Num café à beira da estrada…


Carlos Barbosa de Oliveira,

Depois de ouvir  Paulo Rangel (e o seu mandatário Mário David) denegrir o nome de Portugal  no PE e depois da intervenção miserável de MFL, ontem, num almoço com a câmara de comércio luso- francesa, pergunto-me qual será a vantagem para o povo português de trocar o PS pelo PSD.

A pergunta ganha mais sentido quando falo com esta gente alentejana e estremenha, alheia ao que se vai passando na AR (com excepção da cena circense de uma t-shirt protagonizada por um tipo que gosta de escrever sobre palhaços). Para além dos problemas que vai sentindo no bolso e no estômago, o que preocupa esta gente não são as discussões sobre quem governa, mas sim se o modo como governa  lhes assegura um futuro melhor. 

Paro num café de estrada quando a noite começa a cair. Há rostos fixos no televisor, sorvendo as imagens da tragédia da Madeira. São rostos de desalento, onde está estampada a solidariedade com a dor dos madeirenses. Quando o pivot começa a falar do caso Face Oculta e das audições na AR, os homens  pedem cervejas e voltam a jogar às cartas. As  mulheres saem em debandada.  Sou agora o único atento ao televisor. Ouço alguém dizer atrás de mim. “Isto agora já só vai dar notícias para os gajos de Lisboa”.

Pois é…  a maioria dos “gajos de Lisboa” ainda não percebeu a origem e os interesses que se escondem por trás  dos  ataques ao PS e a Sócrates.

 

12 comentários em “Num café à beira da estrada…”

  1. É por sentimentos destes aqui demonstrados que acredito que só Aguiar Branco poderá trazer sentido de Estado a um novo PSD e um novo Governo da Republica…
    Realmente as pessoas estão fartas dos assuntos que nada têm que ver com elas e não as interessando influenciam a sua vida. Isto já cansa.
    E gostava de saber a que interesses se refere…

  2. Calp Clap Clap, para os dois textos. Sublinho em particular a frase “isto agora já só vai dar notícias para os gajos de Lisboa”. Com ligeiras adaptações, ouço diariamente a mesma coisa.

  3. «vantagem para o povo português de trocar o PS pelo PSD»
    Nenhuma, Nada.
    É manter o rumo do Bloco Central, das últimas décadas.
    Problema, o PCP e o BE, não perceberem que para poderem constituir uma alternativa, é obrigatório um corte com certo passado.
    E que mal por mal, antes com gente nova mas com algum ideário, do que com mais dos mesmos. Devoristas.

  4. No Alentejo as planicies abrem-nos os horizontes…os calhaus que tiram as vistas andam todos, ou quase todos, por Lisboa…

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