que nasceram por geração espontânea 🙂

  2. sempre me pareceu que os professores, em geral, sao pouco inteligentes, mal preparados e com pouco sentido e’tico-pedagogico, o que se vai solidificando, pelas falsas questoes que colocam ,,a falta de argumentario serio para atacarem as politicas gerais dos governos.
    convivi anos a fio com eles e provocou-me danos irreversiveis.
    ha’ gente com potencial , mas em numero reduzido e sem adversarios a altura, o que os torna(ou pode ) em monstrozinhos insalubres. uma revoluçao na formaçao e’ urgente.

    1. Não sei se serão os professores em geral, porque os maus profissionais costumam constituir a parte menor. Mas pressinto que lhe provocaram realmente danos irreversíveis…

    2. Já estávamos a sentir a sua falta e de outros parecidos… é até surpreendente que só agora tenham aparecido. Realmente os danos irreversíveis estão à vista.
      E em que é que a sua argumentação contra os professores mal preparados e em défice de formação tem a ver com os disparates do Ministério da Educação e com o post em questão? E se os professores têm falta de formação, a culpa é de quem? E esses incompetentes de que fala estão no sistema com a anuência de quem? É com formação sobre a actual avaliação ou as tecnologias de informação que se suprem essas faltas? Não é.

  3. No seu caso, eu teria corrido o risco e apostado numa maior convivência com professores de português. Os danos seriam irreversíveis na mesma, talvez, mas pelo menos não seriam tão evidentes.

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