Nunca se sabe (2)


João Carvalho,

Aproveito o lanço do J.M. Coutinho Ribeiro, com a devida vénia, para confessar o meu pecadilho: ontem fui aqui um tudo-nada provocador naquele momento pré-entrevista. Não o fiz por acaso, porque nunca se sabe e era sempre um risco calculado. Das duas possibilidades, uma resultaria de qualquer modo: a entrevista a Manuela Ferreira Leite seria escalpelizada à exaustão e este blogue ainda contou com número apreciável de comentários inteiramente marginais, mas que reflectem as diferentes sensibilidades de quem passou a frequentar o DO, o que é bom e só nos honra.

Já em outro resultado que eu poderia esperar, a coisa complicou-se. Na minha opinião, Manuela Ferreira Leite mostrou-se (finalmente) mais e melhor. Agora, passado um dia e face aos mais recentes dados da sondagem habitual, talvez possa fazer-se uma reflexão mais assertiva.

Parece cada vez mais improvável o PS repetir a maioria absoluta, como parece cada vez menos provável o PSD substituí-lo. Por um lado, José Sócrates terá de encaixar que a repetição de maiorias absolutas é coisa que ficou na História contemporânea com Cavaco Silva: foi uma vez sem exemplo. Por outro lado, escasseia o tempo para Manuela Ferreira Leite se afirmar: não há-de ser fácil encontrar um projecto claramente demarcado (embora ontem tenha ensaiado alguns passos nesse sentido) e há-de ser impossível explicar o inexplicável, como o caso Santana.

Por muitas razões, entendo que o PSD ainda não concluiu a travessia traumática (que o Partido Republicano dos EUA, por exemplo, vai iniciar agora e que se prevê igualmente longa). Por outras tantas, o PS está objectivamente desgastado e apenas se aguentará porque fica a ideia de que sempre conhece melhor a crise externa e que, por medo nosso, mais vale deixá-lo.

Nada disto é muito novo, excepto o cansaço de ver o panorama desolador que nos é oferecido. Daí que a generalidade dos eleitores se tenha habituado a nunca eleger alguém por mérito próprio, mas por demérito do outro. O que, além de desolador, já é um case study

7 comentários em “Nunca se sabe (2)”

  1. Caro João Carvalho,

    Vou voltar a transcrever as frases de MFL:

    “Pedro Santana Lopes tem crédito para ser presidente de câmara” […] “tem obra feita como presidente de câmara” […] “ser presidente de câmara ou primeiro-ministro é completamente diferente” […] “fui eu, como presidente da distrital de Lisboa, que escolhi Santana Lopes em 2005”

    Está esclarecido? mais objectiva, MFL, não podia ser…

    1. Meu caro Luís Melo, vou transcrever a minha frase sobre Manuela Ferreira Leite: «(…) há-de ser impossível explicar o inexplicável, como o caso Santana.» Está esclarecido? Mais objectivo não posso ser…

      Sei que o caso já o envolveu em debate alguns ‘posts’ abaixo. Acho que estamos – nós os dois – esclarecidos, cada um pensando pela sua cabeça, e quero crer que não é mera teimosia, mas pura convicção.

      Ainda bem que é assim, porque dá mais cor ao cinzentismo crescente que nos tolhe tantas vezes. Vá aparecendo sempre e não faça cerimónias para continuar a opinar.

      1. Caro João,

        Se fosse inexplicável, não tinha explicação.

        MFL explicou, e bem, porque foi contra PSL como PM e é a favor de PSL como Presid. Câmara.

        1. Explicado para si, Luís. O nosso debate não seria diferente do que já foi travado mais abaixo. Para si, ela «explicou, e bem». Para mim, ela tentou; e mal, porque faço parte dos que não estão convencidos.

  2. POPULISMO. É o resultado de quem não tem ideias, soluções e convicções. Assim está MFL, LFM e PSL. Assim está o Partido Popular Democrático/Partido Social Democrático. Nem os hermanos do PP os percebem…HA!HA!HA!

      1. Meu caro senhor ao responder-me assim deve-me estar a confundir com senhora sua Mãe que teve um filho tão básico que não sabe interpretar um texto simples.
        Com os melhores cumprimentos

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